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Mercado de trabalho

Pedidos de seguro-desemprego disparam mesmo com desemprego em queda

Seguro-desemprego
Paradoxo no mercado de trabalho: formalização cresce (esquerda), mas conta do seguro-desemprego pressiona o limite fiscal do governo (direita) (Foto: Dall-E/Gazeta do Povo)

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O desemprego no Brasil atingiu os menores níveis já registrados: 5,8% em fevereiro de 2026, a menor taxa para o mês na série histórica do IBGE – ainda que com uma importante ressalva, que é a inatividade em massa. Ao mesmo tempo, os gastos com seguro-desemprego crescem aceleradamente.

Após atingir um mínimo de 444 mil beneficiários em julho de 2021, o volume de pessoas recebendo seguro-desemprego subiu de forma quase constante, alcançando cerca de 560 mil no fim de 2025. O perfil majoritário é de profissionais com ensino médio completo, renda entre um e três salários-mínimos, originários do setor de serviços.

Como explica Francisco Pessoa Faria, pesquisador associado do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre), a base de trabalhadores com direito ao benefício se expandiu nos últimos anos. Entre 2021 e 2025, o país registrou a criação de 5,8 milhões de novos vínculos CLT.

Como o seguro-desemprego é um direito exclusivo de quem atua com carteira assinada, a lógica é matemática: quanto maior a base de trabalhadores no mercado formal, maior o potencial de impacto nas contas públicas.

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Salários mais altos elevam custo do seguro-desemprego

Entre dezembro de 2021 e dezembro de 2025, os salários do setor privado tiveram um ganho real de 8,7% — reflexo da recuperação do mercado de trabalho pós-pandemia e do aperto na oferta de mão de obra. Esse aumento elevou o valor médio do seguro-desemprego de R$ 1.663 para R$ 1.843, um aumento de 10,8% acima da inflação. Em fevereiro de 2026, o ticket médio já alcançava R$ 1.945,63.

A recente valorização salarial atua como multiplicador automático dos gastos e é peça-chave para entender por que as despesas totais com o benefício bateram R$ 49 bilhões em 2025 — um salto de 31% em comparação a 2021.

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Demissões crescem, mas rotatividade permanece estável

O gatilho para o benefício — a demissão sem justa causa — cresceu em volume absoluto. Em 2023, os registros superaram em 1,1 milhão o patamar pré-pandemia. Porém, essa alta é estatisticamente esperada: a proporção entre demissões e o estoque total de empregos formais mantém-se estável em torno de 23% a 24%, indicando que a rotatividade não se acelerou.

Essa taxa vinha nesse mesmo patamar até 2020, teve um pico em 2022 — reflexo da recuperação pós-pandemia e do ajuste de quadros — e depois retornou ao nível histórico. O crescimento absoluto de demissões é consequência natural dessa expansão da base formal.

"O número de pessoas que pedem demissão também está aumentando, e esse é um fenômeno de mercado de trabalho aquecido, mas essas pessoas não entram no seguro-desemprego", explica Faria.

Impacto nas contas públicas

O seguro-desemprego é financiado pelo Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), que tem receitas próprias, vindas de contribuições de empresas e trabalhadores. Na prática, porém, o fundo não é totalmente independente. Quando as despesas superam a arrecadação, o Tesouro Nacional precisa cobrir a diferença.

Isso significa que, mesmo com financiamento específico, o aumento dos gastos com o benefício acaba pressionando o orçamento do governo.

Nesse cenário, o Tesouro precisa aportar recursos para o seguro-desemprego, deslocando-os de outras prioridades orçamentárias. Assim, embora o benefício não compita diretamente com saúde e educação no orçamento geral, sua expansão impacta a disponibilidade de recursos do governo como um todo.

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