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Alianças regionais

Os governadores que devem apoiar Flávio mesmo sem aval de seus partidos

Flávio Bolsonaro Tarcísio de Freitas São paulo
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), é um dos principais aliados do senador Flávio Bolsonaro (PL). (Foto: Rodrigo Costa/Alesp)

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A decisão dos principais partidos do Centrão de permanecerem neutros na disputa presidencial não impedirá o senador Flávio Bolsonaro (PL) de contar com importantes palanques estaduais. Governadores filiados a legendas como PP e Republicanos já sinalizaram apoio ao pré-candidato, mesmo sem uma aliança nacional entre suas siglas e o PL, reforçando uma estratégia que privilegia acordos regionais sobre decisões das executivas partidárias.

O principal aliado é o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), considerado um dos nomes de maior peso eleitoral da direita no país. Também já declararam apoio à pré-candidatura de Flávio a governadora do Acre, Mailza Assis (PP); a governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP); e o governador de Mato Grosso, Otaviano Pivetta (Republicanos), crítico recorrente da gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

No Mato Grosso do Sul, o governador Eduardo Riedel (PP) também deve integrar a rede de aliados de Flávio. Após receber o senador no estado, em abril, o chefe do Executivo estadual havia indicado que estaria no mesmo palanque do pré-candidato à Presidência pelo PL.

No Espírito Santo, o cenário também passou a favorecer a campanha de Flávio. O agora ex-governador Renato Casagrande (PSB), que mantinha interlocução com o presidente Lula, deixou o cargo e foi sucedido por Ricardo Ferraço (MDB), crítico ao governo petista e alinhado à centro-direita.

Além da proximidade com o novo governador, o PL negocia uma aliança estadual com o Republicanos para as eleições de outubro, cujo pré-candidato ao governo, Lorenzo Pazolini, declarou apoio a Flávio Bolsonaro. "Nós temos o pré-candidato à Presidência da República bem estabelecido, bem fincado, o Flávio Bolsonaro. E nós temos trabalhado junto ao Republicanos por essa convergência da direita. Isso é fundamental", afirmou Pazolini.

A articulação com as lideranças estaduais ocorre paralelamente à decisão de partidos como PP, Republicanos, União Brasil e MDB de não formalizarem uma aliança nacional com o PL. Na avaliação da campanha de Flávio, porém, o apoio de governadores e lideranças regionais pode compensar a ausência de um acordo entre as executivas nacionais, sobretudo em estados onde essas lideranças concentram forte influência política e eleitoral.

Governadores que sinalizam apoio a Flávio Bolsonaro

  • São Paulo – Tarcísio de Freitas (Republicanos): principal aliado de Flávio nos estados e um dos principais cabos eleitorais da campanha.
  • Acre – Mailza Assis (PP): já declarou apoio à pré-candidatura de Flávio Bolsonaro.
  • Distrito Federal – Celina Leão (PP): já declarou apoio à pré-candidatura de Flávio Bolsonaro.
  • Mato Grosso – Otaviano Pivetta (Republicanos): apoia Flávio Bolsonaro e faz críticas públicas ao governo Lula.
  • Mato Grosso do Sul – Eduardo Riedel (PP): decidiu apoiar formalmente a candidatura de Flávio em um acordo com o PL estadual.
  • Espírito Santo – Ricardo Ferraço (MDB): assumiu o governo após a saída de Renato Casagrande (PSB), mantém posição crítica ao governo Lula e aproximação política com Flávio Bolsonaro.

Flávio aposta em governadores para ampliar a capilaridade da campanha

A expansão da rede de governadores aliados busca compensar a ausência de uma coligação nacional com partidos do Centrão. A avaliação da pré-campanha é que lideranças estaduais com forte influência política podem ampliar a presença de Flávio Bolsonaro em colégios eleitorais estratégicos, independentemente da posição oficial de suas legendas.

Para o analista político Arcênio Rodrigues da Silva, mestre em Direito com especialização em Direito Constitucional, a construção de palanques estaduais ganhou mais relevância do que o apoio formal das executivas nacionais. Segundo ele, um governador bem avaliado pode ser mais valioso para uma campanha presidencial do que a adesão oficial de um partido, porque é nos estados que se concentram as estruturas de mobilização eleitoral.

"É por isso que tanto Lula quanto Flávio Bolsonaro estão disputando palanques estaduais com tanto empenho: é ali, nos colégios eleitorais dos estados, que as eleições presidenciais brasileiras se decidem", explica.

Na avaliação de Mano Ferreira, analista de políticas públicas do Livres, esse movimento também reflete mudanças na dinâmica do sistema político brasileiro. Segundo ele, os palanques estaduais passaram a ter maior peso porque os futuros governadores dependem da relação com o governo federal para obter recursos, enquanto as direções nacionais dos partidos ganharam maior autonomia por meio do controle das emendas parlamentares.

Para Ferreira, em um cenário de disputa equilibrada, cada apoio regional tende a ganhar ainda mais importância. "Quanto maior o equilíbrio, maior a chance de que a eleição seja definida no detalhe", afirma.

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