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Plano de governo

Caiado promete conter gastos sem subir impostos e elevar investimentos a 25% do PIB

Plano de governo de Ronaldo Caiado inclui redução de benefícios fiscais, mas investimentos do Estado em áreas estratégicas
Plano de governo de Ronaldo Caiado inclui redução de benefícios fiscais, mas investimentos do Estado em áreas estratégicas (Foto: Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados)

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Candidato à presidência pelo PSD, o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado coloca o ajuste das contas públicas no centro de seu plano econômico. A proposta é conter o crescimento das despesas sem aumentar impostos e, com isso, abrir espaço para reduzir os juros e elevar os investimentos.

Para isso, Caiado propõe limitar o crescimento das despesas obrigatórias, revisar subsídios e benefícios tributários e combater privilégios. A ideia é recuperar a capacidade de investimento do Estado.

A proposta parte da premissa de que o Brasil não será capaz de sustentar um ciclo prolongado de crescimento enquanto a dívida pública continuar avançando e os juros reais permanecerem elevados. Por isso, Caiado trata o equilíbrio fiscal como condição para reduzir o custo do dinheiro e abrir espaço para investimentos públicos e privados.

Ao contrário de uma política de austeridade baseada em corte de gastos, entretanto, Caiado pretende proteger e até ampliar despesas consideradas produtivas. O documento diz que o gasto corrente agregado deverá crescer abaixo do PIB, enquanto investimentos em áreas com maior retorno econômico e social serão preservados.

"Orçamento da Verdade" faria raio-X das contas públicas

Uma das primeiras medidas propostas é a criação do chamado “Orçamento da Verdade”. Nos primeiros meses de governo, a equipe econômica faria um raio-X das contas públicas, incluindo despesas obrigatórias, subsídios, benefícios tributários, dívidas e riscos fiscais.

A partir desse diagnóstico, o governo adotaria uma estratégia fiscal de longo prazo para estabilizar a dívida em relação ao PIB, recuperar superávits primários e reduzir o custo dos juros.

A principal regra proposta é fazer com que as despesas obrigatórias cresçam menos que o PIB nominal. Novas despesas com pessoal e custeio também teriam de indicar de onde virão os recursos para financiá-las.

Na revisão de subsídios e benefícios tributários, cada incentivo teria prazo para acabar, objetivo definido, custo estimado e avaliação de resultados. Os considerados ineficazes poderiam ser reduzidos ou encerrados.

Plano rejeita aumento de impostos como saída fiscal

A proposta não se compromete com uma ampla redução de impostos. A prioridade é impedir que a solução para o desequilíbrio fiscal seja simplesmente elevar a arrecadação, como ocorre no atual governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

O plano considera a carga tributária brasileira elevada e defende que o ajuste venha do controle dos gastos e da melhora da qualidade da despesa.

O compromisso explícito é o de estabilizar a dívida e reconstruir superávits “sem recorrer a aumentos permanentes de carga tributária”.

Há, contudo, medidas tributárias pontuais. O plano de Caiado prevê, por exemplo, redução da carga sobre smartphones de entrada como instrumento de inclusão digital e um regime tributário estável para bens de capital e serviços destinados a data centers, condicionado a requisitos de energia renovável e eficiência.

Meta é elevar investimentos de 17% para 25% do PIB

O segundo pilar da estratégia do ex-governador goiano é aumentar o investimento. Seu plano estima que a taxa brasileira esteja atualmente em aproximadamente 17% do PIB e estabelece como objetivo fazê-la avançar progressivamente para a faixa de 25%.

Para isso, o candidato diz que pretende combinar investimento público, concessões, parcerias com o setor privado e o mercado de capitais e financiamento de longo prazo.

A proposta coloca o setor privado como principal motor do crescimento, enquanto o Estado ficaria responsável por coordenar prioridades, investir em infraestrutura e atuar onde os projetos não geram retorno suficiente para atrair empresas.

A proposta inclui a criação da chamada “Estratégia Brasil 2040”, um planejamento de longo prazo para definir metas de produtividade e investimento e alinhar orçamento, bancos públicos e agências reguladoras.

O plano também prevê uma carteira nacional de projetos para organizar obras e investimentos, priorizando empreendimentos já estruturados e obras paralisadas que tenham viabilidade econômica.

Bancos públicos teriam foco em projetos de longo prazo

Apesar de defender que a iniciativa privada seja o motor do crescimento, Caiado não propõe retirar o Estado completamente do financiamento da economia.

A ideia é direcionar os bancos públicos para projetos que não conseguiriam financiamento suficiente no mercado, mas que tenham retorno econômico ou social e sejam avaliados pelos resultados.

Para o agro, mais seguro rural e incentivo à produção de fertilizantes

No agronegócio, setor ao qual Caiado mantém forte ligação, essa lógica aparece de forma ainda mais clara. O presidenciável quer reduzir a dependência do crédito subsidiado e ampliar o uso de garantias, seguro rural e financiamento privado.

A proposta inclui um fundo para facilitar o acesso do produtor ao crédito e um Plano Safra de cinco anos, com o objetivo de dar mais previsibilidade ao setor. A ideia também é aumentar a participação de investidores privados no financiamento da produção agrícola.

Na infraestrutura para o setor, a proposta é organizar ferrovias, hidrovias, rodovias, portos e armazenagem em corredores logísticos estratégicos.

Outro ponto especialmente relevante para o agro é a tentativa de reduzir a dependência externa de fertilizantes. O programa prevê ampliar a produção doméstica de potássio e nitrogenados, além de estimular bioinsumos e a produção nacional de ingredientes ativos estratégicos para defensivos.

Reindustrialização sem proteção permanente

A política industrial é outro eixo importante do plano de governo de Caiado. Sua proposta prevê uma “reindustrialização a partir de eixos de oportunidade”, concentrada em setores como energia limpa, infraestrutura, computação, saúde, bioeconomia, minerais estratégicos, defesa, bens de capital e automação.

A diferença em relação às políticas industriais dos últimos governos petistas é que o plano afirma explicitamente que não haverá proteção permanente nem escolha arbitrária de empresas.

O Estado, porém, usaria seu poder de compra para criar mercados iniciais para tecnologias brasileiras. Encomendas tecnológicas, compras públicas e obras de infraestrutura seriam utilizadas para estimular fornecedores nacionais e aumentar o conteúdo tecnológico da produção.

A agenda inclui ainda incentivos à digitalização da indústria e ao uso de inteligência artificial, especialmente entre pequenas e médias empresas.

Caiado quer energia barata para atrair indústria

Na energia, o plano de Caiado é transformar a matriz relativamente limpa do Brasil em vantagem competitiva industrial.

O plano prevê revisar encargos e subsídios, ampliar redes de transmissão e reduzir o custo do gás, além de desenvolver diferentes fontes de energia. A transição energética seria pragmática, avaliando cada fonte por custo, segurança, emissões e contribuição para o sistema.

A Petrobras permaneceria relevante, mas com maior ênfase em governança, eficiência e investimento. O documento rejeita tanto o uso político da estatal quanto o controle artificial de preços.

Uma das ideias é usar a energia limpa brasileira para atrair indústrias, data centers e cadeias produtivas de baixo carbono, em vez de simplesmente exportar energia ou produtos primários.

Caiado quer processar minerais críticos no Brasil antes de exportá-los

A mesma lógica de seu plano para energia é aplicada à mineração. O plano afirma que o Brasil precisa deixar de ser apenas exportador de minério bruto e desenvolver cadeias domésticas de processamento, materiais avançados e tecnologia.

Minerais como lítio, terras raras, grafite e cobre são tratados como ativos estratégicos para a transição energética, indústria digital e defesa. Investidores estrangeiros continuariam sendo bem-vindos, mas o governo negociaria acesso aos recursos em troca de valor agregado, tecnologia, qualificação e fornecedores locais.

“A mineração será responsável, segura e integrada ao desenvolvimento regional, com licenciamento previsível, fiscalização forte, dados geológicos, recuperação de áreas e participação das comunidades”, diz trecho do documento.

Presidenciável quer exportar mais produtos de maior valor

A política comercial de Caiado também tem caráter liberal. O candidato defende ampliar acordos comerciais, reduzir barreiras para insumos e tecnologia, atrair investimento estrangeiro produtivo e inserir empresas brasileiras em cadeias globais de maior valor agregado.

O objetivo não é simplesmente aumentar o volume das exportações, mas modificar sua composição: mais produtos processados e tecnológicos e menos exportação de recursos naturais em estado bruto. “Não apenas exportar mais, mas exportar melhor”, diz o plano de Caiado.

A política externa seria orientada pela diversificação de parceiros e pela atração de capital, tecnologia e mercados, segundo seu plano de governo.

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