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Crise do diesel

ANTT endurece fiscalização do frete e ameaça punir empresas para conter greve dos caminhoneiros

Guerra no Oriente Médio desencadeou alta do diesel em pleno ano eleitoral, levando a medidas que não impediram reajuste da Petrobras.
Guerra no Oriente Médio desencadeou alta do diesel em pleno ano eleitoral, levando a medidas que não impediram reajuste da Petrobras. (Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil)

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O ministro dos Transportes, Renan Filho, anunciou nesta quarta-feira que, por meio de uma parceria entre a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e o Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), haverá fiscalização eletrônica de todos os fretes do país de forma eletrônica. As empresas que descumprirem reiteradamente o piso do frete ficarão impedidas de contratar o transporte rodoviário. O governo federal corre contra o tempo em meio a uma ameaça de greve dos caminhoneiros impulsionada pela alta no diesel.

"Hoje isso não é permitido. A ANTT não tem instrumento legal. Então multa vira apenas custo, vira passivo regulatório que vai ser discutido em outro ambiente e não vira preço melhor para o frete", disse o ministro.

Na ocasião, Renan Filho teceu elogios aos caminhoneiros, ressaltando a existência de um grupo de articulação com a categoria. Ele opinou que o problema reside no "achatamento" da remuneração por meio do descumprimento do piso do frete, com a existência de uma "indústria" de irregularidades.

Nesta segunda-feira (16), a ANTT reagiu à alta reajustando o piso em 7%. O mecanismo foi instituído após a greve dos caminhoneiros de 2018 e passa por revisão sempre que o diesel sobe mais de 5%. Mas a categoria pede mais do que o endurecimento das fiscalizações, e reivindica um combate mais incisivo a preços abusivos nos postos, além de isenção de pedágio para caminhões vazios e revisão da política de preços da Petrobras.

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Petrobras aumentou diesel após aderir a subvenção de Lula

Presidente da estatal, Magda Chambriard justificou reajuste dizendo que preço subiria mais sem medidas do governo federal. Presidente da estatal, Magda Chambriard justificou reajuste dizendo que preço subiria mais sem medidas do governo federal. (Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) zerou PIS e Cofins do combustível e lançou uma subvenção a produtores e importadores de até R$ 0,32 por litro, com impacto de R$ 10 bilhões aos cofres públicos, além de aumentar tarifas de exportação para fomentar a circulação interna do produto e proteger o investimento.

Mesmo aderindo ao benefício, a Petrobras sinalizou que manteria sua estratégia comercial e anunciou, logo em seguida, um aumento que, de acordo com a Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), fez com que o valor nas bombas passasse de R$ 6,10 para R$ 6,58. Para justificar o reajuste, a presidente da estatal, Magda Chambriard, disse que o combustível subiria R$ 0,70 por litro sem a adesão à subvenção, longe dos R$ 0,38 anunciados.

O diesel passou a subir após a guerra entre Irã e Estados Unidos culminar no fechamento do Estreito de Ormuz, rota de escoamento de cerca de 20% do petróleo bruto do mundo. Não há previsão de reabertura.

Atualização

Incluímos os anúncios de Renan Filho na entrevista coletiva.

Atualizado em 18/03/2026 às 11:56

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