
Ouça este conteúdo
Escolher uma profissão ainda na adolescência, antes mesmo de ter contato com diferentes áreas do conhecimento, é uma realidade para muitos estudantes brasileiros. O modelo tradicional de ingresso no ensino superior exige que jovens de 17 ou 18 anos tomem decisões que impactam toda a trajetória profissional. Em um cenário de rápidas transformações no mercado de trabalho, essa escolha precoce tem sido cada vez mais questionada.
A implementação de um modelo de ensino que segue o conceito de Liberal Arts já existe no Brasil. O programa permite que o estudante ingresse no ensino superior sem a obrigação de escolher imediatamente uma carreira, construindo sua decisão ao longo do percurso acadêmico.

Um caminho alternativo ao modelo tradicional
Segundo Paulo Baptista, diretor do American Academy, este desafio está no centro do debate educacional contemporâneo.
“No Brasil, o processo de admissão à universidade geralmente exige que o estudante escolha uma carreira no vestibular, muitas vezes sem ter plena certeza sobre qual caminho seguir”
Paulo Baptista, diretor do American Academy
No modelo Liberal Arts, os dois primeiros anos da graduação são dedicados à exploração de diferentes áreas do conhecimento, como ciências naturais, humanidades, comunicação, artes e comportamento humano. Esse período funciona como uma etapa de amadurecimento acadêmico e pessoal, permitindo que o estudante compreenda melhor seus interesses, habilidades e possibilidades profissionais antes de se especializar.
“Esse período inicial é fundamental para o amadurecimento dos estudantes, pois permite refletir com mais clareza sobre as escolhas profissionais e desenvolver uma base de conhecimento mais ampla”, explica Baptista.

Flexibilidade acadêmica como diferencial
A principal característica desse modelo é a flexibilidade. Em vez de um currículo rígido e altamente especializado desde o início, o estudante constrói uma formação interdisciplinar, desenvolvendo competências que vão além do domínio técnico de uma única área.
“A diversidade de áreas do conhecimento oferece ferramentas para formar pensadores críticos, com maior capacidade de adaptação às exigências de diferentes contextos”, destaca o diretor.
Essa abordagem amplia não apenas as opções acadêmicas, mas também as possibilidades profissionais. Em um mercado cada vez mais dinâmico, habilidades como pensamento crítico, criatividade e resolução de problemas tornaram-se essenciais, independentemente da área escolhida.
O American Academy na prática
No Brasil, um dos exemplos desse modelo é o American Academy – Bacharelado Interdisciplinar em Ciências e Humanidades, uma parceria entre a Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) e a Kent State University, dos Estados Unidos. Lançado em 2018, o programa foi uma das primeiras iniciativas no país a aplicar integralmente o conceito de Liberal Arts em nível de graduação.
Desde o primeiro dia de aula, o estudante está matriculado simultaneamente nas duas instituições. Os dois primeiros anos são cursados no Brasil, no câmpus da PUCPR, com aulas ministradas em inglês por professores da Kent State, seguindo o currículo norte-americano. Ao longo desse período, o estudante tem contato com diferentes áreas do conhecimento antes de definir sua área de atuação.
Antes da conclusão dessa etapa inicial, os estudantes também podem participar de cursos de verão em Ohio, nos Estados Unidos, o que contribui para uma vivência internacional mais aprofundada e para uma decisão profissional mais consciente.
Decidir depois de vivenciar
Após os dois primeiros anos, o estudante escolhe o major, que corresponde à área principal de formação, podendo ainda optar por um minor, uma área complementar de estudos. Essa estrutura permite uma formação personalizada, alinhada tanto aos interesses pessoais quanto às demandas do mercado.
“O importante é que, ao escolher um major, o estudante estabelece um foco claro para sua futura carreira profissional, com disciplinas específicas relacionadas à área de escolha. Esse tipo de especialização é fundamental para o desenvolvimento de competências técnicas e conhecimentos profundos em uma área específica, e prepara o estudante para os desafios do mercado de trabalho”, resume Baptista.
Processo seletivo diferente do tradicional
O ingresso no American Academy é diferente ao modelo tradicional brasileiro. Não há vestibular. O processo seletivo inclui análise de documentos, entrevista e comprovação de proficiência em língua inglesa, buscando identificar o perfil do candidato e sua adaptação ao formato internacional do curso.
Um modelo em sintonia com o futuro
Em um mundo cada vez mais interconectado e imprevisível, a formação universitária baseada na interdisciplinaridade e na flexibilidade ganha relevância. Ao permitir que o estudante experimente, reflita e só depois escolha, o modelo Liberal Arts propõe uma resposta concreta na formação de profissionais mais completos e preparados para lidar com a complexidade da sociedade contemporânea.
“Em um mundo em que as habilidades interdisciplinares e a capacidade de adaptação são cada vez mais valorizadas, um currículo flexível como o oferecido pelas universidades norte-americanas se torna um diferencial importante na formação de profissionais capazes de fazer frente aos desafios globais”, finaliza Baptista.
Para saber mais
Informações completas sobre o American Academy, estrutura do curso e processo seletivo estão disponíveis em:
https://americanacademy.pucpr.br/