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Aos 60 anos, ABRH-PR aponta tecnologia e cuidado com as pessoas como bases do futuro do trabalho

Entidade homenageou ex-presidentes e voluntários em Curitiba e reuniu lideranças para comemorar os 60 anos da ABRH-PR

Lideranças de Recursos Humanos e empresários participam da celebração dos 60 anos da ABRH-PR, em Curitiba.
Lideranças de Recursos Humanos e empresários participam da celebração dos 60 anos da ABRH-PR, em Curitiba. (Foto: Cristiano Cândido)

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A Associação Brasileira de Recursos Humanos – Seccional Paraná (ABRH-PR) celebrou, na noite desta segunda-feira (3), seis décadas de atuação dedicadas ao desenvolvimento de lideranças e à valorização das pessoas nas organizações. Realizada no Clube Curitibano, a cerimônia reuniu dirigentes, ex-presidentes, voluntários, associados, apoiadores e representantes do setor empresarial.

A programação homenageou todos os presidentes que estiveram à frente da entidade ao longo de sua história. O reconhecimento às diferentes gestões também serviu para mostrar a evolução da área de Recursos Humanos: de uma atividade concentrada em rotinas administrativas para uma função cada vez mais ligada à estratégia, à produtividade, à cultura e aos resultados das empresas.

Presidente da ABRH-PR, Gilmar Silva de Andrade afirmou que a entidade atravessou diferentes ciclos de transformação econômica e tecnológica sem abandonar a convicção que orientou sua criação: as pessoas são o principal patrimônio das organizações.

“Cada ex-presidente recebeu uma ABRH diferente, enfrentou os desafios do seu tempo e deixou a sua marca. Cada gestão acrescentou um novo capítulo a essa história, preservando aquilo que sempre nos uniu: a convicção de que investir em pessoas é investir no futuro”, afirmou.

Tecnologia avança, mas fator humano permanece central

Em seu discurso, Gilmar lembrou que a trajetória da ABRH-PR acompanhou a globalização, a internet, a transformação digital, a chegada da inteligência artificial, o surgimento de novos modelos de trabalho e as mudanças na forma de liderar.

Apesar dos avanços tecnológicos, ele defendeu que características humanas continuarão essenciais para o desempenho das organizações.

“Nenhuma tecnologia substitui um propósito. Nenhum algoritmo substitui a confiança. Nenhuma máquina substitui a empatia. Nenhum sistema substitui a capacidade humana de inspirar, criar, cooperar e transformar”, disse.

Segundo o presidente, discutir gestão de pessoas atualmente envolve temas como saúde mental, diversidade, inclusão, aprendizagem contínua, cultura organizacional, ética, sustentabilidade e liderança humanizada. Para ele, os 60 anos não representam o ponto mais alto da trajetória da entidade, mas o alicerce para seu futuro.

“A ABRH Paraná continuará sendo protagonista dessa transformação, ajudando a construir um mundo do trabalho mais humano, inovador e sustentável”, declarou.

Pandemia acelerou transformação da gestão

Para Luís Humberto de Quental, vice-presidente Financeiro e Mercado da ABRH-PR, a gestão de pessoas já vinha passando por uma evolução apoiada em tecnologia, indicadores e ferramentas analíticas. A pandemia, entretanto, representou uma mudança de velocidade e obrigou as empresas a adotar modelos mais avançados de gestão.

Na avaliação de Quental, a inteligência artificial deve ampliar a produtividade e a performance das organizações, mas continuará dependendo da capacidade humana para formular perguntas, interpretar informações e tomar decisões.

“A tecnologia não é a pessoa; é uma ferramenta que auxilia as pessoas. A inteligência artificial é positiva, mas exigirá qualificação e também criará novas funções. Quem define os caminhos continua sendo o ser humano”, afirmou.

A transformação deverá atingir também a cultura das empresas. Quental destacou que muitas organizações já convivem com cinco gerações no mesmo ambiente profissional e que os trabalhadores mais jovens chegam ao mercado familiarizados com a inteligência artificial. Essa combinação tende a acelerar mudanças nos processos e nas relações de trabalho.

Para os próximos anos, ele apontou como prioridades a integração entre tecnologia, governança e cuidado genuíno com os profissionais, incluindo atenção à saúde física e emocional.

“É preciso cuidar das pessoas com carinho e, ao mesmo tempo, usar a tecnologia para apoiar esse trabalho”, resumiu. Ao definir os 60 anos da entidade em uma palavra, Quental escolheu “sucesso”.

Liderança substitui comando e controle

Hilgo Gonçalves, embaixador do Great Place To Work no Brasil e diretor do GPTW Paraná, destacou a mudança do antigo modelo de “comando e controle” para uma gestão baseada em proximidade, escuta e inspiração.

Segundo ele, empresas que não contam com líderes capazes de conversar, ouvir e dar voz aos colaboradores encontram mais dificuldades para prosperar.

“Essa valorização das pessoas deixou de ser apenas um discurso e passou a ser uma prática. Hoje existe uma proximidade muito maior entre os líderes, os trabalhadores e o cotidiano das organizações”, afirmou.

Para Hilgo, um dos principais desafios da próxima década será construir propósitos com os quais as pessoas queiram se conectar. Além das diferenças entre gerações, cada profissional possui motivações e expectativas próprias.

Ele também defendeu que a inovação precisa gerar valor para as pessoas e respeitar a trajetória das organizações. “É necessário evoluir a cultura sem perder o DNA, respeitando os fundadores, entendendo de onde a empresa veio e para onde está indo”, disse.

Hilgo ressaltou ainda a parceria histórica entre GPTW, ABRH-PR e Gazeta do Povo na realização do ranking das melhores empresas para trabalhar no Paraná. Segundo ele, a associação exerce um papel importante ao legitimar a gestão de pessoas e compartilhar boas práticas entre as organizações.

Voluntariado sustenta trajetória

O trabalho voluntário teve destaque durante toda a cerimônia. Vice-presidente da ABRH-PR, Vera Lúcia Mattos relembrou que sua própria trajetória na entidade começou como voluntária, antes de passar por coordenações e pela diretoria.

Ela atribuiu as entregas realizadas pela associação ao envolvimento de profissionais que dedicam tempo e conhecimento à instituição. Durante sua fala, pediu que diretores, conselheiros e voluntários presentes se levantassem para receber o reconhecimento do público.

“O que estamos construindo depende do trabalho de cada um. Esse parabéns é para todos os voluntários, diretores e conselheiros da ABRH Paraná”, afirmou.

Gilmar também prestou homenagem especial a Humberto Costa e Maria Lense Wilklar, apresentados como representantes das centenas de voluntários que ajudaram a construir a entidade. Para o presidente, a longevidade da associação somente foi possível porque muitas pessoas decidiram dedicar parte do próprio tempo a um projeto coletivo.

Paraná integra rede nacional e internacional

Presidente da Diretoria Executiva da ABRH Brasil, Leyla Nascimento destacou a contribuição da seccional paranaense para o compartilhamento de boas práticas e casos de sucesso em gestão de pessoas.

A ABRH Brasil reúne seccionais em 23 estados e mantém conexão com entidades de 93 países por meio da Federação Mundial de Recursos Humanos. Segundo Leyla, essa articulação permite que profissionais e empresários acompanhem cenários globais e seus impactos sobre as pessoas e as organizações.

“Os líderes de Recursos Humanos, os gestores de pessoas e os empresários precisam olhar para fora, enxergar os cenários globais e compreender seus impactos”, afirmou.

Ela classificou a ABRH-PR como uma construção coletiva e dedicou a celebração aos voluntários, associados e apoiadores que contribuíram para a entidade durante as seis décadas.

A cerimônia foi encerrada com um brinde reunindo dirigentes, voluntários, parceiros e apoiadores. A ABRH-PR completa oficialmente 60 anos em 10 de agosto, reforçando o compromisso de continuar conectando empresas e profissionais diante das transformações do mercado de trabalho.

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