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‘Não tá fácil pra ninguém’: vendas de carros de luxo e superluxo despencam

Nos primeiros cinco meses deste ano a Ferrari, por exemplo, emplacou metade do volume verificado no mesmo período em 2014, quando a crise começou a aprofundar. Na BMW, a queda chegou a 31,40% no mesmo intervalo

A Ferrari Califórnia teve apenas duas unidades vendidas este ano. | Ferrari/Divulgação
A Ferrari Califórnia teve apenas duas unidades vendidas este ano. (Foto: Ferrari/Divulgação)

De janeiro a maio de 2016, as marcas cujos modelos beiram ou ultrapassam a casa do R$ 1 milhão tiveram uma baixa de 51,72% nas vendas em relação ao mesmo período em 2014, quando a crise econômica começava a se aprofundar.

A concessionária Via Europa, em São Paulo, única representante oficial da Ferrari no Brasil, mandou seis exemplares a menos para as ruas no referido intervalo - de 12 para 6 unidades. Já a rival Lamborghini registrou uma retração de 4 para apenas 1 modelo emplacado nos primeiros cinco meses de 2014 (-75%).

Pior a Rolls-Royce que nem sequer vendeu um exemplar ainda neste ano - há dois anos, na mesma época, havia faturado pelo menos uma unidade do modelo Ghost, avaliado em R$ 3,6 milhões.

Na mesma ladeira abaixo estão também marcas premium e de luxo, que oferecem verdadeiras fortunas sobre rodas. É caso da BMW, que verificou queda de 31,40% no período - de 5.977 unidades importadas entre janeiro e maio de 2014 para as 4.100 acumuladas até o mês passado. A Land Rover também viu a procura diminuir em 14,87% (de 3.598 para 3.063).

As únicas que veem a crise passar ao largo são Porsche e Jaguar. A marca alemã subiu 12,45% nas vendas, enquanto a inglesa ri à toa com os 130,08% verificados até maio passado.

Os números são da Abeifa (Associação Brasileira de Empresas Importadoras e Fabricantes de Veículos Automotores), que reúne 18 afiliadas - Audi e Mercedes-Benz não fazem mais parte da entidade, por isso ficaram de fora desta relação.

Entre as mais‘populares’ está a chinesa Chery, que sentiu fortemente os efeitos do mercado encolhido: 74,59% de queda entre janeiro e maio de 2016 comparado o mesmo período de 2014 (de 3.900 para ínfimos 991).

E olha que a Chery inaugurou uma fábrica em Jacareí em 2014 com capacidade de produzir por mês 4,1 mil unidades - lá são feitos o Celer (sedã e hatch) e o QQ (subcompacto).

No acumulado de 2016, as marcas associadas à Abeifa emplacaram 15.412, ante os 34.727 de 2014 (janeiro a maio), ou seja, 55,62% no número de importados a menos das ruas. “Reconhecemos que o mercado interno de veículos está temporariamente em baixa, mas no caso dos importados mais em razão do fato de que é impossível vender carros fora de cota estabelecida com 30 pontos percentuais a mais no IPI, aliado ao dólar na casa de R$ 3,60”, explicou José Luiz Gandini, presidente da Abeifa.

O executivo diz que o setor de importados não pode esperar até dezembro de 2017 pelo fim dos 30% do Imposto sobre Produtos Industrializados. Estudo feito Abeifa revela que desde 2011, ano em que a medida foi implantada pelo Governo Federal, quase 400 concessionárias foram fechadas e mais de 20 mil funcionários foram demitidos.

O Land Rover Discovery Sport, modelo de entrada da marca inglesa, é o modelo líder vendas das marcas associadas à Abeifa, com 1.558 unidades negociadas de janeiro a maio de 2016. O Kia Sportage, que estreará a nova geração no Brasil na próxima semana, aparece em segundo, com 1.538 emplacamentos, seguido do BMW Serie 3 (1.474), que passou a ser fabricado em Santa Catarina, Kia Picanto (982) e BMW X1 (929), também recém-saído do estado vizinho.

Por marcas, a liderança foi da Kia Motors (4.188), seguida pela BMW (4.100) e Land Rover (3.063).

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