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O Serviço de Avaliação Ambiental do Chile (SEA) suspendeu nesta segunda-feira (10) uma sessão de avaliação ambiental de um projeto de energia elétrica no sul do país, depois que o ator americano Leonardo DiCaprio pediu nas redes sociais a proteção da "rã Pehuenche".
O artista, reconhecido pelo ativismo ambientalistas, defendeu no domingo (9) a proteção da rã-de-peito-espinhoso em uma publicação no seu perfil do Instagram. O anfíbio habita exclusivamente o vale do Pehuenche, nos Altos Andes do Chile e da Argentina e, segundo DiCaprio, "existem menos de 1.000 exemplares em estado selvagem".
A rã-de-peito-espinhoso (Alsodes pehuenche) é um "anfíbio de corpo volumoso e extremidades robustas", segundo o Ministério do Meio Ambiente chileno, que vive entre 2.000 e 2.500 metros de altitude.
Segundo o ator, "essa espécie enfrenta uma de suas maiores ameaças", depois de ter evoluído para sobreviver em frias correntes montanhosas e prados alpinos, de modo que esse empreendimento "a levaria à beira da extinção".
Projeto prevê linha de transmissão entre Chile e Argentina
As autoridades ambientais registram, no site da instituição, a suspensão da sessão por videoconferência sobre o projeto Interconexão Internacional de Interesse Privado Los Cóndores–Río Diamante em Alto Maule, cujo processo teve início há cinco anos e que prevê uma linha de transmissão de alta tensão que abrange o Chile e a Argentina.
O objetivo do projeto apresentado ao Serviço Ambiental é a implantação e operação de uma interconexão elétrica internacional entre os sistemas do Chile e da Argentina (binacional), que permitirá realizar operações de importação e exportação de eletricidade.
"Os conservacionistas não pedem que o projeto seja interrompido, mas que seja construído em um local onde não coloque ainda mais em risco uma espécie em perigo crítico de extinção", esclareceu DiCaprio.
"Estamos lutando contra o tempo para proteger essa espécie. Proteger essa espécie significa proteger todo um ecossistema vital para a biodiversidade, os recursos hídricos e a resiliência climática", acrescentou.
O processo suspenso, no entanto, abrangia apenas as partes e ações a serem realizadas em território chileno, pois, do lado argentino, "será avaliado e processado de forma independente, de acordo com a jurisdição daquele país", conforme detalhado na ficha do projeto apresentado ao SEA.
A empresa responsável pelo projeto, a ENEL Chile, afirmou ao jornal El Mercurio, sobre a avaliação da iniciativa, que continuará colaborando com todas as exigências que forem solicitadas.
"Todos os aspectos ambientais, patrimoniais e territoriais, incluindo aqueles relacionados a ecossistemas, patrimônio arqueológico e geológico, assim como atividades econômicas e recreativas, foram analisados, complementados e tratados de acordo com a legislação vigente", disseram.
Organização de DiCaprio já comprou ilha no Chile para proteção contra mineração
A atenção de DiCaprio sobre o Chile não é nova. Em 2025, ele anunciou que, por meio da Re:wild, organização ambientalista da qual é cofundador, comprou a ilha Guafo, na região de Los Lagos, no sul do Chile, com o objetivo de protegê-la da mineração de carvão, do corte de madeira e de outras indústrias destrutivas.
A ilha, conhecida como 'a pequena Galápagos', abriga a maior colônia reprodutiva do mundo de pardelas-pretas, uma espécie de ave marinha que atualmente apresenta redução populacional.



