
Victor Machado transformou uma pequena chácara de 10 hectares em Jaraguari, Mato Grosso do Sul, em um negócio familiar rentável após assumir o lote de seu falecido pai em 2009. Mesmo enfrentando a falta de energia elétrica no início, o produtor rural deixou a rotina de serviços urbanos em Campo Grande para apostar no cultivo de hortaliças e na criação de animais, garantindo hoje o sustento de sua família.
Como foi a transição da vida urbana para o campo na história do Rancho Chão Parado?
A mudança ocorreu em 2009, quando Victor Machado decidiu dar continuidade ao sonho de seu pai, um trabalhador rural que faleceu pouco tempo após receber o lote no Assentamento Estrela. Com 31 anos na época, Victor trocou os serviços de pintura e elétrica em Campo Grande pela lida no campo. O início foi marcado por grandes dificuldades financeiras e estruturais: a família viveu o primeiro ano sem energia elétrica, em uma pequena casa de madeira com apenas dois cômodos, e precisava comprar água mineral para consumo, já que a chácara ainda não possuía um poço artesiano próprio.
Quais são as principais atividades que garantem a renda da propriedade atualmente?
A base do sustento familiar vem das hortaliças, agora cultivadas em um sistema hidropônico que produz mensalmente cerca de mil pés de alface e agrião. No entanto, a grande marca do negócio é a diversificação. O Rancho Chão Parado abriga hoje 2 mil tilápias, 15 carneiros e porcos, além de aproveitar os recursos naturais da região. Uma vez por ano, a família coleta frutas nativas do cerrado para a fabricação de licores artesanais. Essa variedade produtiva permitiu que Victor deixasse de buscar clientes na cidade para atender a demanda crescente da própria região rural local.
De que forma o apoio técnico contribuiu para o crescimento do negócio rural?
O amadurecimento da produção contou com a ajuda fundamental do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) de Mato Grosso do Sul. Embora Victor já tivesse experiência prática herdada do acompanhamento ao pai em fazendas, a assistência técnica trouxe o conhecimento científico necessário para o controle de pragas e o manejo correto da ovinocultura. Graças a essa parceria, a família estruturou o embarque de animais para venda direta a frigoríficos e profissionalizou o cultivo das hortaliças, transformando o que era apenas subsistência em um empreendimento agrícola viável e competitivo.
Quais são as perspectivas para as próximas gerações e os novos projetos do sítio?
O futuro do Rancho Chão Parado parece garantido com o envolvimento direto dos filhos, Joianne e João Victor. O caçula, de 19 anos, já planeja investir parte de seu salário atual na chácara para assumir o negócio futuramente. Além de melhorias na infraestrutura, como o cercamento total do perímetro e a reforma das pastagens, Victor planeja explorar o potencial gastronômico da propriedade. O objetivo é receber visitantes da cidade nos fins de semana para consumir carneiro assado e peixe frito, agregando valor aos produtos criados no local e fortalecendo ainda mais o faturamento da família.
Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.





