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Contas públicas

Ministro de Lula chama ajuste fiscal de Flávio Bolsonaro de “ilusão barata”

Dario Durigan
Durigan critica proposta de corte de mais de R$ 200 bi nas despesas públicas e alerta para impactos em programas sociais. (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

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O ministro Dario Durigan, da Fazenda, classificou como “ilusão barata” a reação positiva do mercado financeiro ao resultado do primeiro turno das eleições presidenciais, que colocou o senador Flávio Bolsonaro (PL) à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) por uma diferença de pouco mais de dois milhões de votos.

Durigan criticou a proposta de ajuste fiscal atribuída ao senador e afirmou que cortes superiores a R$ 200 bilhões poderiam comprometer políticas sociais e investimentos estratégicos.

“É uma ilusão barata, uma ilusão vazia, que está se vendendo e o mercado tem comprado isso”, declarou Durigan em entrevista à CNN Brasil nesta quinta-feira (8).

Segundo o ministro, a proposta de Flávio, inspirada no modelo econômico do presidente argentino Javier Milei, prioriza a redução da dívida pública sem considerar outros indicadores econômicos. Para Durigan, o ajuste fiscal também precisa considerar crescimento econômico, emprego, balança comercial e projetos estratégicos.

“O modelo que o Flávio está inspirado é o modelo [Javier] Milei [presidente da Argentina], que é um modelo que quer responder com ansiedade a essa demanda única do mercado em relação à dívida sobre PIB”, afirmou.

O ministro ainda rejeitou as críticas de que o governo Lula gasta além do que arrecada e afirmou que ele e o ex-ministro Fernando Haddad trabalharam para reorganizar as contas públicas.

Como exemplos de contenção de despesas, Durigan citou o bloqueio de R$ 20 bilhões no Orçamento no ano passado, o congelamento de R$ 16 bilhões neste ano e a redução linear de 10% dos benefícios tributários.

Ainda durante a entrevista, Dario Durigan afirmou que um eventual quarto mandato de Lula buscaria superávits primários crescentes, com possibilidade de acelerar o ajuste fiscal. Para ele, a evolução da dívida pública nos últimos anos foi determinada principalmente pelos juros, e não pelo resultado primário, que é a diferença entre receitas e despesas do governo, descontados os juros da dívida.

Durigan também criticou a gestão fiscal do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), afirmando que o endividamento público e o risco-país pioraram durante o mandato. Com isso, emendou as críticas ao suposto corte de mais de R$ 200 bilhões atribuído a Flávio Bolsonaro.

“Ninguém entendeu como será feito um corte de R$ 200 bilhões ano que vem”, afirmou acrescentando que representantes do mercado financeiro também não teriam compreendido a proposta.

Durigan argumentou que uma redução dessa magnitude atingiria praticamente toda a despesa discricionária do Executivo, formada por gastos que o governo pode administrar com maior flexibilidade. O ministro também alertou para riscos à descarbonização da economia, ao Minha Casa, Minha Vida, ao Fundo Social e ao financiamento habitacional com recursos do FGTS.

Em defesa da estratégia fiscal do governo, Durigan afirmou que a equipe econômica apresentou ao Congresso uma proposta orçamentária e projetos com metas de superávit primário para os próximos anos.

“Você vai matar o corpo a pretexto de vender uma ilusão, uma baforada de mau hálito para o mercado financeiro? Essa é a grande pergunta”, concluiu.

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