
Um consórcio de sete cooperativas lideradas pela Frísia concluiu a compra da unidade de processamento de soja da Louis Dreyfus Company (LDC) em Ponta Grossa (PR). O negócio bilionário faz parte de uma estratégia para dominar a cadeia produtiva da soja, aproveitando a crescente demanda por biodiesel e garantindo insumos mais baratos para a produção de proteína animal no Sul do país.
Qual é a importância desse investimento para o setor cooperativista?
A aquisição da unidade em Ponta Grossa, avaliada indiretamente em R$ 1,4 bilhão quando somada ao capital de giro, representa um marco na intercooperação brasileira. Sete cooperativas (Agrária, Capal, Coasul, Integrada, Castrolanda, Bom Jesus e Frísia) uniram forças para comprar uma estrutura pronta de uma das maiores tradings do mundo. Isso permite que elas controlem o processamento do grão, capturando margens de lucro que antes ficavam com multinacionais e garantindo que o valor gerado permaneça com os produtores rurais associados, fortalecendo a economia regional.
Por que o biodiesel é o grande motor dessa mudança estratégica?
O Brasil está aumentando gradualmente a mistura obrigatória de biodiesel no diesel comum, que deve chegar a 20% até 2030. Como a soja é a base de cerca de 75% do biodiesel nacional, as cooperativas estão investindo pesado em esmagadoras para extrair o óleo necessário. Ao industrializar o grão em vez de apenas exportá-lo, elas criam um escudo contra as variações de preços internacionais. Se o preço da energia subir, foca-se no combustível; se a demanda por alimentos for maior, o foco volta para a proteína, dando mais segurança financeira para os milhares de cooperados envolvidos.
Como essa transação beneficia a produção de carnes e leite?
O processamento da soja gera dois produtos principais: o óleo e o farelo. Enquanto o óleo vai para o biodiesel ou cozinha, o farelo é essencial para a fabricação de ração animal. Para as cooperativas do Paraná e Santa Catarina, que possuem fortes cadeias de suínos, aves e leite, ter uma esmagadora própria garante o fornecimento desse insumo de forma constante e barata. É o conceito de economia circular na prática: o produtor entrega o grão para a cooperativa, ela processa, devolve o farelo como ração para os animais e vende o óleo, fechando um ciclo completo de produção.
Por que uma gigante como a Louis Dreyfus decidiu vender o ativo?
Especialistas indicam que tradings globais estão mudando o foco para a logística, investindo em portos e terminais de exportação em vez de fábricas de processamento. Além disso, nos Campos Gerais, a LDC enfrentava dificuldades para comprar soja, pois a maioria dos agricultores é fiel às suas cooperativas. Sem acesso fácil à matéria-prima, a multinacional optou por desinvestir na indústria local e focar em infraestrutura, como um novo terminal no Porto de Paranaguá. Já para as cooperativas, o ativo é estratégico porque elas já possuem a garantia do grão vindo de seus associados.
Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.





