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Jylman Red Jurado Farfán

Bispo anglicano diz que foi torturado enquanto esteve preso por cinco anos na Venezuela

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O centro de detenção El Helicoide, localizado em Caracas foi apontado como o principal centro de tortura da Venezuela (Foto: Damián D. Fossi Salas/Wikimedia Commons)

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O bispo anglicano Jylman Red Jurado Farfán afirmou que foi torturado durante os mais de cinco anos em que permaneceu preso na Venezuela sob acusações de terrorismo, conspiração e associação criminosa. Libertado em agosto, o bispo relatou que passou por diferentes presídios do país e sofreu agressões durante o período de detenção.

Em declarações divulgadas nos últimos dias pela imprensa internacional, Jurado disse que viveu “momentos muito dolorosos” e que foi submetido a torturas durante o período em que esteve sob custódia do Estado venezuelano. Ele passou por cinco centros de detenção antes de ser libertado em 14 de agosto.

Segundo Jesús Marcano, coordenador de defesa dos direitos humanos da organização venezuelana Foro Penal, o bispo relatou após a libertação que agentes do chavismo arrancaram unhas de seus pés e utilizaram eletricidade sobre uma queimadura em seu peito. A informação foi repassada à organização Christian Solidarity Worldwide (CSW), que acompanha o caso.

Jurado foi preso em 30 de julho de 2021 após ser chamado por autoridades venezuelanas para explicar um projeto acadêmico chamado “Programa de Liderança e Inovação Comunicativa em Valores Democráticos”. Segundo a CSW, as autoridades consideraram que a iniciativa e outras atividades sociais desenvolvidas pelo bispo tinham como objetivo "desestabilizar o Estado".

O religioso foi então acusado de terrorismo, associação criminosa e conspiração. Jurado afirmou que o projeto que motivou sua prisão tratava de valores democráticos e formação cívica.

Antes de ser preso, ele atuava em projetos sociais, incluindo assistência jurídica gratuita a presos políticos e distribuição de alimentos em comunidades pobres da Venezuela. Segundo a CSW, essas atividades chegaram a ser classificadas pelas autoridades como ações de “confronto político”. A organização também apontou uma série de irregularidades no processo que culminou na prisão do bispo.

Durante o período na prisão, Jurado denunciou restrições religiosas e episódios de hostilidade contra sua fé. Segundo a CSW, ele chegou a passar dez dias em uma cela de isolamento depois de defender o direito de outros detentos à liberdade religiosa.

A saúde do bispo se deteriorou enquanto ele permanecia preso. Em junho deste ano, ele relatou sofrer de pneumonia atípica, neurite intercostal e sangramentos no sistema gastrointestinal. Segundo a imprensa venezuelana, Jurado também sofreu um infarto durante o encarceramento e, após receber atendimento, voltou à prisão.

A libertação dele ocorreu durante o período de liberação de presos políticos na Venezuela. Sob pressão dos EUA, o chavismo tem libertado diversos presos políticos no país. 

Jurado faz parte da Igreja Anglicana Latino-Americana independente e atua na Arquidiocese da Venezuela do Espírito Santo, em Caracas. A denominação não é vinculada à Igreja da Inglaterra nem à Comunhão Anglicana mundial.

Após deixar a prisão, o bispo agradeceu às organizações e fiéis que atuaram por sua libertação e fez um apelo por reconciliação nacional, respeito aos direitos fundamentais e às garantias constitucionais na Venezuela.

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