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Eleição no Rio

Inelegibilidade de Castro tira do PL candidato a senador com voto contra ministros do STF

Julgamento no TSE tem dois votos para cassar diploma de Cláudio Castro.
Julgamento no TSE tem dois votos para cassar diploma de Cláudio Castro. (Foto: Rafael Campos/Governo do RJ)

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Possivelmente sem Cláudio Castro como candidato a senador, o PL perde um voto a favor do impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) na próxima legislatura. O ex-governador do Rio foi tornado inelegível até 2030 pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), na última terça-feira. Candidatos a senador alinhados com a direita, como Marcelo Crivella (Republicanos) e Felipe Curi, até agora têm evitado se comprometer em comprar briga com o Supremo.

Uma das principais estratégias eleitorais do PL é fazer maioria no Senado nas eleições deste ano para conter decisões abusivas do STF e restituir o equilíbrio entre os Três Poderes. Isso porque cabe ao Senado fiscalizar o Supremo e, se necessário, decidir sobre o impeachment de ministros.

Castro nega as irregularidades e já anunciou que vai recorrer da decisão ao próprio TSE, ao qual pode impetrar embargos de declaração, e depois ao STF. Ele pretende concorrer, ainda que com a candidatura sub judice - nessa situação, o candidato pode fazer campanha e receber votos, mas corre o risco de não assumir o cargo caso a condenação seja confirmada.

Mas o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, disse que o partido não vai correr riscos e que Castro só será candidato se a decisão do TSE for revertida. Depois da declaração, o partido divulgou comunicados de apoio ao ex-governador.

Sem Castro na disputa, o PL e a base de apoio de Flávio Bolsonaro correm o risco de perder as duas vagas do Rio em disputa na eleição deste ano no Senado. O outro candidato a senador de Flávio é Márcio Canella (União Brasil), atual prefeito de Belford Roxo, município da Baixada Fluminense.

Na pesquisa eleitoral divulgada pelo Instituto Real Time Big Data no último dia 11, Canella somou no mínimo 5% e no máximo 9% das intenções de voto, conforme o cenário. Já Cláudio Castro registrou entre 11% e 36% das intenções, dependendo do cenário. No melhor cenário de ambos, Canella tem um quarto das intenções de votos atribuídas a Castro. Entre os dois ainda estão Marcelo Crivella (Republicanos) e Benedita da Silva (PT).

O instituto Real Time Big Data ouviu 2.000 eleitores nos dias 9 e 10 de março e divulgou a pesquisa na quarta-feira, 11. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos. O índice de confiança da pesquisa é de 95%. O levantamento está registrado no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sob o número BR-04367/2026.

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Para substituir Castro, o nome mais aventado é o do delegado Felipe Curi, que era secretário estadual de Polícia Civil e ganhou popularidade após a operação policial do Rio de Janeiro que matou 122 suspeitos de integrar o Comando Vermelho nos conjuntos de favelas do Alemão e da Penha, na zona norte da cidade, em outubro passado.

Curi, que ainda não é filiado a nenhum partido, também chegou a ser cogitado para disputar o governo do Estado pela direita, mas acabou preterido por Douglas Ruas (PL), que será o candidato a governador.

Por enquanto, Curi planejava se filiar ao PP - justamente para ter mais liberdade e não se comprometer a votar contra os ministros do Supremo - e disputar uma vaga na Câmara dos Deputados. Mas agora cogita ir para o PL e disputar o Senado. Ele ainda não foi testado em pesquisas eleitorais divulgadas para esse cargo.

Por enquanto, sem Castro nem Curi, aumentam as chances de as duas vagas do Rio serem ocupadas por Marcelo Crivella (Republicanos), que é aliado da família Bolsonaro, mas concorreria sem o apoio oficial dela e nunca se comprometeu em apoiar eventual impeachment de ministros do STF, e a governista Benedita da Silva (PT), cujo candidato a governador será o ex-prefeito do Rio Eduardo Paes (PSD).

Na mesma pesquisa do Instituto Real Time Big Data, Crivella registrou 15% das intenções de voto em todos os cenários testados, e Benedita variou de 9% a 16%.

"Enquanto Castro é aliado incondicional de Bolsonaro, Crivella é anterior a esse movimento, tem uma base eleitoral própria e poderia jogar com maior autonomia em relação ao PL", diz Mayra Goulart, professora de Ciência Política da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e coordenadora do Laboratório de Partidos, Eleição e Política Comparada.

"Curi é um policial, ainda não tem base eleitoral nem (base) com as elites políticas. É alguém a se construir, não sabemos como será uma vez construído", continua. Segundo ela, ainda é preciso saber como esses dois nomes vão reagir à estratégia do PL de se opor a alguns ministros do STF, que hoje são as autoridades mais poderosas da República. "Crivella e Curi ainda não deram demonstrações inequívocas", completa.

Na atual legislatura no Senado, todos os três representantes do Estado do Rio de Janeiro, berço político da família Bolsonaro, são do PL: Bruno Bonetti, que é suplente de Romário e exerce o cargo desde que o ex-atleta (do mesmo partido) se licenciou, em dezembro de 2025; Flávio Bolsonaro, que deve disputar a Presidência da República, e Carlos Portinho.

Estarão em disputa em outubro dois terços (54) das 81 vagas do Senado. As vagas de Flávio e Portinho vão ser preenchidas, enquanto a de Bonetti (ou Romário, quando reassumir) está garantida até o início de 2031, já que os mandatos são de oito anos e este começou em 2023.

Castro foi condenado por abuso de poder político em julgamento tenso

Na última eleição que disputou, em 2022, Castro reelegeu-se governador do Rio no primeiro turno, com quase 60% dos votos válidos. Se pudesse se candidatar e a atual pesquisa se confirmasse, ele teria vaga garantida em Brasília a partir do ano que vem.

O TSE é composto por sete ministros, dos quais três também são ministros do STF: na composição atual, Cármen Lúcia, que preside o TSE, Kassio Nunes Marques e André Mendonça.

O julgamento pelo TSE do processo em que Castro era acusado de abuso de poder político e econômico e captação ilícita de recursos na eleição de 2022 começou em 5 de novembro de 2025, quando a ministra relatora, Isabel Gallotti, deu seu voto, o primeiro pela cassação e inelegibilidade do então governador.

Em seguida, o ministro Antonio Carlos Ferreira pediu vista, interrompendo o julgamento, que só recomeçou em 10 de março - 124 dias depois. Por conta do recesso do Poder Judiciário, foi mais do que o dobro do prazo que a lei concede para pedidos de vista, que é de 60 dias.

Quando o julgamento foi retomado, em 10 de março, o ministro Ferreira deu o segundo voto pela cassação e inelegibilidade de Castro, mas em seguida Nunes Marques pediu vista. A regra permite que ele analise o processo por dois meses, mas a ministra Cármem Lúcia combinou que seriam só 14 dias, aproximadamente um quarto do prazo habitual. Embora oficialmente não tenha havido manifestações, o ministro reclamou da postura da colega, segundo noticiou o site PlatôBR.

Retomado o julgamento, Nunes Marques, indicado ao STF por Bolsonaro, votou contra a condenação de Castro. O julgamento seguiu e terminou com cinco votos contrários ao já ex-governador (Castro renunciou ao cargo um dia antes da votação) e dois a favor de sua absolvição - o segundo de autoria de André Mendonça, outro ministro indicado ao STF por Bolsonaro.

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