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Ratificação iniciada

Mercosul e União Europeia assinam acordo que cria uma das maiores zonas de livre comércio do mundo

Tratado marca passo decisivo para criar uma das maiores zonas de livre comércio do mundo.
Tratado marca passo decisivo para criar uma das maiores zonas de livre comércio do mundo. (Foto: Juan Pablo Pino/EFE)

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Líderes do Mercosul e da União Europeia (UE) assinaram o acordo comercial neste sábado (17), após mais de 25 anos de negociações. O tratado cria uma das maiores zonas de livre comércio do mundo.

Estiveram presentes Santiago Peña, presidente do Paraguai; Javier Milei, presidente da Argentina; Yamandú Orsi, presidente do Uruguai; Rodrigo Paz, presidente da Bolívia; José Raúl Mulino, presidente do Panamá, Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia; e António Costa, presidente do Conselho Europeu.

O presidente Lula (PT) não compareceu ao evento. O governo brasileiro decidiu que a assinatura deveria envolver apenas os representantes de Relações Exteriores dos países sul-americanos. Mauro Vieira, ministro das Relações Exteriores do Brasil, representou o Brasil.

A presença de chefes de Estado na cerimônia ocorreu por convite do presidente do Paraguai, Santiago Peña, que atualmente preside o Mercosul. Em seu discurso, Peña lembrou do presidente brasileiro e afirmou: "sem ele, não haveria acordo". Durante a cerimônia, Rodrigo Paz e Javier Milei aproveitaram a ocasião para prestar solidariedade ao povo venezuelano após a prisão de Nicolás Maduro.

Acordo entre Mercosul e União Europeia segue para os processos de ratificação

O acordo prevê redução ou eliminação gradual de tarifas de importação e exportação, que chegam a mais de 90% do comércio entre os blocos. Ele estabelece regras comuns para produtos industriais e agrícolas, investimentos e padrões regulatórios.

Apesar da assinatura, o tratado ainda precisa passar pelos processos de ratificação internos. No caso da União Europeia, o Parlamento Europeu analisará o texto e, dependendo da interpretação jurídica, partes do acordo poderão ter de ser aprovadas pelos parlamentos nacionais dos países-membros.

No Mercosul, o acordo terá de ser aprovado pelos congressos nacionais do Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. Enquanto isso, a UE e os países do Mercosul poderão discutir a aplicação provisória de partes do tratado, especialmente sobre a redução de taxas, o que permitirá antecipar alguns efeitos econômicos antes da ratificação completa.

O acordo só passa a valer por completo depois de todas as aprovações internas serem concluídas nos dois blocos.

Lula recebeu presidente da Comissão Europeia na sexta-feira

O Brasil responde por mais de 82% das importações europeias originadas no Mercosul e por cerca de 79% das exportações do bloco para a UE. Com esse cenário, Argentina, Uruguai e Paraguai ocupam posição secundária na dinâmica do acordo. A União Europeia conduz a negociação essencialmente a partir da relação com o Brasil.

Lula recebeu Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, na sexta-feira (16), no Rio de Janeiro. Ele classificou a demora para concluir o acordo como "25 anos de sofrimento e tentativa de acordo" e destacou que o tratado reúne cerca de 720 milhões de pessoas e um Produto Interno Bruto (PIB) de US$ 22 trilhões (R$ 118,4 trilhões).

"Essa é uma parceria baseada no multilateralismo", afirmou Lula. "Esse acordo de parceria vai além da dimensão econômica. A UE e o Mercosul compartilham valores como respeito à democracia, ao Estado de Direito e aos direitos humanos. Mais diálogo político e mais cooperação vão garantir padrões elevados aos direitos trabalhistas e à defesa do meio ambiente", prosseguiu.

Acordo enfrenta resistência de países europeus

Um diplomata da UE e o ministro da Agricultura da Polônia afirmaram que 21 países apoiaram o acordo, enquanto Áustria, França, Hungria, Irlanda e Polônia votaram contra. A Bélgica se absteve. Para aprovar o tratado, era necessário o apoio de pelo menos 15 países representando 65% da população total do bloco.

Após a confirmação do apoio europeu, a ministra da Agricultura da França, Annie Genevard, afirmou que adotará medidas unilaterais caso o setor agrícola e pecuário do país seja prejudicado pelo acordo. Ela citou a suspensão recente de importações de produtos agrícolas tratados com substâncias proibidas na UE, especialmente de origem sul-americana.

O acordo conecta Mercosul e União Europeia em um mercado de mais de 700 milhões de pessoas e integra fluxos de bens e investimentos entre América do Sul e zona do euro, marcando um passo decisivo na integração econômica global.

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