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Lista Mundial de Perseguição

Mais mortes, abusos e perseguição extrema: relatório expõe violência contra cristãos no mundo

Cristãos participam da cerimônia de oração coletiva de Ano Novo no Irã: país é o 10º na lista de perseguição (Foto: EFE/EPA/ABEDIN TAHERKENAREH)

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A Lista Mundial da Perseguição 2026 (LMP), um relatório anual divulgado pela ONG Portas Abertas, dedicada a reportar violações de direitos contra adeptos do cristianismo em nível internacional, mostra que mais de 388 milhões de cristãos sofreram algum tipo de violência por causa da fé entre 1º de outubro de 2024 e 30 de setembro de 2025.

Dados coletados pelos organizadores do documento apontam que houve um agravamento da perseguição extrema no mundo, que agora atinge 15 países, dois a mais que foi reportado no relatório anterior.

Ao todo, são listados os 50 países onde a perseguição se mostrou mais grave. O país onde a violência contra cristãos mais se alastrou foi a Síria, que passou da 18ª posição no ranking para a 5ª.

O país localizado no Oriente Médio passou a integrar o grupo das nações com perseguição considerada extrema, ao lado da Coreia do Norte (1ª posição), Somália (2ª), Iêmen (3ª), Sudão (4ª) e Eritreia (5ª). Além destes, outros 10 países se encontram nessa situação.

O relatório ainda mostrou que dos 50 países que compõem o ranking, 34 aumentaram a repressão contra cristãos. Quatro nações da América Latina compõem o documento: Cuba (24ª), México (30ª), Nicarágua (32ª) e Colômbia (47ª).

Nepal volta ao ranking de perseguição depois de quatro anos

O Nepal, localizado na Ásia Meridional, voltou a integrar a Lista Mundial da Perseguição (LMP) em 2026, ocupando a 46ª posição.

O país havia deixado de estar entre os 50 países mais perigosos para cristãos em 2022. Seu retorno está ligado ao aumento da violência direcionada: mais cristãos foram presos e sofreram abusos físicos e psicológicos, além de que um número maior de igrejas foram atacadas nesse período.

O caso da Síria: caos político permitiu que mais cristãos sofressem perseguição interna

A Síria subiu drasticamente de posição no ranking, passando da 18ª para a 6ª entre outubro de 2024 e setembro de 2025.

Esse movimento ocorreu principalmente devido ao caos político instaurado com a queda do ditador Bashar al-Assad, em dezembro de 2024. A fuga para a Rússia e a tomada do poder por insurgentes impulsionou um forte crescimento da violência no país.

Com isso, milícias locais e grupos armados dizeram os cristãos reféns. Intimidação, extorsão, assassinatos e ataques a igrejas, escolas e residências se tornaram mais comuns nesse período.  

A Síria foi classificada com 90 pontos de risco em um total de 100. A Portas Abertas explicou que o novo governo instaurado com a queda de al-Assad prometeu liberdade religiosa, mas "a violência contra os cristãos atingiu um nível extremamente alto".

Durante o período analisado pelo documento, pelo menos 27 cristãos sírios foram mortos por motivos relacionados à sua fé, mostrou a ONG, embora observe que o número real seja provavelmente maior.

Assassinato de cristãos dispara no mundo; Nigéria segue liderando ranking

A Portas Abertas denunciou no relatório que o assassinato cristãos disparou no período de um ano no mundo. Entre 1º de outubro de 2024 e 30 de setembro de 2025, foram reportados 4.849 mortes, sendo que 72% delas aconteceram na Nigéria.

Comparativamente, a LMP de 2025 registrou 4.476 assassinatos. No país africano, os homicídios aumentaram 12,6% em apenas um ano, um sinal da forte perseguição sofrida pelos cristãos, que também os força a fugir, assim como em todo a região do Sahel africano, onde os governos são incapazes de proteger a população no contexto da guerra civil ou dos ataques de grupos armados.

Outros tipos de violência contra cristãos que aumentaram

Além do aumento das mortes por causa da fé, outros tipos de violência foram denunciados pela organização.

- Cristãos abusados física ou mentalmente subiu de 54.780 (2025) para 67.843 casos (2026);

- Casos de estupro ou assédio sexual cresceram de 3.123 (2025) para 4.055 (2026);

- Casamentos forçados com não cristãos aumentaram de 821 (2025) para 1.147 (2026);

- Cristãos condenados por causa da fé cresceram de 1.140 (2025) para 1.298 (2026);

- Cristãos forçados a fugir ou se esconder dentro do país saltaram para 201.427 (2026);

Em contrapartida, outros números abaixaram no relatório mais recente, como a quantidade de cristãos sequestrados, que desceu para 3.302, apesar de permanecer em níveis críticos.

As Portas Abertas também reportarem uma queda nos ataques a igrejas e propriedades ligadas a cristãos: passou de 7.679 para 3.632. Mesmo assim, a África Subsaariana e a Ásia continuam sendo os epicentros da perseguição a comunidades cristãs, onde há forte atuação de grupos extremistas e governos autoritários.

Os dados baseiam-se em informações sobre diversos elementos fornecidas por colaboradores locais, especialistas na situação em cada país, e em relatórios da organização católica Ajuda à Igreja que Sofre, embora alguns números sejam estimativas conservadoras devido à insuficiência de dados.

Ranking do Portas Abertas com os 50 países onde há mais perseguição a cristãos no mundo. Crédito: Divulgação/Portas Abertas

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