Novo medicamento oral para cáncer de mama avançado aprovado pela Anvisa
Por Gabriela Antunes
Por Spineria
22/09/2026 às 16:06

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou, nesta segunda-feira (21/09), um novo medicamento oral para o tratamento de câncer de mama em estágio avançado ou metastático. O fármaco, conhecido como Etcamah (camizestrando), representa um progresso para pacientes que desenvolveram resistência a terapias hormonais anteriores, oferecendo uma nova perspectiva no combate à doença.
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Um mecanismo de ação direcionado
O Etcamah, cujo nome científico é camizestrando, pertence a uma nova classe de medicamentos chamados degradadores seletivos do receptor de estrogênio. Sua ação consiste em bloquear a atividade do estrogênio nas células tumorais, impedindo que o hormônio ative o receptor de estrogênio – uma estrutura que envia sinais para o crescimento do câncer. Além disso, o medicamento promove a destruição desse receptor dentro da célula, contribuindo para reduzir o crescimento de tumores dependentes desse hormônio. Por ser de uso oral, o tratamento oferece praticidade aos pacientes.
Quem pode se beneficiar do tratamento
A indicação do Etcamah é específica para pacientes adultos com câncer de mama localmente avançado ou metastático. O medicamento é destinado a casos em que o tumor apresenta receptor de estrogênio positivo (ER+) e é negativo para a proteína HER2. Um critério adicional importante é a presença de uma mutação no gene ESR1, que pode surgir durante o tratamento inicial com terapia hormonal. Essa alteração genética é associada à resistência aos medicamentos endócrinos, tornando o Etcamah uma opção para quando as terapias hormonais convencionais não são mais eficazes. O uso é recomendado após pelo menos seis meses de tratamento com hormonioterapia combinada a outras medicações que controlam a multiplicação das células tumorais.
Resultados promissores em estudos clínicos
Os resultados de estudos clínicos embasaram a aprovação do medicamento. No estudo Serena-6, que contou com a participação de 315 pacientes com a mutação ESR1, aquelas que receberam o camizestrando permaneceram, em média, 16 meses sem progressão da doença. Esse período é maior em comparação com os 9,2 meses observados entre as pacientes que continuaram com o tratamento hormonal anterior. Além disso, o risco de progressão do câncer ou de óbito foi 56% menor no grupo que utilizou o novo medicamento, conforme dados da pesquisa.
O câncer de mama no País
O câncer de mama é a neoplasia maligna mais incidente entre as mulheres no Brasil. O Instituto Nacional de Câncer (Inca) estima que, entre 2023 e 2025, foram registrados 73.610 novos casos no País, correspondendo a 30,1% dos cânceres diagnosticados na população feminina. Embora menos comum, a doença também pode afetar homens, representando cerca de 1% dos casos. O diagnóstico precoce e o tratamento adequado são cruciais para um bom prognóstico, e a chegada de novas terapias como o Etcamah amplia as ferramentas disponíveis para os profissionais de saúde e os pacientes.
