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Prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB), que disputa a reeleição: apoio do governador João Doria é público, mas campanha de Covas tenta esconder isso.
Prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB), que disputa a reeleição: apoio do governador João Doria é público, mas campanha de Covas tenta esconder isso.| Foto: Divulgação

Após obter quase 33% dos votos no 1º turno da eleição para prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB) deve seguir a mesma estratégia no segundo turno e manter João Doria, do mesmo partido, longe da campanha de rádio e TV. O "sumiço" de Doria já foi admitido pelo próprio Covas: na quinta-feira (19), em evento público, o candidato afirmou que o governador só deve aparecer no horário eleitoral "se sobrar tempo".

A ausência de Doria não é novidade. Na primeira etapa da campanha, o governador paulista também não apareceu no horário eleitoral do tucano, nem participou de eventos na rua.

"O governador João Doria sempre deixou claro o seu apoio de 100% à minha candidatura. Mas ele é o governador do estado e tem 645 municípios para cuidar. E nesta eleição, por conta da pandemia, foi uma campanha com muito menos eventos de rua. Ele vai continuar me apoiando, mas ter a presença dele ou de qualquer outro apoiador na rua será muito difícil por essa razão", afirmou o prefeito, via assessoria de imprensa.

"De todo modo, o apoio à cidade de São Paulo ficou claro em várias ações do governador, como as negociações que fez para garantir a continuidade da Fórmula 1 na cidade e nosso trabalho conjunto pelo controle da pandemia", acrescentou Covas.

Doria sofre alta rejeição entre os eleitores paulistanos. Pesquisa Ibope desta quarta-feira (18) (veja metodologia abaixo) aponta que 50% dos entrevistados consideram a gestão do governador ruim ou péssima, contra 46% que avaliam a administração como boa ou regular. Doria foi eleito prefeito de São Paulo em 2016, mas deixou o cargo dois anos depois para concorrer a governador.

Questionado, nesta quinta-feira (19), sobre a ausência de Doria na campanha, Covas se defendeu. “Uma coisa é a boa relação que o prefeito tem de ter com o governador e com o presidente. Agora, não tem sentido o governador parar de ser governador para ir à rua. O prefeito e o candidato sou eu. Isso não quer dizer que não tenha relação política com o governador”, disse, em entrevista à Folha de S. Paulo.

Doria só apareceu ao lado de Covas após resultado do 1º turno

A única aparição de Doria ao lado de Covas foi na noite de domingo (15), após o resultado do 1º turno, quando o prefeito comemorou a vitória. Depois, no Twitter, o governador parabenizou o aliado: "Covas foi um guerreiro", disse. No debate promovido pela CNN, na segunda-feira (16), Guilherme Boulos (Psol) alfinetou o rival sobre o apadrinhamento de Doria.

“Não pode esconder a origem política. Você foi vice do Doria e virou prefeito porque o Doria abandonou São Paulo mais uma vez. No 1º turno, não falava do Doria, o escondia. Agora, apareceu. Por isso, o debate é legítimo sim”, disse o candidato do Psol.

Covas rebateu que o apoio de Doria se dá na ação conjunta entre estado e município, que tem trazido benefícios aos paulistanos. “A população quer comparar o currículo de cada um dos candidatos, a história, o que fizeram pela cidade”, defendeu o prefeito.

"Todo mundo sabe que sou do PSDB", diz Covas

À Folha de S. Paulo, Covas negou, ainda, que esteja escondendo a marca do PSDB. A legenda tem sofrido desgaste político nos últimos anos, por conta de escândalos de corrupção que envolvem figuras importantes do partido, como o ex-governador Geraldo Alckmin e o senador José Serra. “Todo mundo sabe que eu sou do PSDB. Não foi uma cegonha que me trouxe, foi um tucano. Se tem alguém com a cara do PSDB sou eu, Bruno Covas”, afirmou o prefeito.

Nesta sexta-feira (20) começaram a ser veiculadas as propagandas de rádio e TV do segundo turno. Covas e e seu adversário, Guilherme Boulos, terão à disposição o mesmo tempo – cinco minutos por bloco e 25 inserções diárias. No primeiro turno, Covas tinha 3 minutos e 29 segundos e 29 inserções, contra 17 segundos por bloco e duas inserções por dia de Boulos.

O candidato do Psol afirmou que aliados do PT, como o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, serão explorados nas peças de TV. Já o tucano deve continuar sendo o único protagonista. “O prefeito não precisa de muletas. Talvez o Boulos precise mais mostrar os aliados dele para passar credibilidade”, afirmou um aliado do prefeito ao Valor Econômico.

Metodologia da pesquisa citada na reportagem

  • Sob encomenda da TV Globo e do jornal O Estado de S. Paulo, o Ibope entrevistou 1.001 eleitores de São Paulo entre os dias 16 e 18 de novembro de 2020. O levantamento tem nível de confiança de 95%, com margem de erro de 3 pontos percentuais para mais ou para menos. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob a identificação SP-05645/2020.
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