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Crise dos Correios

Correios tentarão mais um plano de demissão voluntária para reduzir rombo

Correios
Estatal espera, para 2027, cortar 5 mil postos de trabalho na quarta tentativa de demissão voluntária. (Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil)

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Os Correios preparam um quarto Plano de Demissão Voluntária (PDV) para desligar cinco mil funcionários e economizar aproximadamente R$ 1 bilhão ao ano para reduzir o rombo que, em 2025, bateu o recorde de R$ 8,5 bilhões. A expectativa é de que esta meta seja atingida em 2027.

Segundo uma apuração publicada nesta quarta-feira (27) pelo Poder360 e confirmada pela Gazeta do Povo junto aos Correios, o plano está em fase de estudos técnicos e ainda não tem uma data de abertura. A apuração aponta que, no PDV lançado neste ano, cerca de 3,2 mil funcionários aderiram dos 10 mil esperados.

“Atualmente, os Correios contam com cerca de 76,4 mil empregados. A Plano de Reestruturação prevê o desligamento voluntário de 10 mil empregados em 2026 e de 5 mil em 2027”, afirmou em nota à reportagem.

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A estimativa de economizar R$ 1 bilhão foi citada ao Poder360 pelo presidente do Sindicato dos Correios no Rio de Janeiro, Marcos Sant’Aguida, que atribuiu a baixa procura aos relatos de insatisfação de ex-funcionários que aderiram aos planos anteriores. De acordo com ele, a entidade prepara uma reação caso a estatal faça eventuais demissões com a justificativa de dificuldades financeiras.

Sant’Aguida ainda citou que o novo plano dos Correios “terá a adesão ainda mais baixa”, já que “não tem muito sentido para os funcionários”.

“O PDV integra o Plano de Reestruturação dos Correios, que reúne iniciativas voltadas à recomposição da sustentabilidade financeira, à ampliação da capacidade de investimento e ao fortalecimento da empresa no médio e longo prazo. Nesse contexto, o Plano contempla um conjunto de ações com o mesmo direcionamento estratégico”, justificou a estatal para a redução de seus quadros.

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Segundo a apuração, os PDVs anteriores não tiveram as metas de desligamento atingidas desde que começaram a ser realizados em 2019. Durante o governo de Jair Bolsonaro (PL), cerca de 5 mil dos 7,3 mil esperados aderiram ao plano.

Já sob a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o primeiro, em 2024, chegou perto da meta: 3.756 adesões das 3.763 esperadas. O segundo PDV, deste ano, previa 10 mil desligamentos, mas apenas 3.181 funcionários aceitaram deixar os Correios.

O prejuízo recorde dos Correios registrado em 2025 foi provocado por uma combinação de fatores financeiros, operacionais e estruturais, segundo dados divulgados pela própria estatal, entre eles a queda nas receitas, o aumento dos custos operacionais, a perda de espaço no mercado de entregas e as dificuldades de caixa acumuladas ao longo dos últimos anos.

Principalmente na questão da receita, a arrecadação bruta dos Correios caiu cerca de 11,35% em relação a 2024, fechando em R$ 17,3 bilhões. A estatal atribui parte disso à concorrência cada vez maior no e-commerce, já que grandes varejistas e marketplaces passaram a criar suas próprias redes logísticas, reduzindo a dependência da estatal.

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