
Ouça este conteúdo
Flávio Bolsonaro (PL) tende a ser o maior beneficiado no segundo turno das eleições 2026 para presidente entre os eleitores que escolheram outros candidatos que não foram ele ou Lula (PT) no primeiro turno no último domingo (4). É o que aponta a pesquisa da Quaest divulgada na véspera da votação e que projetava o cenário de segundo turno.
Escritor Augusto Cury (Avante), Renan Santos (Missão) e Ronaldo Caiado (PSD) somaram, juntos, 7,31% dos votos válidos, o que seria mais do que suficiente para Flávio ou Lula vencer o embate direto no próximo dia 25 de outubro.
Repetindo-se a votação do primeiro turno, o candidato do PL precisaria de praticamente 3 pontos percentuais a mais. Já o petista teria de tirar uma diferença de 1,87 ponto percentual, o que torna a tarefa do incumbente mais complicada ao depender dos eleitores de Cury, Renan e Caiado.
O posicionamento político do trio, mais alinhado à direita, fornece uma pista de quem herdará os votos. E isso é comprovado pela pesquisa Quaest, que perguntou aos eleitores dos três em quem votariam em um eventual segundo turno entre Flávio e Lula.
O eleitor do candidato do Missão tende a transferir a maioria dos votos para Flávio. E quem vota nos outros dois também tem preferência pelo senador, mesmo que em menor medida, e com tendência significativa para anular, votar em branco ou simplesmente não votar. Lula tem um pouco mais de entrada entre eleitores de Cury, mas ainda assim abaixo do que é transferido para para Flávio.
Gráfico mostra quem deverá herdar os votos de Caiado, Renan e Cury
Transferência de votos dependerá de apoio do trio a Flávio e Lula
Os votos de Augusto Cury, Renan Santos e Ronaldo Caiado serão decisivos para Flávio Bolsonaro e Lula. E isso significa que dependerão dos movimentos de cada um deles junto aos seus eleitores para influenciar uma transferência de voto no segundo turno.
Cury disse que “não quer responder nada em relação ao segundo turno” e que “ninguém está autorizado em meu nome e nem em nome do Júlio [Delgado, candidato a vice] a pedir ou dizer que vai apoiar qualquer um dos candidatos”.
O representante do Missão foi mais duro, chamou Flávio e Lula de bandidos e declarou que não vota em bandido. “Façam o que quiserem, eu já avisei que não voto em bandido, não recomendo que ninguém vote em bandido”, falou.
Caiado evitou o assunto no último domingo, apesar de ser um crítico de Lula e do PT, e falou que qualquer apoio seria tratado inicialmente com o presidente do PSD, Gilberto Kassab, que liberou os filiados a apoiarem quem quisessem. Nesta terça-feira (6), o ex-governador de Goiás recebe Flávio para formalizar o apoio no segundo turno.
Metodologia da pesquisa citada
- Quaest 3/10/2026: 3.702 entrevistados pela Quaest de 02 a 03 de outubro de 2026. A pesquisa foi contratada pela Editora Globo e pela Globo Comunicação e Participações S.A. Nível de confiança: 95%. Margem de erro: 2 pontos percentuais. Registro no TSE sob o nº BR-02197/2026.








