Investimento em infraestrutura atinge “fundo do poço”
Fórum realizado em Curitiba debateu alternativas para que o país volte a aplicar em obras de logística
Por Breno Baldrati, especial para o GPBC
22/11/2016 às 21:16
Os investimentos em infraestrutura no Brasil devem fechar 2016 em 1,7% do PIB, o menor valor desde 2001, de acordo com dados divulgados no Fórum Plano Emergencial para o Futuro da Infraestrutura no Brasil, realizado nesta terça-feira (22), no Hotel Radisson, em Curitiba. A média dos últimos 16 anos foi de 2,1%, mas nunca o número alcançou nível tão baixo quanto as projeções para este ano. A pesquisa foi realizada pela consultoria InterB, especializada em infraestrutura, e divulgada pelo economista Raul Velloso, um dos palestrantes do evento.
Para Velloso, a tendência é que o número caia ainda mais no ano que vem, devido ao cenário de crise fiscal do governo federal e de endividamento dos estados. “A tendência é que esse número chegue a zero. O que precisamos fazer é investir nas parcerias público-privadas, e dar condições para que os investidores privados façam as obras para que o país volte a crescer”, afirmou ele.
Com a PEC do Teto [projeto que restringe o gasto público] e uma possível Reforma da Previdência, o consenso entre os participantes do Fórum é que a capacidade do Estado de investir nas obras de logística para garantir a melhora da produtividade do país se esgotou.
Rodovias
A Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar) e a Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep) apresentaram dados de um estudo inédito, a ser publicado na semana que vem. A pesquisa, chamada Plano Estadual de Logística e Transportes do Paraná (PELT-2035), prevê a concessão de seis rodovias estaduais, como os trechos Maringá-Guaíra, Francisco Beltrão-General Carneiro e Jaguariaíva-Jacarezinho. Segundo eles, o governo já poderia começar a licitar esses trechos no ano que vem.
Porto
A melhora da eficiência do Porto de Paranaguá também foi bastante elogiada pelos participantes. “Tínhamos um problema muito sério com o Porto, mas nos últimos anos o cenário mudou”, afirmou Nilson Camargo, do departamento técnico da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep).
“Assim como estamos discutindo agora, no Porto de Paranaguá o resultado veio porque fizemos um plano emergencial, primeiro com uma readequação dos recursos públicos que ainda tínhamos, e depois abrindo um grande portfólio de investimentos para a iniciativa privada”, explica Luiz Henrique Dividino, diretor-presidente dos portos de Paranaguá e Antonina.
Ferrovias
Nelson Costa, superintendente da Organização das Coperativas do Paraná (Ocepar), defendeu que agora é hora de melhorar as ferrovias do estado. “A prioridade é resolver o gargalo de Guarapuava, onde fica o ponto que interliga a ferrovia da Ferroeste e da Rumo. A Rumo também está prevendo melhoras na descida da Serra do Mar, um ponto problemático da estrada de ferro que liga Curitiba a Paranaguá. Foram fabricadas locomotivas feitas especialmente para lidar com a manobra da curva da Ponte do São João. Isso deve aumentar a capacidade das locomotivas em 10 a 11 milhões de toneladas”, afirmou.
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Cesar Borges, presidente da Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias (ABCR), entidade que representa 59 concessionárias no país, lembrou que o Brasil é 111º colocado no ranking de infraestrutura de estradas do Fórum Econômico Mundial, atrás de países como Chile e Argentina. Ele defendeu menos burocracia nos processos de concessões para aumentar os investimentos em obras no país.
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O economista Raul Velloso, especialista em infraestrutura, defendeu que medidas para o corte de gastos públicos como a PEC do Teto e a Reforma da Previdência, caso aprovadas, vão zerar os investimentos públicos em infraestrutura nos próximos anos. Ele acredita que a revisão dos contratos atuais é a solução mais rápida para retomar os investimentos, que teria grande importante na retomada da economia.
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O secretário de Logística e Infraestrutura, José Richa Filho, defendeu mais autonomia dos estados perante o governo federal. Ele também comentou o “estado lastimável” da situação financeira do Rio Grande do Sul e do Rio de Janeiro, e disse que os ajustes fiscais realizados no Paraná vão impedir que o estado segue na mesma direção.
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Nelson Costa, da Ocepar, pediu uma maior integração entre as duas empresas que operam as ferrovias do estado: a Ferroeste, sob gestão pública, que opera no trecho Cascavel-Guarapuava, e a Rumo, que possui a concessão da linha Guarapuava-Paranaguá. Segundo ele, Guarapuava se tornou um gargalo pela falta de agilidade na integração das duas empresas.
