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A administração de Donald Trump autorizou, nos últimos dias, uma operação em Cuba para repatriar uma criança de 10 anos que teria sido sequestrada pelo pai biológico, uma pessoa trans. Familiares temiam que a criança fosse levada à ilha para passar por uma cirurgia de redesignação sexual antes da puberdade.
Segundo comunicado do Escritório do Procurador dos EUA no distrito de Utah, a genitora trans e uma segunda pessoa, que seria sua parceira, foram deportadas de Cuba aos Estados Unidos, onde foram presas sob acusações federais de sequestro parental internacional. O caso está sendo investigado pelo escritório do FBI em Salt Lake City.
Documentos judiciais apontam que a dupla teria abandonado uma viagem de acampamento planejada para o Canadá com a criança, que vive sob sua guarda compartilhada, e levado o menor para Cuba, sem o consentimento da mãe biológica ou autorização da Justiça americana.
Os investigadores determinaram que as duas pessoas envolvidas no sequestro cruzaram a fronteira canadense a partir do estado de Washington em 29 de março e voaram com a criança da Colúmbia Britânica para a Cidade do México. Depois, viajaram para o México e seguiram para Havana em 1º de abril usando passaportes americanos.
A viagem ao Canadá teria início em 28 de março, contudo não houve notícia dos três desde aquela data, quando a criança se comunicou pela última vez com a mãe biológica por telefone. O retorno previsto era 3 de abril, o que não ocorreu e gerou a denúncia que resultou na prisão do casal.
Família demonstrava preocupação com possibilidade de a criança passar por cirurgia de redesignação sexual
Conforme registrado em documentos judiciais, a partir de entrevistas com a família da criança de 10 anos, havia uma preocupação crescente com o bem estar do menor que, apesar de ter nascido menino, começou a dizer que se identificava como uma menina.
Segundo relatado nos autos, os familiares acreditavam ser, em grande parte, resultado de manipulação por parte do genitor trans (o pai biológico). Segundo o escritório do Procurador de Utah, a mãe manifestava preocupação de que a criança tivesse sido levada para Cuba para uma cirurgia de redesignação sexual antes da puberdade.
Em 13 de abril, quase um mês depois da partida para a suposta viagem ao Canadá, um tribunal estadual de Utah ordenou que a criança de 10 anos fosse devolvida imediatamente à sua mãe e concedeu a ela a guarda exclusiva. Três dias depois, autoridades cubanas localizaram o grupo e, nesta semana, o FBI resgatou o menor.
Logo após a denúncia ser feita, a polícia local de Utah e o FBI identificaram um plano detalhado da dupla em meio a buscas em sua residência. Os envolvidos sacaram US$ 10.000 e abandonaram uma lista de tarefas que incluía esvaziar contas bancárias, aprender espanhol, obter vistos de turista e guardar itens em um depósito.
Governo Trump impulsiona políticas contra ideologia de gênero
Desde o início do mandato, o governo de Donald Trump adotou uma série de medidas para redefinir a política federal sobre gênero, estabelecendo o sexo biológico como referência legal. Logo no primeiro dia do seu segundo mandato, um decreto passou a reconhecer apenas dois gêneros — masculino e feminino — e determinou que órgãos federais deixassem de considerar o conceito de identidade de gênero em documentos, cadastros e políticas públicas.
A medida foi acompanhada por ações administrativas para garantir sua aplicação. Repartições federais foram orientadas a revisar formulários, reorganizar espaços de uso restrito com base no sexo biológico e suspender iniciativas ligadas ao tema. Também houve retirada de conteúdos institucionais e revisão de contratos públicos considerados ideológicos, com cancelamento de projetos e economia de recursos.
A política se estendeu a outras áreas. No esporte, o governo proibiu a participação de atletas trans em competições femininas e vinculou o cumprimento da regra ao acesso a financiamento federal, além de orientar a atuação diplomática dos EUA no mesmo sentido. No setor militar, foram impostas restrições à admissão de pessoas trans nas Forças Armadas, mantendo a diretriz oficial centrada no sexo biológico.
No fim de 2025, o governo Trump vetou o uso de recursos médicos para procedimentos de mudança de sexo em menores de 18 anos.











