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Aliados autoritários

Como a China está ajudando o Irã a reprimir os protestos contra o regime islâmico

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O ditador da China, Xi Jinping. (Foto: SERGEY BOBYLEV/EFE/EPA/SPUTNIK/KREMLIN POOL)

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O Irã tem reprimido de forma brutal os protestos em curso no país contra o regime islâmico e tem contado, segundo análise de especialistas em segurança internacional, com apoio indireto da China, que forneceu ao país persa diversas tecnologias avançadas de vigilância digital, usadas agora para identificar, rastrear e prender manifestantes que estão nas ruas.

De acordo com Craig Singleton, pesquisador sênior do think tank Foundation for Defense of Democracies (FDD), sistemas de monitoramento fornecidos ao regime do Irã pela empresa chinesa Tiandy Digital Technology Co. – que é ligada ao Partido Comunista Chinês PCCh) - vêm sendo utilizados por forças de segurança iranianas para localizar os participantes das atuais mobilizações. O sistema também foi utilizado pelo regime para identificar e capturar os participantes dos protestos liderados por mulheres contra a obrigatoriedade do uso do véu islâmico em 2022.

Segundo Singleton, a utilização do sistema chinês para reprimir protestos no Irã “não se trata de uso indevido ou isolado da tecnologia” por parte das forças do regime islâmico, mas de uma atuação deliberada de uma empresa chinesa que, segundo ele, vem exportando mecanismos de repressão estatal como serviço.

Em publicações na rede social X, Singleton afirmou que equipamentos do sistema de monitoramento da Tiandy foram vendidos diretamente a órgãos de segurança do Irã e estão sendo empregados para cruzar imagens de câmeras urbanas com bases de dados estatais, permitindo prisões direcionadas no país.

“Isso é autoritarismo digital em ação”, escreveu o analista, ao defender novas sanções contra a empresa chinesa por violações de direitos humanos.

Segundo reportagem da Newsweek, a Tiandy integra um grupo de companhias chinesas que exportam tecnologia de vigilância para diversos regimes autoritários. De acordo com a publicação, ativistas e pesquisadores afirmam que esses sistemas ampliaram a capacidade do Estado iraniano de identificar manifestantes em diferentes ondas de protestos, inclusive por meio de reconhecimento facial e gravação em tempo real.

A China é atualmente o maior fornecedor mundial de tecnologias de vigilância. Segundo a Newsweek, o país passou a exportar para outros governos a experiência acumulada no controle digital de sua própria população.

Uma reportagem do site IranWire, publicada em dezembro do ano passado, mostra que o Irã acelerou de forma significativa nos últimos anos a expansão de sua rede de câmeras de vigilância nas cidades. Segundo a publicação, contratos firmados entre o regime iraniano e empresas chinesas permitiram a instalação de equipamentos de monitoramento e vigilância em ruas, pontes, transportes públicos, prédios residenciais, estabelecimentos comerciais e até escolas, conectando essas imagens a centros policiais.

Documentos citados pelo IranWire indicam que esses equipamentos são integrados a plataformas de reconhecimento facial e leitura de placas, ampliando o controle estatal sobre a população.

Segundo a ONG Human Rights Activists News Agency, ao menos 2.571 pessoas morreram em decorrência da repressão conduzida pelo regime iraniano contra os protestos que seguem em curso no país.

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