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O Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) realizou uma reunião de emergência, neste sábado (28), após os ataques lançados por Estados Unidos e Israel contra o Irã, em meio a negociações sobre o programa nuclear iraniano. O encontro foi marcado por apelos à desescalada e advertências sobre o risco de ampliação do conflito no Oriente Médio.
O secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, afirmou que há relatos de pelo menos um civil morto em decorrência da interceptação de um míssil, além de informações sobre civis impactados no Iraque.
Segundo ele, os ataques ocorreram enquanto havia conversas indiretas entre Israel e Irã, com preparação para reuniões técnicas previstas para a próxima semana. “Lamento profundamente que essa oportunidade de diplomacia tenha sido perdida”, declarou.
Guterres pediu a interrupção imediata dos ataques e a retomada das negociações. Ele ressaltou que as ações militares têm “grandes consequências para civis” e defendeu que todos os Estados respeitem o direito internacional, especialmente no que diz respeito à proteção da população civil e à segurança nuclear.
O secretário-geral também afirmou ter mantido contato com líderes da Arábia Saudita, Catar, Emirados Árabes Unidos e outros países da região, reforçando a necessidade de evitar uma escalada maior.
EUA defendem ofensiva e acusam Irã de desestabilização
O embaixador dos Estados Unidos no Conselho, Mike Waltz, afirmou que o governo iraniano “desestabilizou o mundo”, matou forças americanas, ameaçou aliados e comprometeu a segurança das águas internacionais.
Segundo ele, o Irã financiou organizações classificadas como terroristas, como o Hamas, apoiou ataques contra tropas no Iraque, realizou sequestros de cidadãos americanos e atacou navios na região. Waltz declarou que nenhuma nação responsável pode ignorar esse histórico.
O diplomata afirmou que, desde 2006, o Conselho de Segurança aprovou resoluções exigindo a suspensão das atividades nucleares iranianas, impondo sanções, congelamento de ativos e restrições ao programa. Disse ainda que, no ano passado, medidas foram restauradas para enviar uma mensagem clara de que a continuidade do programa nuclear não seria tolerada.
Waltz argumentou que houve tentativas diplomáticas conduzidas pelo presidente Donald Trump e pelo secretário de Estado, mas que não houve resposta efetiva do lado iraniano. Segundo ele, “quando não há parceria para a paz, é impossível que a paz aconteça”.
O embaixador afirmou que os ataques do Irã contra bases e regiões como Kuwait, Emirados Árabes Unidos e Jordânia reforçam, na visão americana, a necessidade da ação militar. Ele declarou que a segurança dos aliados dos Estados Unidos “não é condicional” e que a decisão do presidente foi tomada com base na defesa da segurança global.
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França alerta para risco de nova guerra
O embaixador da França na ONU, Jerome Bonnafont, afirmou que a região “precisa de paz” e advertiu que uma nova guerra pode sair do controle.
Ele disse que o Irã deve respeitar suas obrigações internacionais, mas destacou que a escalada é perigosa para todos e deve cessar imediatamente. A França condenou ataques que atingiram diversos países da região e enfatizou a importância de garantir a segurança dos civis — não apenas em Irã e Israel, mas também em nações vizinhas afetadas.
Bonnafont mencionou ainda que, apesar de esforços diplomáticos anteriores, o Irã não teve a oportunidade de concluir um acordo relacionado ao seu programa nuclear. Ele citou dificuldades recentes de acesso da agência internacional ao programa iraniano e lembrou que procedimentos para sanções haviam sido iniciados em agosto como resposta às preocupações com os compromissos nucleares do país.
Ataques e retaliação
Os Estados Unidos e Israel atingiram alvos no Irã neste sábado, enquanto iranianos e americanos negociavam questões ligadas ao programa nuclear. Em resposta, o Irã lançou ataques contra bases americanas na região, incluindo instalações no Bahrein, Catar e Emirados Árabes Unidos.
O cenário no Conselho de Segurança foi de forte tensão diplomática. A principal preocupação manifestada pelos representantes foi evitar que o confronto se transforme em um conflito regional de maiores proporções, com impacto direto sobre civis e sobre a estabilidade internacional.










