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Reta Final

Sem Tereza Cristina, quais são as alternativas de Flávio Bolsonaro para a vice

Flávio Bolsonaro vice Tereza Cristina
Flávio Bolsonaro busca vice após PP vetar indicação de Tereza Cristina (Foto: Roque de Sá/Agência Senado)

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A decisão do PP de manter a neutralidade na disputa presidencial obrigou a campanha de Flávio Bolsonaro (PL) a redesenhar a estratégia para definir o candidato a vice antes do prazo final das convenções partidárias, na próxima quarta-feira (5). Depois de ver frustrada a tentativa de atrair a senadora Tereza Cristina (PP-MS), considerada o nome preferido para compor a chapa, a cúpula do PL ainda investe nas negociações com o Republicanos.

Ao mesmo tempo, caso a estratégia junto ao Republicanos também não seja bem-sucedida, dirigentes do PL passaram a trabalhar com mais intensidade a possibilidade de lançar uma chapa única, formada exclusivamente por filiados do próprio partido.

A ex-ministra da Agricultura era vista pela cúpula do PL como a opção capaz de ampliar a candidatura de Flávio Bolsonaro para além da base tradicional da direita. Além da interlocução com o agronegócio e do prestígio no Centrão, a senadora também era apontada como um nome com potencial para reduzir a resistência entre o eleitorado feminino. 

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lidera nesse segmento, segundo pesquisa Datafolha deste mês de julho. No cenário de segundo turno testado pelo instituto, o petista aparece com 50% das intenções de voto entre as eleitoras, ante 40% do senador Flávio.

Entre os homens, o cenário é equilibrado, com 46% para o senador do PL e 45% para o presidente petista. No levantamento geral, Lula aparece com 48%, ante 43% de Flávio.

"Tereza Cristina é um quadro excepcional. Foi ministra do presidente Bolsonaro, uma referência em várias áreas, em especial no agro, respeitadíssima dentro da política, dentro do país e fora do país", afirmou Flávio nesta sexta-feira (31).

Além do prestígio da senadora, a avaliação dentro do PL era de que uma eventual composição poderia produzir um efeito político mais amplo do que a simples definição da vice. A aliança abriria caminho para uma reavaliação da neutralidade adotada pela Federação União Progressista, formada por PP e União Brasil, fortalecendo os palanques estaduais de Flávio e ampliando sua estrutura de campanha na reta final da eleição.

A negociação, contudo, esbarrou na resistência da direção nacional do Progressistas. Embora Tereza Cristina tenha sinalizado a Flávio Bolsonaro que aceitava discutir a composição da chapa, a consulta realizada pelo presidente do partido, senador Ciro Nogueira (PI), aos diretórios estaduais manteve a posição majoritária pela neutralidade.

"O PP fez consulta aos seus diretórios estaduais e, por maioria, decidiu permanecer na neutralidade no processo eleitoral, reiterando a posição de não convocar Convenção Nacional", informou o partido.

Com isso, a campanha presidencial do PL passou a concentrar esforços nas conversas com o Republicanos, sem descartar uma chapa pura, caso não consiga ampliar a coligação até o encerramento do prazo legal para as convenções.

"Até o dia 5, tudo pode acontecer. Independentemente de qualquer coisa, quero deixar o meu agradecimento também ao Progressistas. As conversas continuam em vários estados do Brasil. Nós vamos estar juntos em diversos palanques, como aqui em São Paulo", disse Flávio Bolsonaro.

A pesquisa Datafolha entrevistou 2.004 eleitores entre os dias 22 e 24 de julho de 2026 e tem margem de erro de dois pontos percentuais no resultado geral. Nos recortes por gênero, a variação é de três pontos para mais ou para menos. O levantamento foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-01166/2026.

Republicanos é a última aposta fora do PL para vice de Flávio

Com a decisão do PP de manter a neutralidade, o Republicanos passou a ser a última alternativa do PL para ampliar a coligação presidencial antes do fim do prazo das convenções. Além do apoio formal da legenda, a campanha de Flávio Bolsonaro também negocia a indicação de Daniella Marques, ex-presidente da Caixa Econômica Federal, para ocupar a vaga de vice na chapa.

A estratégia da campanha do PL é repetir nacionalmente o modelo construído em São Paulo, onde Flávio conta com o apoio do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), um dos principais cabos eleitorais da direita no país. Ao comentar as negociações nesta sexta-feira, o senador do PL indicou que a executiva do Republicanos continua entre as prioridades da campanha.

"Está aqui do meu lado a Dani, que é dos Republicanos. O importante é que a gente está compondo um grande time para resgatar o Brasil, com pessoas competentes, referências em suas áreas. Todos engajados em não deixar o Brasil ir para o buraco", afirmou, durante agenda em São Paulo.

As conversas, no entanto, seguem condicionadas a um acordo nos estados. O presidente nacional do Republicanos, deputado Marcos Pereira (SP), tem defendido que o PL apoie candidatos da legenda a governos considerados estratégicos, como Mato Grosso e Roraima, antes de qualquer decisão sobre a disputa presidencial.

"O PL não tem cedido os apoiamentos aos governadores que temos pedido. Em São Paulo, o Tarcísio hoje ajuda mais o Flávio do que o Flávio ao Tarcísio. Em Minas, precisa mais do Cleitinho do que o Cleitinho dele. Agora, tem outros estados em que, se a gente fizesse uma aliança, como Mato Grosso e Roraima, a gente decidiria a eleição no primeiro turno", afirmou Pereira em entrevista ao jornal Z Norte, de Sorocaba, no interior de São Paulo.

A convenção nacional do Republicanos está marcada para a próxima segunda-feira (4), véspera do prazo de encerramento para a formalização das coligações. Até lá, dirigentes do PL ainda tentam destravar um entendimento, embora interlocutores das duas legendas reconheçam que a tendência da sigla de Marcos Pereira continua sendo a manutenção da neutralidade na disputa presidencial.

Chapa própria ganha força com prazo final das convenções

Caso também não consiga fechar um acordo com o Republicanos, dirigentes do PL passaram a cogitar o lançamento de uma chapa formada somente por filiados da legenda. A avaliação é de que, a poucos dias do encerramento das convenções partidárias, o tempo disponível para ampliar a coligação diminuiu, e a prioridade passou a ser garantir uma composição competitiva até o prazo legal.

Nesse cenário, a cúpula do PL trabalha com os nomes das deputadas federais Júlia Zanatta (SC) e Bia Kicis (DF), além da vereadora Priscila Costa (CE). Embora nenhuma delas tenha sido oficialmente convidada, integrantes da campanha afirmam que todas reúnem características consideradas estratégicas para a disputa, como identificação com o eleitorado conservador e potencial para fortalecer a presença feminina na chapa.

Priscila Costa, por exemplo, aparece como um dos nomes bem-avaliados por reunir atributos considerados relevantes para a campanha. Além de ser nordestina e evangélica, a vereadora mantém proximidade com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.

Além de presidir o PL Mulher no Ceará, Priscila é defendida por uma ala do PL que acredita que a indicação seria um gesto de aproximação com o grupo político da ex-primeira-dama após os desgastes provocados pelas divergências com Flávio. Já Júlia Zanatta e Bia Kicis representam o segmento mais identificado com o bolsonarismo dentro do partido.

Ao comentar a possibilidade de uma chapa exclusivamente formada por filiados do PL, o cientista político Elias Tavares avalia que a escolha de um nome da própria legenda tende a reforçar a identidade ideológica da campanha, mas reduz a capacidade de ampliar alianças.

"Historicamente, a escolha do vice também serve para ampliar alianças, agregar lideranças regionais e construir uma coalizão mais ampla. Um nome de outro partido tende a expandir o alcance político da chapa, enquanto um vice do próprio PL reforça a identidade partidária, mas agrega menos em termos de articulação eleitoral", afirma.

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