
Centenas de católicos caldeus do Iraque e de diversas partes do mundo se reuniram no Vaticano, em 15 de outubro de 2026, para uma celebração histórica na Basílica de São Pedro. Liderada pelo Patriarca Paulo III Nona, a missa marcou a afirmação da comunhão eclesiástica concedida pelo Papa Leão XIV, reforçando a unidade entre os diferentes ritos da Igreja Católica em um momento de grandes desafios.
Qual foi o principal objetivo dessa celebração no Vaticano?
O evento serviu para formalizar a união espiritual e administrativa entre a Igreja Caldeia e o comando central da Igreja Católica em Roma. Durante a cerimônia, foi lida a confirmação da comunhão eclesiástica que o Papa concedeu a Paulo III Nona, o novo patriarca de Bagdá dos Caldeus. Mais do que um protocolo religioso, o encontro foi uma demonstração de força e unidade para uma comunidade que vive espalhada por vários continentes, permitindo que fiéis do Iraque e da diáspora celebrassem juntos sua herança cultural e espiritual no coração do catolicismo mundial.
O que torna o rito caldeu diferente das missas tradicionais no Brasil?
A missa caldeia preserva tradições milenares, sendo celebrada em aramaico, a língua antiga que se acredita ter sido falada por Jesus. O rito caldeu é um dos vários ritos orientais que compõem a Igreja Católica; embora todos sigam o Papa, eles mantêm liturgias, cânticos e vestimentas próprias que refletem suas origens no Oriente Médio. Durante a cerimônia na Basílica de São Pedro, essas orações ancestrais ocuparam o espaço, simbolizando a preservação de uma identidade cristã que sobreviveu a séculos de história, mesmo diante de perseguições severas em suas terras de origem.
Quais são os principais desafios enfrentados pelos cristãos caldeus no Iraque?
A comunidade sofre com o esvaziamento de sua terra natal devido a décadas de violência e instabilidade. Estima-se que mais de 1 milhão de cristãos deixaram o Iraque nos últimos trinta anos, impulsionados por ataques a igrejas e pela perseguição de grupos extremistas, como o Estado Islâmico. Esse êxodo forçado criou um dilema: enquanto as lideranças desejam manter a presença cristã no país para preservar suas raízes indígenas, a falta de segurança, moradia e emprego torna o retorno de quem fugiu extremamente difícil, transformando a permanência no Iraque em um ato de resistência.
Como os caldeus que vivem no exterior tentam ajudar quem ficou no Iraque?
As comunidades na diáspora, presentes em países como Estados Unidos e Austrália, atuam em duas frentes principais. Primeiro, realizam campanhas de arrecadação de fundos para enviar assistência financeira direta às paróquias e famílias necessitadas no Iraque. Em segundo lugar, trabalham com a diplomacia, pressionando governos e parlamentos locais para que ajudem a garantir a proteção das minorias cristãs na região. O objetivo é criar condições práticas, como investimentos e segurança, para que o convite de retorno feito pelo patriarca seja viável e não apenas um desejo simbólico.
Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.





