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União-Progressista

Federação condiciona apoio a Amin e ameaça seguir sem o governador do PL em SC 

senador espiridião Amin quer concorrer novamente ao senado por SC e aguarda posição de Jorginho Mello
Federção União Brasil-PP condiciona apoio ao projeto de reeleição do senador Espiridião Amin (PP) para coligar com o governador Jorginho Mello (PL). (Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado)

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A federação União Progressista — entre PP e União Brasil — colocou novas condicionantes na disputa eleitoral de Santa Catarina e passou a pressionar diretamente o governador Jorginho Mello (PL). As siglas condicionam a aliança no estado ao apoio explícito para o projeto de reeleição do senador Esperidião Amin (PP). Os partidos admitem caminhar com o pré-candidato ao governo estadual e prefeito de Chapecó, João Rodrigues (PSD), caso Mello mantenha a estratégia de lançar dois nomes ao Senado.

A movimentação ocorre após Jorginho Mello optar por apoiar as candidaturas do vereador Carlos Bolsonaro (PL) e da deputada federal Caroline de Toni (PL) ao Senado, decisão que teria rompido um acordo informal com Amin, aliado histórico do governador catarinense e nome esperado no palanque governista estadual.

De Toni, no entanto, anunciou que deve deixar o PL para disputar o Senado por outra legenda. Segundo apuração da Gazeta do Povo, a decisão foi comunicada ao presidente nacional do partido, Valdemar Costa Neto, após a direção da sigla tentar convencê-la a concorrer à reeleição na Câmara Federal ou a integrar a chapa de Jorginho Mello como vice-governadora.

A estratégia tinha como objetivo abrir espaço para Carlos Bolsonaro, que transferiu o domicílio eleitoral para Santa Catarina no fim de 2025, após renunciar ao mandato de vereador no Rio de Janeiro. Com duas vagas em disputa ao Senado em 2026 por cada estado da federação, o risco de isolar Esperidião Amin na corrida levou PP e União Brasil a reagirem e a ameaçarem se afastar do governador Jorginho Mello.

Este, por sua vez, foi questionado pela Gazeta do Povo sobre a saída de Caroline de Toni e negou que o movimento da parlamentar vá se concretizar.

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Nos bastidores, a leitura da federação é de que não há espaço para três candidatos ao Senado em uma chapa com apenas duas vagas, o que inviabilizaria a permanência do PP e do União Brasil ao lado do governador catarinense. “Onde não há lugar para o Esperidião, não há lugar para a federação”, afirmou à Gazeta do Povo o deputado federal Fábio Schiochet (União Brasil), presidente estadual da sigla e coordenador da federação em Santa Catarina.

Nós não vamos aceitar uma disputa com três candidatos para duas vagas. O governador precisa tomar uma decisão logo”, completou. Schiochet argumenta que a federação não busca espaço por conveniência, mas por coerência política.

“A federação é o maior partido do Brasil. Não estamos pedindo 'pelo amor de Deus' para estar na chapa dele. O Esperidião gostaria de concorrer com o governador, mas ele precisa resolver primeiro os assuntos locais para depois tratar conosco. Nosso prazo termina no carnaval”, afirmou.

A Gazeta do Povo procurou o governador Jorginho Mello, por meio de sua assessoria de imprensa, mas não teve retorno até a publicação desta reportagem. O espaço segue aberto para manifestação dele sobre o tema.

PSD, PP e União Brasil aceleram conversas em SC

As conversas entre PSD, PP e União Brasil avançaram nas últimas semanas. No dia 27 de janeiro, representantes das três siglas se reuniram para discutir uma eventual aliança eleitoral. Ficou definido que uma nova rodada de negociações ocorrerá nesta semana que antecede o carnaval, prazo considerado decisivo para o anúncio oficial do posicionamento da federação no estado.

Schiochet reforçou que a indefinição prejudica não apenas a disputa majoritária como a organização das chapas proporcionais. “Eu quero tirar da frente a majoritária para focar na proporcional. Temos um deputado federal, que sou eu, e a meta é fazer de dois a três. Na Assembleia [Legislativa], temos sete deputados e queremos chegar a oito”, disse.

O deputado também negou a existência de acordo nacional envolvendo troca de apoios entre estados. “Não existe troca de estados ou compensações. A única decisão é se o PL quer estar com a gente ou não”, respondeu.

Caso Jorginho Mello mantenha apoio às candidaturas de Carol de Toni e Carlos Bolsonaro ao Senado, a federação admite seguir outro caminho. “Se não tiver o apoio declarado ao Amin, o nosso caminho será a coligação com o prefeito João Rodrigues”, disse Schiochet. Segundo ele, as conversas com o PSD estão em estágio avançado e são facilitadas pelo histórico de alianças entre os partidos em eleições anteriores.

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Na avaliação do analista político e pesquisador em Educação e Cultura Política da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc) Daniel Pinheiro, a intensificação da disputa em Santa Catarina era esperada desde o fim de 2025 e resulta de movimentos feitos de forma que ele considera como "abrupta" pelo governador Jorginho Mello. De acordo com ele, a tentativa inicial de manter o nome da deputada Carol de Toni no campo governista buscava preservar o acordo informal que previa uma chapa com ela e o senador Esperidião Amin.

“O movimento inicial era justamente para que ela não saísse e tivesse Carol de Toni e Amin, o que estava teoricamente acordado”, afirma. Na leitura do pesquisador, três candidaturas para duas vagas ao Senado tendem a enfraquecer o bloco governista.

Além disso, poderia abrir espaço para o surgimento de um nome competitivo fora desse espectro. Ele avalia ainda que o peso da federação entre PP e União Brasil foi subestimado e pode impactar diretamente o projeto de busca pela reeleição de Jorginho, fortalecendo uma alternativa liderada por João Rodrigues com o PSD.

O analista também aponta que o PSD atua de forma estratégica no cenário nacional e estadual, enquanto o PL corre o risco de perder espaço se não adotar a mesma lógica. “O PSD vem ganhando espaço exatamente por esse jogo estratégico. Se o PL não for estratégico da mesma forma, isso vira um problema”, considera.

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João Rodrigues sinaliza com espaço a Amin e avança na construção de alianças em SC

Pré-candidato ao governo do estado pelo PSD, o prefeito de Chapecó, João Rodrigues, confirmou à Gazeta do Povo que o partido está aberto à construção de uma ampla aliança e disse que garante espaço para Esperidião Amin na chapa. “O Amin teria vaga conosco para concorrer ao Senado, com certeza absoluta”, afirmou.

De acordo com Rodrigues, o alinhamento com PP e União Brasil é antigo e natural. “Nós somos aliados políticos há muitos anos. É um bom alinhamento”. Rodrigues confirmou ainda que conversou diretamente com Amin e que aguarda uma definição do senador. “Conversei várias vezes com ele. Eles devem definir o cenário ainda em Brasília, e nós estamos aguardando esses movimentos.”

Além da federação, o PSD mantém diálogo com o MDB, que recentemente rompeu com o governo Jorginho Mello, após a apresentação do prefeito de Joinville, Adriano Silva (Novo), como vice na chapa de Mello. Segundo Rodrigues, as conversas estão avançadas, embora ainda não haja definição sobre coligação.

“O MDB é um grande partido, tem história, tem cerca de 700 vereadores. Precisamos respeitar essa trajetória”, afirmou. João Rodrigues disse que o objetivo do PSD também é ter o cenário político mais claro até o carnaval.

“A previsão é que eu renuncie ao mandato no final de março. Queremos começar a percorrer Santa Catarina com os partidos que vão caminhar conosco”, antecipou.

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