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Uma nova cratera na Lua está ajudando cientistas a entender melhor a frequência e os efeitos dos impactos de rochas espaciais sobre o satélite natural da Terra. Batizada de McGetchin, a formação tem cerca de 222 metros de diâmetro e 43 metros de profundidade, dimensões que fazem dela a maior cratera recém-formada identificada no Sistema Solar desde o início do monitoramento detalhado da superfície lunar.
A estrutura surgiu depois que um objeto espacial com estimados 9 a 21 metros de diâmetro atingiu a Lua em algum momento entre 11 de abril e 22 de maio de 2024. Os pesquisadores consideram que o corpo poderia ser um asteroide ou um fragmento de cometa.
O impacto ocorreu em altíssima velocidade e teria liberado energia equivalente à explosão de aproximadamente 15,5 mil toneladas de TNT.
A descoberta, porém, só aconteceu mais de um ano depois da colisão. Foi justamente essa diferença entre o momento do impacto e sua identificação que permitiu aos cientistas comparar imagens da superfície lunar antes e depois do evento e reconstruir o que aconteceu.
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Cratera fica perto do Mar das Crises, na região leste da Lua
A McGetchin está localizada na região leste da Lua, próxima à borda do Mar das Crises, uma extensa planície formada por lava solidificada que se estende por aproximadamente 555 quilômetros. O nome é uma homenagem ao cientista lunar Thomas McGetchin, que contribuiu para os estudos sobre a formação de crateras durante a era Apollo.
Com 222 metros de largura, a cratera na Lua tem mais que o dobro do comprimento de um campo de futebol. Sua profundidade chega a 43 metros, equivalente à altura de cerca de três ônibus escolares empilhados verticalmente.
Antes dela, a maior cratera de impacto contemporânea identificada no satélite tinha aproximadamente 70 metros de diâmetro.

A dimensão ajuda a explicar por que o impacto é considerado tão raro. Segundo os modelos utilizados pelos pesquisadores, uma colisão capaz de produzir uma estrutura desse porte deve acontecer na Lua aproximadamente uma vez a cada 132 anos.
Isso significa que, embora pequenos impactos sejam frequentes, eventos dessa magnitude são incomuns durante o período de observação direta da superfície lunar.
Como a NASA encontrou a formação da cratera?
A identificação foi possível graças à Lunar Reconnaissance Orbiter (LRO), sonda da NASA que está em órbita da Lua desde 2009 e utiliza diferentes instrumentos para mapear características como topografia, temperatura, composição e radiação da superfície. Suas câmeras também permitem comparar imagens de uma mesma região ao longo do tempo.
Em 24 de outubro de 2025, o especialista em processamento de imagens Robert Wagner analisava registros sobrepostos da superfície quando percebeu uma alteração particularmente evidente. Uma mancha brilhante cercada por um halo escuro destoava das demais mudanças normalmente identificadas pelos sistemas de análise.
O desafio é que os programas usados pela equipe detectam inúmeras alterações provocadas por iluminação e sombras. Cada ocorrência precisa ser examinada para determinar se corresponde a uma mudança real no terreno ou a um falso positivo.
No caso da McGetchin, imagens de alta resolução feitas pela câmera de ângulo estreito da LRO confirmaram a formação e permitiram medir suas dimensões e os efeitos sobre o entorno.
O impacto não foi percebido no momento em que aconteceu. As imagens mais amplas da LRO ficaram inicialmente entre o enorme volume de dados coletados pela missão e só foram analisadas posteriormente.
A comparação entre registros antigos e recentes foi fundamental para estabelecer o intervalo em que a colisão ocorreu.
Impacto mexeu com área de mais de 100 km
A nova cratera na Lua não representa apenas um buraco de 222 metros. O impacto lançou material para muito além de suas bordas. Segundo os estudos, rastros de detritos ejetados se estendem radialmente por mais de 96 quilômetros, enquanto a superfície lunar foi alterada em uma área ainda maior.
Parte do material lançado durante a colisão caiu novamente nas proximidades, formando uma camada de detritos ao redor da cratera. Rochas de diferentes tamanhos também foram projetadas para regiões mais distantes, deixando áreas antes relativamente regulares mais acidentadas.
O fenômeno mostra que os efeitos de uma colisão podem ultrapassar em muito o tamanho da cavidade aberta pelo objeto.

Outro estudo, baseado no instrumento térmico Diviner, encontrou uma área de aproximadamente 6,4 quilômetros de largura ao redor da McGetchin que registra temperaturas cerca de 9 °C mais baixas durante a noite do que terrenos próximos.
A explicação está na alteração do regolito, a camada superficial formada por poeira, fragmentos de rocha e outros materiais. Depois do impacto, essa camada fica mais solta e menos capaz de reter calor.
Para os pesquisadores, a extensão desse chamado “ponto frio” é mais uma evidência de que impactos lunares conseguem modificar a superfície muito além dos limites visíveis da cratera.
Por que a descoberta da gigante cratera na Lua interessa às futuras bases?
A Lua praticamente não possui atmosfera capaz de desacelerar ou destruir pequenos objetos espaciais antes que eles alcancem o solo. Por isso, diferentemente da Terra, o satélite permanece exposto a um fluxo constante de asteroides, fragmentos de cometas e outros detritos.
A LRO já permitiu identificar pelo menos mil novas crateras de impacto e cerca de 100 mil outras alterações na superfície lunar. Estimativas indicam que aproximadamente 140 novas crateras de cerca de 9 metros de diâmetro podem surgir por ano, provocadas por rochas espaciais com pouco mais de um metro de largura.
A McGetchin se destaca justamente por estar em outra escala. O objeto responsável pela formação tinha apenas algumas dezenas de metros, mas corpos desse tamanho são difíceis de detectar antes da colisão. Isso cria um desafio para futuras instalações humanas na Lua, já que uma rocha espacial pode atingir uma determinada região sem oferecer tempo suficiente para uma resposta.
A descoberta também mostra por que acompanhar as mudanças na superfície lunar é importante para os planos de exploração espacial. Ao estudar crateras recentes, os cientistas conseguem estimar a frequência dos impactos, entender como os objetos se fragmentam e mapear até onde os detritos podem chegar.



