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Uma viagem escolar de arqueologia terminou com uma descoberta que pode reescrever parte da história medieval das ilhas Orkney, no norte da Escócia.
Dez estudantes do colégio Gordonstoun, escola onde o rei Charles III estudou quando era jovem, ajudaram a encontrar os vestígios do que arqueólogos acreditam ser uma igreja da era Viking com cerca de 1.000 anos de idade, escondida sob uma construção mais recente na ilha desabitada de Swona.
A descoberta aconteceu durante uma expedição de seis dias realizada em parceria com arqueólogos do Orkney Research Centre for Archaeology (Orca). Embora a estrutura ainda precise ser datada por radiocarbono, o formato da construção, sua orientação e a forma como as pedras foram assentadas sem argamassa apontam para uma capela cristã dos séculos X ou XI.
O achado é considerado especialmente relevante porque Swona, apesar de sua longa ocupação humana, permaneceu pouco estudada arqueologicamente até agora.
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O que os estudantes encontraram na ilha de Swona?
A ilha de Swona fica entre o arquipélago de Orkney e a costa norte da Escócia, cerca de 11 quilômetros ao norte de John O'Groats. Hoje, não há moradores permanentes no local – apenas gado selvagem circula livremente pela paisagem.

A equipe percorreu aproximadamente dez horas até chegar à ilha. Durante a estadia, os estudantes viveram em uma antiga casa de agricultores abandonada havia cerca de um século, sem eletricidade e com água retirada de um poço antigo.
Como os estudantes encontraram a possível igreja medieval?
Segundo Dan McLean, professor responsável pela expedição, tudo começou com uma simples referência em um mapa a uma ruína conhecida localmente como "Twinly Kirk".
"Depois que limpamos a vegetação e abrimos uma pequena escavação, encontramos um degrau logo abaixo da superfície que levava ao que teria sido o altar da igreja", afirmou McLean, em declaração ao New York Post.
A equipe identificou ainda outros indícios compatíveis com uma igreja da era Viking, como o alinhamento típico das igrejas medievais, a técnica construtiva em pedra seca e a ausência de barro ou argamassa entre as pedras.
Sob uma construção posterior surgiram também vestígios da fundação do altar, um dos elementos que reforçam a interpretação de que o edifício teve função religiosa.
Por que os arqueólogos acreditam que a igreja é da Era Viking?
Os Vikings chegaram às ilhas Orkney por volta do século IX e transformaram o arquipélago em um dos principais centros de seu domínio no Atlântico Norte. Durante muito tempo, a região foi governada por condes nórdicos ligados ao reino da Noruega.
Ao contrário da imagem popular de guerreiros exclusivamente pagãos, muitos Vikings passaram por um processo gradual de conversão ao cristianismo entre os séculos X e XI. Em Orkney, essa transição deixou marcas em cemitérios, capelas e igrejas construídas durante a consolidação da nova fé.
É justamente nesse período que os arqueólogos situam a provável igreja da era Viking encontrada em Swona.
Paul Clark, gerente de projetos do Orca, afirmou que a ilha possui uma história "longa e rica", mas recebeu poucas investigações sistemáticas ao longo das últimas décadas. "Foi um momento empolgante para todos quando encontramos os vestígios do que acreditamos ser uma capela medieval primitiva", disse Clark aoNew York Post.
O que a descoberta revela sobre a história dos Vikings em Orkney?
Apesar do entusiasmo, os pesquisadores evitam afirmar que a igreja realmente tenha 1.000 anos sem confirmação científica. Os estudantes coletaram amostras de solo e materiais orgânicos que agora serão submetidos à datação por radiocarbono.
O exame poderá indicar quando houve atividade humana no local e estabelecer uma cronologia mais precisa para a construção.
Além da escavação da provável igreja, a expedição encontrou outros sinais da ocupação histórica de Swona, como um assentamento pré-histórico, montes funerários de pedra, conhecidos como cairns, e uma vala circular que pode ter servido como base para um farol de alerta utilizado pelos Vikings.
Para os arqueólogos, a continuidade das pesquisas pode revelar como comunidades pequenas participaram da expansão do cristianismo nas ilhas do norte da Escócia e ajudar a preencher lacunas sobre um dos períodos mais importantes da história medieval de Orkney.



