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Favorito na corrida eleitoral para comandar o estado de São Paulo pelo segundo mandato consecutivo, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) atravessa uma verdadeira “cama de gato”. O governador está “espremido” entre seus principais aliados — que, por sua vez, aparecem como adversários entre si nas eleições deste ano, principalmente no plano nacional.
Para disputar a reeleição, Tarcísio montou uma complexa teia de alianças com partidos de centro-direita que não vivem exatamente em harmonia para a corrida eleitoral deste ano. A situação tem rendido algumas saias justas.
A mais recente aconteceu na semana passada com a proximidade e realização de convenções partidárias. O presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, publicou o convite para a convenção nacional da legenda — realizada em São Paulo, no último domingo (26) — com uma imagem que colocava fotos do governador paulista e do ex-governador goiano e pré-candidato do PSD à Presidência da República, Ronaldo Caiado, lado a lado — dando a entender um apoio mútuo entre os dois para as eleições 2026.
Tarcísio não gostou da vinculação. Tarcísio é apoiador, desde a primeira hora, do pré-candidato presidencial do PL, o senador Flávio Bolsonaro. O apoio à candidatura do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, aliás, ampliou o afastamento entre Tarcísio e Kassab, que deixou a Secretaria de Relações Institucionais do governo paulista em março deste ano.
Após aparecer como garoto-propaganda involuntário do evento no convite de Kassab, Tarcísio faltou à convenção do PSD no último fim de semana, onde a presença dele era esperada. No sábado (25), ele participou da convenção do PL, que oficializou a campanha de Flávio.
E no domingo (26), dia da convenção do PSD na capital, o governador voou para longe, até Ribeirão Preto, no interior do estado, para ver os estragos provocados pelas fortes chuvas na cidade e anunciar medidas de ajuda para a região.
Flávio teria cobrado apoio público mais claro de Tarcísio
A reportagem da Gazeta do Povo apurou junto a apoiadores da candidatura de Flávio pelo PL em São Paulo que o senador também não gostou da associação da imagem de Tarcísio com Caiado e exigiu um gesto de apoio mais robusto. Além disso, o governador de São Paulo sabia que Caiado subiria o tom contra Flávio no evento — o que de fato fez, com diversas críticas em seu discurso oficial —, o que aumentaria o constrangimento para o candidato à reeleição estadual caso ele comparecesse.
Apesar da falta no evento do PSD, onde, mesmo após o ruído do convite de Kassab, era esperado até o último momento, Tarcísio recebeu o apoio oficial do partido. O PSD reúne entre 207 e 212 prefeitos entre os 645 municípios paulistas e, após uma onda de filiações, passou a deter a maior bancada da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp).
O apoio da sigla é considerado vital pela campanha de Tarcísio para evitar surpresas nesta eleição. No domingo, o partido homologou 71 candidaturas para a Câmara dos Deputados e 95 para candidatos a deputado estadual, totalizando 166 candidatos em São Paulo. Para não entrar em conflito com aliados na chapa governista de Tarcísio, o partido decidiu não lançar nenhum nome ao Senado.
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Republicanos está aliado a PL e Progressistas em São Paulo
No plano estadual, a aliança do Republicanos com o PL, assim como com o Progressistas, está selada. Os pré-candidatos ao Senado na chapa de Tarcísio são o deputado estadual André do Prado (PL) e o deputado federal e ex-secretário da Segurança Pública na gestão estadual, Guilherme Derrite (Progressistas).
Além de PSD, PL e Progressistas, o palanque que busca a reeleição do candidato do Republicanos já contava também com União, Podemos, a federação Solidariedade-PRD e o MDB, partido do vice atual na chapa, Felício Ramuth, confirmados oficialmente.
Na última semana, o governador fechou os apoios que faltavam para a coligação. Ele selou o apoio do Podemos com a presidente do partido, a deputada federal Renata Abreu. No mesmo dia, recebeu o presidente do Avante, Luis Tibé, que publicou um vídeo declarando apoio, e o presidente da federação PSDB-Cidadania, o deputado federal Alex Manente (Cidadania).
O governador paulista foi um dos principais destaques na convenção do PL, que oficializou o nome de Flávio, ao lado do presidente argentino Javier Milei. "A gente precisa de um presidente firme. E o Flávio acompanhou o seu pai, Jair, em todos os momentos. Esteve junto, viu as dificuldades do Poder Executivo, viveu as dificuldades de Brasília. Tem experiência nos vários mandatos de deputado. Tem experiência num mandato de senador. Mas tem experiência principalmente pra acompanhar, por estar ombro a ombro com seu pai, dia e noite", discursou Tarcísio no evento.
Republicanos deixa incerteza no ar para embarcar na campanha de Flávio
No plano federal, porém, a exemplo de outros partidos do Centrão, o Republicanos hesita em embarcar na campanha presidencial de Flávio. O MDB, por exemplo, declarou independência no plano nacional e liberou suas lideranças regionais para firmarem suas próprias alianças e apoios — inclusive com o presidente Lula (PT).
Tarcísio trabalha pelo apoio oficial do Republicanos ao filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, mas até o início desta semana não havia obtido sucesso. Um dos principais empecilhos para a aliança está no Mato Grosso. O governador do estado, Otaviano Piveta (Republicanos), é candidato à reeleição e quer o apoio do PL para a campanha.
O PL, por sua vez, lançou o senador Wellington Fagundes, identificado como apoiador fiel de Bolsonaro, como seu candidato ao governo estadual. Outro entrave é que lideranças do partido pregam independência, a fim de garantir espaço em um governo petista, caso Lula se reeleja.
Pesquisa de intenção de voto do instituto Datafolha divulgada neste mês mostra Tarcísio isolado na frente na preferência dos eleitores paulistas. No cenário testado, com cinco nomes, Tarcísio lidera com 46% das intenções de voto.
Ele é seguido por Haddad, com 30% das intenções de voto; Vera Lúcia (PSTU), com 5%; Vivian Mendes (UP), com 4%; e Carlos Machado (PCB), com 4%. Brancos ou nulos são 8% e indecisos, 3%. Esta é a primeira vez que esse cenário é pesquisado pelo Datafolha.
Tarcísio mantém a vantagem sobre Fernando Haddad em um possível segundo turno das eleições em São Paulo. A diferença de resultado conforme a sondagem eleitoral oscilou de 15 pontos percentuais, em março, para 16 pontos. Nesse cenário, Tarcísio derrota Fernando Haddad por 53% a 37% (era por 52% a 37%), brancos ou nulos são 8% (eram 10%) e indecisos, 2% (era 1%).
O levantamento mais recente do Datafolha ao governo de São Paulo foi realizado entre os dias 1º a 3 de julho de 2026, com 1.608 entrevistas presenciais em 71 municípios, com eleitores de 16 anos ou mais de todas as regiões do estado de São Paulo. A margem de erro da pesquisa é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos, considerando um nível de confiança de 95%. A pesquisa está registrada no TSE: SP-01703/2026 e BR-06481/2026.








