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O diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), o argentino Rafael Grossi, disse nesta quarta-feira (24) que o órgão voltará a fazer inspeções em instalações nucleares do Irã, mas pouco depois o regime islâmico negou que qualquer compromisso nesse sentido tenha sido acordado.
Segundo a Associated Press, Grossi falou sobre o assunto durante entrevista coletiva na usina nuclear de Fukushima, no Japão.
“Consigo compreender as declarações políticas; elas fazem parte da realidade. No entanto, o ponto fundamental que gostaria de lembrar e para o qual desejo chamar a atenção é a existência de um memorando de entendimento assinado por ambos os presidentes”, disse o diretor-geral da AIEA, em referência ao Memorando de Islamabad, assinado por Estados Unidos e Irã com diretrizes para encerrar a guerra entre os dois países.
As “declarações políticas” mencionadas por Grossi foram feitas pelo Irã, que repudiou nesta semana afirmações do presidente dos EUA, Donald Trump, e do vice deste, J.D. Vance, de que o regime teria aceitado a entrada de inspetores da AIEA no país persa.
Grossi afirmou nesta quarta-feira que o acordo “estabelece explicitamente que as atividades nucleares a serem realizadas nas instalações que lidam com material nuclear serão supervisionadas pela AIEA — sem deixar margem para dúvidas”.
“Obviamente, para isso, teremos de realizar inspeções. Se isso vai ocorrer depois de amanhã, em uma semana ou em dez dias — embora seja importante, não é o essencial. [Mas] vai acontecer”, disse o diretor-geral da agência atômica da ONU.
Pouco após as declarações de Grossi, o vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharibabadi, voltou a afirmar que não há qualquer acordo para permitir a entrada de inspetores da AIEA.
“Não houve nenhuma reunião com Grossi na Suíça [onde representantes americanos e iranianos se encontraram no início da semana], apesar da sua solicitação. Também não há qualquer plano para conceder acesso às instalações atacadas ou ao material nuclear”, escreveu Gharibabadi.
“Essas questões serão analisadas e decididas apenas no âmbito de um acordo final e como resultado de ações práticas do outro lado [Estados Unidos] para encerrar todas as sanções e outras medidas”, acrescentou o vice-ministro. “Não é possível promover uma política de ‘agitar e tomar o controle’ com alarde midiático.”











