
A Colômbia registrou um forte terremoto de magnitude 7,4 nesta segunda-feira (10), resultando em ao menos 111 mortes e danos severos em diversas regiões. O desastre ocorre apenas dois meses após tremores fatais atingirem a Venezuela. Especialistas indicam que a intensa atividade geológica na região, situada no limite de grandes placas tectônicas, justifica a frequência desses fenômenos naturais.
Existe uma ligação direta entre os terremotos da Colômbia e da Venezuela?
Embora os dois países tenham sofrido abalos de grande intensidade em um curto intervalo de tempo, não há evidências de que um evento tenha causado o outro. Os locais dos epicentros estão separados por cerca de mil quilômetros e não pertencem à mesma falha geológica. Além disso, os mecanismos que geraram os tremores são distintos. Na Colômbia, o fenômeno ocorreu pela subducção, onde uma placa mergulha sob a outra. Já na Venezuela, os tremores de junho foram causados pelo movimento lateral entre as placas do Caribe e a Sul-Americana, caracterizando processos geológicos independentes.
Como a profundidade influenciou o poder de destruição de cada tremor?
A profundidade é um fator crucial para determinar o impacto na superfície. O terremoto colombiano teve origem a 100 quilômetros abaixo do solo, o que é considerado profundo. Já os abalos na Venezuela foram rasos, ocorrendo entre 10 e 20 quilômetros de profundidade. De forma geral, quanto mais perto da superfície o tremor começa, maior é o seu potencial destrutivo. Por isso, os eventos na Venezuela deixaram um saldo de vítimas muito maior. No caso da Colômbia, a destruição aconteceu principalmente devido à altíssima magnitude e ao fato de o epicentro estar próximo de áreas habitadas.
O número de terremotos está aumentando na América do Sul atualmente?
A sequência de eventos fortes no Chile, Venezuela e Colômbia nos últimos meses pode dar a impressão de que a terra está tremendo mais, porém sismólogos afirmam que não há dados científicos que comprovem um aumento real na frequência. O que ocorre é um avanço tecnológico significativo: hoje temos redes sismográficas muito mais sensíveis e em maior quantidade espalhadas pelo continente. Isso permite que movimentos pequenos, que antes passavam totalmente despercebidos, sejam registrados e noticiados agora, criando uma percepção de que os fenômenos naturais estão se tornando mais comuns.
É possível prever quando ocorrerá o próximo grande abalo sísmico?
A ciência ainda não possui ferramentas para determinar com precisão a data, o local exato ou a magnitude de um futuro terremoto. As placas tectônicas estão em movimento constante e o acúmulo de energia nelas é monitorado, mas a previsão exata é considerada impossível. Atualmente, os pesquisadores trabalham com modelos de risco e cálculos de probabilidade para identificar quais regiões são mais vulneráveis. O foco das autoridades e especialistas recai sobre a preparação das cidades e a construção de infraestruturas resistentes, visando minimizar danos quando o fenômeno inevitavelmente ocorrer.
Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.





