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A Cooperativa Agrária lidera uma expansão no cultivo de cevada cervejeira no Paraná e em São Paulo para atender à crescente demanda nacional. Com o uso de genética avançada e parcerias de intercooperação, o setor busca elevar a participação do grão nacional para 70% do consumo das fábricas de malte nos próximos cinco anos, aproveitando áreas de altitude e climas frios para garantir a qualidade.
Como as cooperativas pretendem diminuir a dependência de cevada estrangeira?
O plano principal é aumentar a produção nacional por meio de parcerias estratégicas. A Cooperativa Agrária, pioneira no setor, compartilha tecnologia e oferece suporte técnico para produtores de outras regiões, como o Norte e Sudoeste do Paraná, além do interior de São Paulo. Ao garantir a compra de 100% da colheita, a cooperativa incentiva o plantio de inverno, tornando a cevada uma alternativa lucrativa ao trigo. O objetivo é que, em cinco anos, a maior parte do grão transformado em malte nas fábricas brasileiras venha de campos instalados em solo nacional, reduzindo gastos com importação.
Qual é o papel da genética no desenvolvimento dessa cultura no Brasil?
A genética é o motor da expansão para áreas onde o cultivo não era comum. Através da Fundação Agrária de Pesquisas Agropecuárias (FAPA), são desenvolvidas variedades de sementes chamadas de cultivares, como a variedade Princesa, que são mais resistentes a doenças e adaptadas a climas específicos. O foco está na cevada cervejeira, que precisa de características precisas para produzir um malte de alta qualidade, diferente das variedades usadas apenas para ração animal. Essa evolução permite que o grão suporte melhor as variações de chuva e mantenha o padrão exigido pelas grandes cervejarias.
Quais cuidados técnicos são essenciais para garantir a qualidade do malte?
Diferente de outros grãos, a cevada para cerveja exige um controle rigoroso desde o campo até a fábrica. O recebimento deve ser segregado para manter a produção homogênea. A etapa de secagem é vital, pois a temperatura e a ventilação precisam ser monitoradas para preservar o poder de germinação dos grãos, que deve ficar em torno de 95%. Se esse processo falhar, o lote perde o valor comercial para a indústria de bebidas e acaba sendo destinado à alimentação animal, que paga menos. Por isso, as cooperativas investem centenas de milhares de reais em laboratórios e treinamento de pessoal.
Quais são os benefícios extras do plantio de cevada para o agricultor?
Além do lucro direto com a venda dos grãos, a cevada traz vantagens para a plantação seguinte, geralmente a soja no verão. O cereal deixa um grande volume de palha no solo, que serve como cobertura protetora, aumentando a matéria orgânica e ajudando na produtividade da safra futura. Outro ponto positivo é o sistema de raízes da cevada, que consegue buscar nutrientes em camadas muito profundas da terra e trazê-los para cima, facilitando o aproveitamento pela soja. Além disso, a produção agora conta com rastreabilidade total e cálculo da pegada de carbono, atendendo a exigências ambientais.
Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.

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Marcos Tosi é jornalista e publicitário formado pela Universidade Federal do Paraná (UFPR). Acumula experiência em TV, rádio, impresso e portais. Iniciou a carreira no jornal “O Século”, na África do Sul, e teve passagens pela rede de televisão CNT, rádio CBN, Federação da Agricultura do Paraná (FAEP) e Tribunal Regional do Trabalho do Paraná (TRT-PR). Desde 2017 está na Gazeta do Povo, onde coordenou as editorias de Paraná, Economia e Agronegócio. Atualmente, apresenta os programas Última Análise e Ouça Essa, no canal do YouTube da Gazeta do Povo.




