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O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência, negou a intenção de retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil. A falsa acusação de apoio a um projeto de lei nesse sentido, supostamente de evangélicos ligados a Bolsonaro, está circulando em perfis nas redes sociais de simpatizantes do PT e foi citada pela jornalista Maria Cristina Fernandes, em programa da Globo News, na noite desta quinta-feira (24). A emissora, horas depois, admitiu o erro e pediu desculpas.
"Tem um movimento na Igreja Católica de reação a uma parcela de evangélicos que está mobilizando um projeto de lei para tirar a condição de Nossa Senhora Aparecida de Padroeira que pode sim surtir efeito entre os católicos a favor do Lula", afirmou a jornalista, ao comentar a última pesquisa da Datafolha de intenções de voto para presidente. No levantamento, Lula aparece com 40%, tecnicamente empatado com Flávio Bolsonaro, que tem 36%, no primeiro turno, considerada a margem de erro de dois pontos percentuais.
Flávio Bolsonaro reagiu horas depois, em um vídeo publicado nas redes sociais. "Estamos aqui na correia de agenda em Minas Gerais e e eu sou surpreendido com uma mentira, fake news, para variar, que a milícia do PT está inventando na internet que eu ia tirar a padroeira do Brasil. Isso é uma grande mentira, não tem pé nem cabeça, não existe esse projeto. Então, vamos lá, até o final o PT só sabe fazer isso: mentir. Chegou no poder pela mentira, mas a gente vai tirar ele pela verdade", afirmou.
Em 2022, petistas espalharam boato de que Bolsonaro acabaria com feriado de Aparecida
As mensagens que acusam Flávio Bolsonaro de querer retirar o título de Padroeira do Brasil de Nossa Senhora Aparecida reproduzem informações sobre um projeto de lei arquivado em agosto de 2008: o PL 2.623/2007, de autoria do então deputado federal Professor Victório Galli, filiado à época ao antigo PMDB. A proposta pretendia alterar a lei que instituiu o feriado de 12 de outubro, substituindo a expressão "padroeira do Brasil" por "padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos". Flávio Bolsonaro não tem relação com a proposta.
Essa não é a primeira vez que boatos tentam utilizar a proximidade da família Bolsonaro com os evangélicos para melindrar os eleitores católicos. Em 2022, uma publicação falsa que atribuía ao então presidente Jair Bolsonaro a intenção de acabar com o feriado de Nossa Senhora Aparecida foi bastante compartilhada nas redes sociais. "Já está em discussão a formação de um grupo de trabalho para elaborar um projeto de lei que deve também acabar com o feriado de Nossa Senhora Aparecida, a partir de 2023", dizia o texto.
Na época, a informação foi desmentida por Bolsonaro e também por Flávio Bolsonaro nas redes sociais. "Bolsonaro nunca acabaria com um feriado religioso. Nós somos os verdadeiros cristãos", declarou o senador.
Metodologia da pesquisa citada: O Datafolha entrevistou 2.002 pessoas do dia 22 a 23 de setembro de 2026. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. O levantamento foi contratado pela Folha de S.Paulo e pelo Grupo Globo de Comunicação e está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-00304/2026.






