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Cuba terá prolongados apagões em todo o país nesta terça-feira (10), cortes que chegarão a deixar simultaneamente sem energia mais de 64% da ilha no momento de maior demanda, uma taxa recorde segundo dados da estatal União Elétrica (UNE) compilados pela Agência EFE.
Cuba atravessa uma profunda crise energética desde meados de 2024, mas o chamado cerco petrolífero imposto pelo governo dos EUA com a intervenção na Venezuela e a ordem presidencial de 29 de janeiro está levando os apagões a números recordes.
O recorde anterior havia sido registrado em 31 de janeiro, com 63%, segundo os números oficiais que a UNE começou a divulgar regularmente em 2022, quando a situação energética do país começou a se agravar.
A UNE, ligada ao Ministério de Energia e Minas de Cuba, prevê para o horário de maior demanda desta jornada, no final da tarde e início da noite, uma capacidade de geração de 1.134 megawatts (MW) e uma demanda máxima de 3.100 MW.
Atualmente, seis das 16 unidades de produção termelétrica operacionais estão fora de serviço por avarias ou manutenção, entre elas duas das três maiores. Esta fonte de energia representa, em média, cerca de 40% da matriz energética em Cuba.
A chamada geração distribuída (motores) era responsável por outros 40% da matriz. O ditador cubano, Miguel Díaz-Canel, responsabilizou na semana passada os EUA pelo fato da fonte de energia estar completamente parada há quatro semanas.
O regime de Cuba também impôs na semana passada um duríssimo pacote de medidas de emergência para tentar subsistir sem petróleo do exterior, uma vez que a ilha produz apenas um terço de suas necessidades energéticas.
A venda varejista de diesel foi interrompida, a de gasolina está muito racionada, não há querosene para aviões nos aeroportos do país, os escritórios estatais reajustaram seus horários, prioriza-se o trabalho remoto e os serviços públicos foram cortados para atender apenas ao essencial.
Vários cálculos independentes estimam que seriam necessários entre US$ 8 bilhões e US$ 10 bilhões para sanear o sistema elétrico da ilha.
O regime cubano aponta o impacto das sanções americanas a esta indústria como principal fator da crise e acusa Washington de “asfixia energética”.
Os prolongados apagões diários prejudicam a economia, que contraiu mais de 15% desde 2020, segundo números oficiais. Além disso, foram o estopim dos principais protestos dos últimos anos.
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