
Bancários da Caixa Econômica Federal realizam assembleias virtuais nesta segunda-feira, 21 de setembro, para decidir o futuro da greve que já dura 11 dias. Os trabalhadores avaliam uma nova proposta de acordo coletivo apresentada pelo banco, que tenta destravar o impasse em torno do plano de saúde da categoria. A votação ocorre em todo o país e define se as atividades serão retomadas.
Qual é o principal motivo que impede o fim da greve na Caixa?
O grande nó da negociação é o Saúde Caixa, o plano de assistência médica gerido pelo próprio banco para seus funcionários e dependentes. O modelo tradicional previa que a Caixa pagasse 70% das despesas e os empregados 30%. No entanto, desde 2017, o estatuto do banco impôs um teto de gastos fixado em 6,5% da folha de pagamento. Com o aumento acelerado dos custos médicos nos últimos anos, as despesas do plano superaram as receitas, gerando um déficit de centenas de milhões de reais e pressionando os trabalhadores a pagarem uma fatia maior para cobrir o rombo financeiro.
O que mudou na terceira proposta apresentada pelo banco?
Nesta nova tentativa de acordo, a Caixa elevou o limite de sua participação nos custos do plano para 9% da folha de pagamento. Um ponto crucial foi a desistência de cobrar mensalidades diferentes conforme a idade do usuário, o que preserva o pacto intergeracional. Isso significa que jovens e idosos continuam contribuindo com o mesmo percentual linear, agora fixado em 3,7% da remuneração-base. Além disso, o banco prometeu assumir o déficit operacional de 2026, reduziu o valor das taxas de consultas em prontos-atendimentos e manteve a gratuidade total para serviços de telemedicina.
Por que o modelo de cobrança por idade gerou tanta resistência?
Nas propostas anteriores, a Caixa queria implantar mensalidades progressivas por faixa etária, similar aos planos de saúde comuns do mercado. Para os sindicatos, isso destruiria o princípio da solidariedade que sustenta o Saúde Caixa desde 2004. Nesse sistema linear, quem ganha mais ou é mais jovem ajuda a equilibrar os custos de quem ganha menos ou precisa de mais cuidados médicos, como os aposentados. A categoria argumentou que a mudança penalizaria justamente os mais velhos e os dependentes, descaracterizando o benefício como um direito conquistado por todos os trabalhadores.
Como os sindicatos e associações estão se posicionando sobre a votação?
Embora a decisão final caiba exclusivamente ao voto dos trabalhadores nas assembleias de cada base sindical, algumas entidades já sinalizam que a nova proposta traz avanços reais. A Fenag, que representa os gestores do banco, afirmou que as melhorias atuais oferecem fundamentos sólidos para que o acordo coletivo seja finalmente aprovado. Vale lembrar que nas rodadas anteriores a rejeição foi alta, chegando a 90% em São Paulo, mas o recuo da Caixa em pontos sensíveis, como o teto de gastos e a tabela por idade, mudou o cenário político das negociações atuais.
Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.





