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Apuração em andamento
O senador Flávio Bolsonaro (PL) liderou a votação no primeiro turno das eleições presidenciais de 2026, à frente do presidente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A votação em segundo turno entre os dois candidatos ocorre no dia 25 de outubro.
Com mais de 99,40% das urnas apuradas, Flávio teve 47,15% dos votos válidos, enquanto Lula somou 45,02%. Com esse resultado, a eleição está matematicamente definida para o segundo turno.
Atrás de Flávio e Lula, vieram Augusto Cury (Avante), com 2,90%, Renan Santos (Missão), com 2,25%, Ronaldo Caiado (PSD), com 2,19%, Romeu Zema (Novo), com 0,27%. Os demais candidatos somaram menos de 1% dos votos válidos.
O resultado da eleição para presidente deste domingo (4) deixa o candidato do PL com a possibilidade de ampliar a vantagem a partir dos votos que ficaram com as candidaturas que não avançaram ao segundo turno. Por outro lado, o petista terá de reagir para impedir que a dianteira do adversário se consolide.
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Ex-presidente Bolsonaro consolida liderança da direita com seu herdeiro político
A vantagem de Flávio representa um marco para o campo político do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), preso em regime domiciliar após ser condenado por tentativa de golpe de Estado. Sem o ex-presidente nas urnas neste ano, o candidato do PL conseguiu transformar o capital político da família Bolsonaro em uma candidatura competitiva nacionalmente e terminar a primeira etapa à frente do presidente petista, que busca o quarto mandato ao cargo.
O resultado desta primeira etapa, porém, não significa que o candidato da oposição tenha resolvido a principal equação da eleição: para vencer, precisará levar ao seu lado eleitores que escolheram candidaturas de direita, centro-direita e até uma terceira via no primeiro turno.
Além disso, Flávio Bolsonaro chega para a segunda etapa da disputa com uma rejeição praticamente no mesmo patamar da de Lula. Pesquisa Datafolha realizada entre 8 e 10 de setembro, cerca de três semanas antes da votação, mostrou que 46% dos eleitores diziam não votar de jeito nenhum no candidato do PL, enquanto outros 46% afirmavam o mesmo sobre o atual presidente.
Entre os demais candidatos, os índices eram bem menores: Renan Santos tinha 17%, Romeu Zema, 16%, Ronaldo Caiado, 14%, e Augusto Cury, 10%.
A expectativa dentro da campanha do PL é de que Flávio conquiste novos eleitores sem aumentar a rejeição. Lula enfrentará o mesmo problema pelo lado oposto: precisará recuperar votos e ampliar sua coalizão sem permitir que a avaliação negativa de seu governo seja convertida em voto no adversário.
A pesquisa Datafolha foi realizada presencialmente entre os dias 8 e 10 de setembro com 2.002 eleitores de 16 anos ou mais em 125 municípios. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O levantamento foi encomendado pela Folha de S.Paulo e pela TV Globo e está registrado no TSE sob o número BR-01833/2026.
Flávio transforma legado de Bolsonaro em vantagem eleitoral
A chegada de Flávio ao segundo turno mostra que o principal nome da direita no Brasil manteve capacidade de mobilização mesmo sem Jair Bolsonaro como candidato. O sobrenome continua funcionando como um dos principais ativos eleitorais da direita, especialmente entre os eleitores que fizeram da oposição ao PT.
O resultado também consolida uma mudança que vinha sendo testada durante a campanha: Flávio deixa de ser apenas o filho do ex-presidente e passa a ocupar o espaço de principal representante eleitoral desse campo político.
Agora, a expectativa é de que a eleição seja decidida pela capacidade de conquistar aqueles que não estavam dispostos a votar no candidato do PL na primeira etapa. Para isso, Flávio pretende fazer acenos para atrair apoios de outros candidatos da direita, como Zema e Caiado.
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Lula terá de reagir para evitar que vantagem de Flávio se consolide
Com Flávio em primeiro lugar no primeiro turno, o presidente Lula chega ao segundo turno em uma posição menos confortável do que a esperada por parte da campanha do PT. Agora, a expectativa é de que o presidente tente mobilizar sua base e, principalmente, amplie o eleitorado para além dos setores que tradicionalmente sustentam o PT.
A tarefa é especialmente complexa porque Flávio poderá explorar a rejeição à administração petista para atrair eleitores que votaram em candidaturas de centro, centro-direita ou na chamada terceira via. Lula, por sua vez, precisará reduzir a resistência nesses grupos sem perder o eleitorado que já está alinhado com sua candidatura.
O desafio de Lula é ainda mais complexo, tendo em vista o desempenho de parte dos seus aliados nos principais colégios eleitorais. Em São Paulo, por exemplo, o petista vai para o segundo turno sem uma palanque no maior colégio eleitoral do país.
O candidato do PT ao governo estadual, Fernando Haddad (PT) foi derrotado pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), reeleito já neste primeiro turno. Além do apoio de Freitas nessa segunda rodada da disputa, a campanha de Flávio conta ainda com o apoio do prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB).
STF e ausência nos debates marcaram uma campanha de forte confronto político
A campanha presidencial chegou ao fim do primeiro turno marcada por uma disputa que extrapolou a tradicional divisão entre governo e oposição. O Supremo Tribunal Federal (STF) ocupou espaço central no debate eleitoral, especialmente à medida que decisões e conflitos envolvendo ministros da Corte passaram a ser incorporados ao discurso de Flávio Bolsonaro e de seus aliados.
O embate sobre o Judiciário ganhou projeção a partir da divulgação de mensagens trocadas entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O caso passou a integrar uma investigação que também alcança Flávio Bolsonaro, relacionada a suspeitas sobre transações financeiras e o financiamento do filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro. Flávio e seu irmão Eduardo Bolsonaro negam irregularidades.
A disputa em torno do caso colocou Moraes e o ministro André Mendonça, até então relator das investigações sobre o Banco Master, em lados opostos de uma crise interna no STF. Mendonça tornou público um relatório da Polícia Federal que continha mensagens atribuídas a Moraes e Vorcaro, enquanto Moraes pediu a abertura de investigação contra Mendonça por suspeitas de abuso de autoridade e outras possíveis irregularidades. O presidente do Supremo, Edson Fachin, posteriormente determinou o fim do sigilo de parte dos autos.
O episódio foi incorporado à campanha de Flávio Bolsonaro. No ato de 7 de Setembro na Avenida Paulista, o candidato do PL transformou as críticas a Moraes em um dos principais temas de seu discurso, pediu a saída do ministro do Supremo e tentou associá-lo diretamente a Lula. “Quem vota em Lula está votando em Alexandre de Moraes”, afirmou Flávio.
A crise no Supremo, porém, não foi o único elemento a marcar a campanha. Lula e Flávio também adotaram uma estratégia de participação restrita nos debates do primeiro turno.
A campanha de Flávio decidiu que ele só participaria de confrontos que também tivessem Lula, evitando ficar exposto aos ataques dos demais candidatos da direita. O candidato do PL chegou a confirmar sua participação no debate da TV Globo, que estava previsto para a última quinta-feira (1º). O embate, no entanto, acabou cancelado momentos antes de ir ao ar após uma série de decisões do Judiciário que interferiram nas regras que haviam sido estabelecidas pela emissora.
O comando petista, por sua vez, indicou que Lula também priorizaria poucos debates, com previsão de participação no encontro da Globo. No entanto, o petista desistiu da sua participação e concedeu uma entrevista ao Flow Podcast no mesmo horário em que estava prevista a transmissão do debate da emissora fluminense.





