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Guerra cultural

Ypê, doadora de Bolsonaro em 2022, vira “bandeira” da direita após decisão da Anvisa

Decisão da Anvisa sobre produtos da Ypê provocou onda de apoio à marca entre políticos, influenciadores e internautas da direita nas redes sociais (Foto: Dilvugação/Produtos Ypê)

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A decisão da Anvisa de suspender lotes de produtos da Ypê provocou uma reação imediata de políticos, influenciadores e internautas ligados à direita nas redes sociais. Em poucas horas, a marca ganhou campanhas de apoio e memes incentivando seu consumo.

O motivo de tanto barulho? A suspeita de que a medida teve motivação política e soa como uma perseguição do governo Lula contra uma empresa conhecida por fazer doações de campanha ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

Tudo começou na quinta-feira (7), quando a Anvisa determinou o recolhimento de lotes de detergentes, lava-roupas e desinfetantes da Ypê após identificar falhas no processo de fabricação e risco de contaminação na fábrica da Química Amparo, no interior de São Paulo.

A empresa contestou a decisão e conseguiu, na sexta-feira (8), um efeito suspensivo na Justiça. Com isso, a proibição dos produtos foi temporariamente interrompida.

A Anvisa, porém, manteve a recomendação para que os consumidores evitem usar os produtos dos lotes afetados até o julgamento definitivo do caso. Mas a disputa política ainda segue a todo vapor nas redes.

De Jojo ao Coronel

O vice-prefeito de São Paulo, Coronel Mello Araújo, convocou seus seguidores a comprarem produtos da Ypê. “Vamos acabar com essa sacanagem que estão fazendo com essa empresa 100% brasileira”, disse.

O deputado estadual Lucas Bove (PL-SP) falou em retaliação. “Aqui em casa só produto Ypê, que é gente séria, gente direita, gente bolsonarista e, por isso, está sendo perseguida”, afirmou.

Já o prefeito de Sorocaba, Rodrigo Manga, foi mais moderado. Ele defendeu a troca dos lotes afetados, porém criticou o que chamou de “massacre” contra a empresa.

Entre os artistas, a apresentadora Jojo Todynho apareceu em um vídeo lavando louça com um detergente. O ator Júlio Rocha também deu seu apoio, afirmando que segue consumindo produtos da Ypê normalmente.

Internautas anônimos foram na mesma linha. “Época de eleição. Anvisa querendo gerar prejuízo para a marca”, comentou uma seguidora de Mello Araújo.

“Vou continuar usando. Um monte de agrotóxicos liberados nas nossas frutas e nós comemos. Isso aí tem cara de viés político”, afirmou um usuário do X. “Eu sei, você sabe, todos sabem o motivo disso estar acontecendo”, resumiu uma pessoa no Instagram.

R$ 1 milhão para Bolsonaro

A mobilização aconteceu porque pelo mens três membros da família Beira, controladora da Química Amparo, doaram juntos R$ 1 milhão à campanha de reeleição de Jair Bolsonaro em 2022.

Segundo registros do TSE, Jorge Eduardo Beira, vice-presidente de operações da empresa, contribuiu com R$ 500 mil. Já Waldir Beira Júnior e Ana Maria Beira, sócios e membros do grupo controlador, deram R$ 250 mil cada.

Em 2022, a Química Amparo também foi condenada pelo Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região por assédio eleitoral após promover uma live interna em apoio a Bolsonaro para funcionários. A companhia se declarou apartidária, mas perdeu a ação.

A Anvisa afirma que a decisão foi baseada em inspeções técnicas e não informou o prazo para o julgamento definitivo do recurso da Ypê. Enquanto isso, os produtos seguem nas prateleiras — e em milhares de posts de apoio nas redes sociais.

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