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Operação Miragem

Banco de Edir Macedo adotou prática semelhante ao Master, aponta investigação

Edir Macedo
Líder religioso não mora no Brasil e não foi alvo da operação. (Foto: reprodução/Facebook Edir Macedo (ampliada com inteligência artificial))

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A investigação da Polícia Federal que levou à deflagração da Operação Miragem contra o Banco Digimais, na terça-feira (23), aponta que a instituição adotou um modelo de operação financeira semelhante ao do liquidado Banco Master para atrair investidores e sustentar resultados artificiais. A apuração aponta que o banco ligado ao pastor Edir Macedo usava títulos como CDBs com rentabilidade acima do mercado e inflava ativos para mascarar a real situação financeira.

Segundo os investigadores, o banco emitia Certificados de Depósito Bancário com taxas superiores a 110% do CDI, criando uma sensação de ganho elevado com apoio da garantia do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Esse modelo de captação vinha acompanhado de distorções contábeis, com superavaliação de ativos e manipulação de balanços.

“O Banco Digimais, sob o controle de Edir Macedo, adotou práticas financeiras temerárias e estreitamente análogas às do extinto Banco Master”, pontuou o relatório da Polícia Federal.

O Banco Digimais negou irregularidades e afirmou que “permanece à disposição das autoridades para prestar quaisquer esclarecimentos e colaborar com as apurações em curso” (veja na íntegra mais abaixo).

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Entre os exemplos de superavaliação de ativos citados no relatório estão títulos antigos reavaliados em centenas de milhões de reais sem lastro compatível com o mercado. Também há registros de terrenos e carteiras de ativos com valores inflados de forma significativa, chegando a discrepâncias superiores a dez vezes o valor real estimado.

“Precificação de títulos antigos e sem valor da Vale em R$ 650 milhões, a avaliação de um terreno em Pernambuco por R$ 150 milhões quando o seu valor real seria inferior a R$ 10 milhões, e a marcação de uma carteira de automóveis em R$ 3,5 bilhões”, aponta o relatório.

Em outro trecho, a investigação aponta que fundos internos foram utilizados para inflar artificialmente o patrimônio do banco, com registros contábeis que multiplicavam o valor real dos ativos. A Polícia Federal afirma que essa estrutura teria sido usada para melhorar indicadores financeiros e sustentar a captação baseada em confiança do investidor.

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Estratégia com FGC

O relatório destaca ainda que o banco teria usado o FGC como principal estratégia de captação, reforçando a percepção de baixo risco mesmo com sinais de fragilidade nos balanços. Esse modelo, segundo a Polícia Federal, se aproxima diretamente do praticado pelo Banco Master, que também oferecia retornos elevados com forte apelo à garantia.

“Aproveitando a assimetria de informação e a confiança dos depositantes na proteção institucional, a diretoria do Banco Digimais replicou a prática de superavaliar ativos mediante a emissão de títulos com rentabilidades desproporcionais aos indicadores de mercado, efetuando manipulações nos balanços com o objetivo de ocultar dos órgãos de controle a deterioração da sua carteira de crédito”, pontuou a Polícia Federal.

A Operação Miragem cumpriu mandados de busca e apreensão, bloqueio de bens e quebra de sigilos bancário e fiscal. O valor bloqueado chega a R$ 670,3 milhões, equivalente às supostas distorções identificadas nos balanços do banco.

A Polícia Federal investiga crimes como gestão fraudulenta, falsidade em demonstrações contábeis e operações de crédito vedadas, além de possível indução de investidores a erro.

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O que dizem os citados

Veja abaixo o que disse o Banco Digimais sobre a operação e a investigação da Polícia Federal:

Em relação à operação da Polícia Federal desta manhã o Banco Digimais informa que permanece à disposição das autoridades para prestar quaisquer esclarecimentos e colaborar com as apurações em curso. A instituição reafirma seu compromisso com a transparência, a conformidade regulatória e a plena colaboração com as autoridades competentes.

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