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Facção criminosa

Jornal dos EUA diz que PCC virou potência global do crime

PCC EUA The Wall Street Journal
Reportagem do The Wall Street Journal destaca expansão global do PCC e compara facção brasileira à máfia italiana. (Foto: Reprodução/WSJ)

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O The Wall Street Journal classificou o Primeiro Comando da Capital (PCC) como uma organização criminosa com atuação global e estrutura comparável à de uma multinacional. Em reportagem publicada na segunda-feira (20), o jornal dos Estados Unidos afirma que a facção brasileira se consolidou como uma das maiores do mundo.

Segundo a publicação, o grupo estaria “reformulando os fluxos globais de cocaína”, conectando a produção da América do Sul aos principais portos da Europa e ampliando sua presença em direção aos Estados Unidos.

De acordo com autoridades norte-americanas citadas pelo jornal, pessoas ligadas ao PCC já foram identificadas em estados como Flórida, Nova York, Nova Jersey, Connecticut e Tennessee. A facção teria cerca de 40 mil integrantes, com atuação em aproximadamente 30 países e presença em todos os continentes, com exceção da Antártida.

Nos Estados Unidos, há discussões sobre a possibilidade de classificar o grupo como organização terrorista estrangeira — medida que enfrenta resistência do governo brasileiro. O jornal destaca que o PCC opera com alto nível de organização e disciplina interna, com características semelhantes às de grandes empresas.

“Os membros mantêm um perfil discreto e empresarial, buscando fortuna, não fama”, descreve a reportagem. A facção também adota códigos rígidos de conduta e realiza rituais de entrada, em alguns casos, até por videoconferência.

Para especialistas ouvidos pelo veículo, o grupo funciona como uma espécie de “governo do mundo ilegal”, regulando atividades criminosas e organizando cadeias internacionais de tráfico.

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Comparação com a máfia italiana

A publicação comparou ainda o PCC à máfia italiana que se tornou uma potência global do crime. A reportagem aponta que integrantes da facção têm usado diferentes estratégias para ampliar sua influência, incluindo infiltração em comunidades e diversificação de atividades ilícitas.

Entre elas, estão o uso de igrejas para lavagem de dinheiro, além de investimentos em setores como postos de combustíveis, construção civil e fundos imobiliários.

O grupo também atua no recrutamento dentro e fora dos presídios, oferecendo apoio jurídico a membros — estrutura conhecida como “brigada da gravata".

Embora o tráfico de drogas continue sendo a principal atividade, o PCC também expandiu sua atuação para outras áreas ilegais, como mineração de ouro, extração de madeira, tráfico de pessoas, pesca ilegal e exploração de comunidades.

Segundo o jornal, a estrutura descentralizada da facção facilita sua expansão sem a necessidade de controle territorial direto — fator que também torna mais difícil seu combate por autoridades.

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