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Ensino superior sofre com crise, Fies e inadimplência

O número de matrículas nos cursos presenciais caiu em 2015 e 2016, mas os números oficiais ainda não foram divulgados

 | Felipe Rosa/ Gazeta do Povo/Arquivo
(Foto: Felipe Rosa/ Gazeta do Povo/Arquivo)

Depois de anos em ascensão no número de matrículas, as instituições de ensino superior privadas no Brasil começaram a sentir os efeitos da crise. O Ministério da Educação ainda não publicou os números oficiais de matrículas em 2015, mas estabelecimentos de diferentes estados confirmam as baixas.

INFOGRÁFICO: Contas no vermelho

No Paraná, após um crescimento de 23,9% no número de matrículas de cursos presenciais entre 2009 e 2014 – um pouco abaixo da média registrada no Brasil nesse período, que foi de 25,8% –, as instituições de ensino superior privadas no estado registraram uma queda em 2015, que persiste em 2016, segundo o Sinepe-PR, sindicato das empresas, que não divulgou dados mais concretos.

As causas para esse cenário são principalmente duas: as consequências da crise econômica e a redução do financiamento público das mensalidades realizada por meio do Fies. Os números são expressivos: em 2014 eram 732 mil vagas pelo programa; em 2015 apenas 278 mil foram beneficiados. Em 2016, a previsão do Sindicato das Mantenedoras de Ensino Superior (Semesp) é que os estudantes com Fies não passem de 222 mil.

A crise também é responsável por outro efeito negativo sobre o faturamento das instituições, a inadimplência, que cresceu em 2015 e, no caso das mensalidades, ficou acima da taxa média de pessoas físicas medida pelo Banco Central. Enquanto 6,2% das famílias tiveram que atrasar o pagamento das contas por mais de 90 dias no ano passado, dentro do ambiente universitário esse número chegou a 8,8%. Ou seja: é mais comum deixar para depois a mensalidade do curso do que outras obrigações financeiras.

Houve um aumento de 12,9% na inadimplência em faculdades, universidades e centros universitários de 2014 para 2015. Neste ano, a previsão é de estabilidade: conforme o Sindicato das Mantenedoras de Ensino Superior (Semesp), responsável pela pesquisa, essa taxa deve ficar em 9% em 2016.

O aperto nas contas significa que a construção de novos campi, a oferta de mais cursos e a revitalização de laboratórios, entre outros planos, acabaram ficando para depois – quando não são cancelados. Neste contexto, prédios deixam de ser erguidos, salas não passam por reformas, e profissionais ficam sem promoção. “No Paraná, muitas instituições de ensino tiveram uma contenção de gastos; continuaram a investir apenas as que tinham caixa”, disse Jacir Venturi, presidente do Sinepe-PR.

A crise atinge o bolso de todos. Para professores, que veem menos turmas sendo formadas, a quantidade de horas/aula diminui, o que tem influência direta nos salários. Para os estudantes, cada vez mais preocupados com as contas, o aproveitamento também pode cair e resultar em um período maior até a graduação.

Apesar desse quadro, as instituições acreditam que em 2017 o setor voltará a apresentar uma curva positiva de crescimento. “Como a economia dá sinais de melhora, ainda que contidos, somos otimistas com o futuro. As iniciativas das próprias instituições e o crescimento de outras modalidades de ensino, como o realizado a distância, também serão importantes”, reforça Venturi.

Responsáveis por abrigar a maior parte dos estudantes que estão matriculados em uma faculdade – 76% dos matriculados no ensino superior em 2014 frequentavam a rede privada –, as instituições particulares são fundamentais para que o Brasil possa atingir uma das metas do Plano Nacional de Educação (PNE): a de elevar a taxa bruta de matrículas na educação superior de 34,2%, em 2014, para 50% até 2024. Como em uma difícil etapa do vestibular, são elas agora que terão de provar sua resistência.

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