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Para entender

Arcebispo de Erbil defende empregos estáveis para manter cristãos no Iraque

Símbolos de fé e devoção presentes no cotidiano da Igreja Católica. (Foto: AS Photography / Pixabay.)

O arcebispo caldeu de Erbil, Bashar Warda, defende que a sobrevivência das comunidades cristãs no Iraque depende da criação de empregos sustentáveis para os jovens. Em um cenário de forte crise econômica e desemprego, a Igreja alerta que apenas a segurança física não é suficiente para evitar o êxodo dessa população histórica, sendo necessário investir em educação técnica e no setor privado.

Por que o emprego se tornou o foco principal para a sobrevivência dos cristãos no Iraque?

Embora a segurança continue sendo uma preocupação, a estabilidade de longo prazo para os cristãos iraquianos agora passa pela economia. O número de fiéis diminuiu drasticamente nas últimas décadas, tornando as comunidades remanescentes muito mais vulneráveis. Sem a perspectiva de trabalho significativo e renda estável, as gerações mais jovens tendem a abandonar sua terra natal histórica. Por isso, a liderança religiosa prega que garantir o sustento das famílias é a ferramenta mais eficaz para preservar a presença viva do cristianismo na região e evitar o esvaziamento total dessas cidades.

Quais são os principais obstáculos da economia iraquiana mencionados pelo arcebispo?

O Iraque enfrenta uma dependência extrema do petróleo, que representa cerca de 90% das exportações. Isso deixa o país exposto às variações de preço no mercado internacional. Além disso, o setor público está saturado e não consegue mais absorver a força de trabalho jovem, enquanto o setor privado ainda é frágil e insuficiente. Com uma taxa de desemprego de 15,5% e quase um terço da população formada por jovens entre 15 e 29 anos, a pressão sobre o mercado de trabalho é constante, dificultando que recém-formados cristãos encontrem oportunidades fora da dependência do governo.

Como a educação está sendo adaptada para enfrentar esses desafios econômicos?

Para o arcebispo Bashar Warda, possuir um diploma universitário já não basta. A estratégia agora foca em fornecer habilidades práticas e profissionais que o mercado de trabalho realmente exige. A Igreja tem incentivado cursos técnicos e de formação profissional para que os jovens possam atuar de forma competitiva no setor privado. Um exemplo citado é a determinação de estudantes que trabalham à noite para pagar os estudos, o que demonstra prontidão para assumir responsabilidades. O objetivo é transformar a educação em uma ponte direta e eficiente para o primeiro emprego estável.

Qual é a nova abordagem sugerida para a assistência oferecida pela Igreja?

A proposta é migrar da caridade imediata para o empoderamento econômico. Em vez de focar apenas em ajuda humanitária de curto prazo, o foco deve ser na justiça e na dignidade humana através da independência financeira. A Arquidiocese de Erbil já atua como exemplo, empregando cerca de 950 pessoas em suas redes de saúde, mídia e educação, sem qualquer discriminação. A ideia central é que a Igreja e instituições parceiras ajudem a criar condições para que as famílias possam se sustentar sozinhas, transformando a assistência em investimento em pessoas e projetos privados.

Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.

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