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Em meio ao aumento dos ataques contra petroleiros no Estreito de Ormuz, o Irã afirmou no início desta semana que não tornaria a navegação no local segura até que os Estados Unidos ponham fim à guerra e ao bloqueio dos portos iranianos na região.
A tática, de acordo com informações trazidas pela agência de notícias Reuters, vai além da disputa territorial e tem como objetivo manter o preço do petróleo (que chegou a um recorde de US$ 110 barril) elevado a menos de um mês das midterms, isto é, as eleições de meio de mandato americanas.
O alto valor do combustível, que fez com que o galão (3,8 litros) de gasolina nos EUA se mantivesse na casa dos US$ 4,33 – valor superior ao de antes da guerra, quando ficava abaixo de US$ 3 – tem frustrado eleitores americanos e sido motivo de desgaste para o Partido Republicano.
Segundo a Reuters, essa já faz parte da nova estratégia adotada pelos iranianos, que alterou o tipo e o ritmo dos ataques contra embarcações em consonância com a liderança do país.
"O objetivo é frustrar os esforços dos Estados Unidos e seus aliados para reduzir os preços globais do petróleo", disse uma das fontes, sem dar mais detalhes operacionais.
Além disso, a agência também afirma, de acordo com uma fonte militar anônima dos EUA, que o Irã vem se utilizando de observadores desarmados em pequenas embarcações para identificar potenciais alvos, incluindo navios da Marinha americana.
A nova tática teve início após os americanos destruírem grande parte das capacidades de radar da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC).
Segundo essa fonte militar americana, na semana passada, as Forças Armadas dos EUA chegaram a identificar observadores iranianos operando a partir de um dhow, embarcação tradicional à vela. Após a identificação, os americanos ordenaram que seus ocupantes a abandonassem e, em seguida, a destruíram, sem deixar vítimas.
A fonte anônima americana diz que, apesar dos esforços do Irã, o país persa não conseguiu impedir o aumento das exportações de petróleo pelo estreito, principalmente depois de a Marinha iraniana ter sido devastada na guerra.
O custo mensal da guerra chegou à casa dos 3 bilhões de dólares e virou mais um problema para os republicanos em meio às eleições que se encaminham.
Enquanto Trump avalia os próximos passos no conflito, a Marinha americana segue reforçando o bloqueio naval aos portos do Irã e aumentando as sanções, a fim de sufocar economicamente o país persa para que chegue a algum acordo a fim de encerrar a guerra.
O impasse em Ormuz e as ameaças de novos ataques mantêm um alerta vermelho em todo o mercado global de energia, mantendo os custos de transporte marítimo elevados.
Ormuz é o epicentro da guerra entre os dois países desde fevereiro deste ano, quando os Estados Unidos e Israel lançaram ataques contra Teerã, que tenta exercer controles sobre a região e restringir a passagem pela hidrovia.
Expansão
Também como parte da estratégia do regime dos aiatolás, o país persa busca o alcance geográfico de suas operações para além do Estreito de Ormuz, abrangendo o Golfo de Omã e regiões mais distantes.
Análises trazidas pela Reuters dão conta de que isso já pode estar acontecendo, e mostram que a tática iraniana também abrange águas próximas à costa do Catar e dos Emirados Árabes Unidos.
Uma fonte iraniana afirmou à agência de notícias que os iranianos não permitirão que a Casa Branca consiga reduzir o preço do petróleo próximo ao pleito de novembro. "Justo quando eles pensam que estão chegando perto do ponto em que os preços vão cair, nós os afastaremos disso. Isso é um jogo de xadrez [...] Embarcações desse tipo não estariam seguras em lugar nenhum, nem mesmo fora do Estreito de Ormuz", pontuou a fonte iraniana.
Além disso, a Reuters destacou que Teerã quer um "fechamento total de Ormuz em breve", impedindo que qualquer embarcação que viole suas restrições passe pela hidrovia.
Futura escalada?
Ao passo que a incerteza em Ormuz continua, a CNN americana publicou na última quinta-feira (15) que forças armadas do país planejam usar a chamada “mãe de todas as bombas” contra instalações de energia e nucleares do Irã, caso o presidente Donald Trump ordene a retomada dos bombardeios em grande escala contra o país inimigo.
Autoridades americanas ouvidas pela emissora afirmaram que o plano contempla o uso da GBU-43/B, bomba de grande potência lançada do ar (MOAB, na sigla em inglês) e a maior bomba não nuclear do arsenal americano, pela primeira vez na guerra.
Segundo as fontes da CNN, o presidente americano ordenou que os militares elaborassem planos de ataque adicionais contra alvos iranianos, que abrangeriam “grande parte da infraestrutura energética” e o possível emprego da MOAB.
A emissora também apurou que tal ataque ocorreria “antes da retirada dos EUA da área de responsabilidade do Centcom [Comando Central dos EUA]”, o que sugere que Trump poderia declarar vitória após esses ataques e retirar o efetivo extra deslocado para o Oriente Médio devido à guerra contra o Irã.
Uma fonte disse à CNN que o uso da MOAB está sendo planejado para atacar a montanha Pickaxe (Kuh-e Kolang em persa), que abriga um complexo nuclear do regime islâmico na região central do Irã.
O chefe da Casa Branca já afirmou várias vezes nos últimos meses que planeja bombardear Pickaxe, embora tenha sinalizado que não vai ordenar novos ataques contra o Irã antes das midterms, marcadas para 3 de novembro, e sugeriu até mesmo que um acordo com o regime islâmico poderá ser fechado depois desse processo eleitoral.



