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A longa guerra patrocinada pelo Irã contra Israel e os recentes ataques perpetrados por forças americanas, em junho passado, enfraqueceram as estruturas políticas e econômicas do país persa, reduzindo drasticamente sua influência no Oriente Médio.
A escalada de tensões com o governo de Donald Trump coloca novamente o regime dos aiatolás em foco, enquanto especialistas tentam avaliar os possíveis efeitos de um novo conflito em solo iraniano, liderado por Washington.
Para muitos, um ataque americano é visto como capaz de dizimar o regime islâmico. No entanto, uma vitória rápida está longe de ser certa, mesmo que os EUA atinjam focos estratégicos do Irã com força militar. Isso porque a atual estrutura de poder do país é baseada num complexo aparato coercitivo criado desta forma justamente para sobreviver a esse tipo de crise.
O levantamento anual do Global Firepower, site que ranqueia a capacidade de exércitos pelo mundo, posiciona o Irã como o 16º país com a maior força militar de um total de 145 nações. Israel, por exemplo, aparece apenas uma posição à frente das forças iranianas, o que evidencia a capacidade de Teerã de responder a um ataque americano, mesmo que os EUA mantenham uma vantagem indiscutível nesse sentido.
O regime conta com uma hierarquia conhecida, encabeçada pelo líder supremo Ali Khamenei. Mas, além dessa estrutura, há conselhos e cargos não eleitos que exercem imenso poder dentro do sistema iraniano, inclusive para influenciar a escolha de novas lideranças nos diferentes setores da gestão islâmica. O próprio secretário de Estado americano, Marco Rubio, admitiu em uma reunião com congressistas que não há uma "resposta simples" para lidar com a situação do Irã.
Estima-se que a Guarda Revolucionária iraniana tenha centenas de milhares de membros. Além disso, ela conta com o apoio de milícias regionais, que ameaçaram abertamente retaliar qualquer ataque ao seu patrono, por exemplo, por meio de bombardeios a bases americanas na região.
O Irã conta com mais de 600 mil militares na ativa e 350 mil na reserva para responder a eventuais operações do Pentágono. Além dos oficiais, há também grupos paramilitares que colaboram para manter a ordem estabelecida pelo regime – cerca de 250 mil homens, dos quais 190 mil integram a Guarda Revolucionária.
De acordo com o portal War Power, Teerã também conta com aproximadamente dois mil tanques de guerra, 550 aeronaves e mais de cem navios.
Na semana passada, seu Exército ampliou o arsenal militar ao abastecer diferentes setores militares com mais de mil novos drones. Ao todo, estima-se que existem 3.894 equipamentos aéreos não tripulados disponíveis para o uso em conflitos.
Apesar de uma guerra entre EUA e Irã ter consequências imensuráveis, o regime dos aiatolás vive seu momento mais crítico desde a ascensão em 1979 e pode estar com os dias contados.
EUA e Irã sinalizam desescalada, mas mantêm ameaças militares
O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, anunciou nesta terça-feira (3) que deu instruções para que seu país inicie negociações com os EUA.
“Instruí meu ministro das Relações Exteriores para que, assim que houver um ambiente adequado - livre de ameaças e expectativas irracionais -, busque negociações justas e equitativas, guiadas pelos princípios de dignidade, prudência e interesse próprio”, escreveu na rede social X.
Trump ordenou em janeiro o envio de uma frota da Marinha dos EUA ao Golfo Pérsico e alertou que atacará o Irã caso não seja alcançado um acordo que impeça a República Islâmica de desenvolver uma arma nuclear.
Atualmente, as forças americanas mantêm posicionados o porta-aviões USS Abraham Lincoln e três destróieres de mísseis guiados, acompanhados por milhares de soldados adicionais, próximos às águas iranianas.
Segundo o The New York Times, o enviado especial da Casa Branca Steve Witkoff e o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, se reunirão na sexta-feira (6) em Istambul (Turquia) para discutir um possível acordo nuclear.
Ao mesmo tempo em que sinalizam uma desescalada, o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas iranianas, o general Abdolrahim Mousavi, anunciou nesta segunda uma mudança de Teerã para uma doutrina militar ofensiva.
"Após a guerra de 12 dias e a continuação das prejudiciais ações americano-sionistas, revisamos nossa doutrina de defesa, mudando-a para uma doutrina ofensiva baseada em operações relâmpago e de amplo alcance", informou a autoridade militar durante uma inspeção a uma das unidades das Forças Armadas, segundo citou a agência de notícias Tasnim, vinculada à Guarda Revolucionária do Irã.




