
Ouça este conteúdo
A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) deflagrou nesta terça-feira (23) uma operação para investigar um suposto esquema de descontos associativos não autorizados em benefícios de aposentados e pensionistas do Governo do Distrito Federal (GDF) através do Banco de Brasília (BRB). As apurações indicam que mais de 3,5 mil contas podem ter sido afetadas, com um prejuízo estimado em mais de R$ 5 milhões.
A Operação Parasitas cumpre quatro mandados de prisão temporária, três de prisão preventiva e dez mandados de busca e apreensão em regiões do Distrito Federal e também nas cidades mineiras de Belo Horizonte e Igaratinga. Os nomes dos alvos não foram divulgados.
À Gazeta do Povo, o BRB informou que a investigação não diz respeito à atual administração e que três funcionários foram afastados das funções até o fim das investigações.
"O BRB repudia quaisquer práticas criminosas, em especial aquelas que violem direitos de públicos vulneráveis e reforça seu compromisso com a integridade, a conformidade e a transparência, e sua colaboração permanente e integral com as autoridades competentes", completou o banco em nota (veja na íntegra mais abaixo).
Segundo a investigação, associações teriam utilizado contratos para autorizar débitos automáticos sem comprovação adequada da concordância dos beneficiários pelo menos desde o ano de 2024. Em vários casos analisados pela polícia, aposentados e pensionistas relataram que nunca autorizaram os descontos realizados em seus pagamentos.
O esquema é semelhante ao descoberto no ano passado pela Polícia Federal no INSS, que também contava com a contratação fraudulenta de descontos automáticos por entidades associativas, que supostamente ofereciam serviços e benefícios a aposentados e pensionistas. No caso da autarquia federal, o desvio somou mais de R$ 6 bilhões e atingiu seis milhões de pessoas.
A Polícia Civil aponta que servidores do BRB podem ter participado do esquema realizando a operacionalização dos descontos e à manutenção da estrutura utilizada para a arrecadação contínua dos valores. Os investigadores buscam esclarecer como os débitos eram processados e quais agentes teriam contribuído para a permanência do sistema.
VEJA TAMBÉM:
A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP-DF), determinou a contratação de uma auditoria externa para apurar possíveis irregularidades e que a Procuradoria-Geral "busque meios legais para garantir o ressarcimento dos recursos dos servidores públicos".
A nova operação policial amplia a pressão sobre o BRB, que já havia sido alvo de outra ação na última sexta-feira (19) com o cumprimento de 50 mandados de busca e apreensão em uma investigação também sobre supostos descontos irregulares na folha de pagamento de servidores do Distrito Federal.
Entre os alvos da operação anterior estavam Ney Ferraz, ex-secretário de Economia do DF, Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB atualmente preso por envolvimento nas fraudes financeiras do Banco Master, e Eduardo Chedid, diretor do PicPay. Apesar do cumprimento das buscas, não houve prisões relacionadas àquela ação.
Em meio a estas operações policiais, o BRB tenta fechar seu balanço financeiro do ano passado que revelará o tamanho do rombo provocado pelos negócios realizados com o Banco Master. O resultado, que já teve diversos adiamentos de divulgação, deve ser apresentado no próximo dia 30.
O que dizem os citados
Veja abaixo o que disse o BRB sobre a operação desta terça-feira (23):
O BRB informa que a operação deflagrada pela PCDF na manhã de hoje (23) teve início a partir de notícia crime encaminhada pelo próprio banco às autoridades policiais, após a identificação de irregularidades em movimentações financeiras e indícios de descumprimento de normas de compliance.
Como medida administrativa, 3 empregados foram afastados de suas funções até a conclusão das investigações e a verificação de eventual responsabilidade.
O BRB destaca que os fatos sob investigação não dizem respeito à atual administração do BRB e reforça que quaisquer fatos irregulares identificados serão punidos com os rigores cabíveis, dentro dos procedimentos normativamente estabelecidos.
Por fim, o BRB repudia quaisquer práticas criminosas, em especial aquelas que violem direitos de públicos vulneráveis e reforça seu compromisso com a integridade, a conformidade e a transparência, e sua colaboração permanente e integral com as autoridades competentes.












