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A presidente do México, Claudia Sheinbaum, disse nesta semana que manterá o programa de missões com médicos de Cuba no país, apesar da pressão do governo dos Estados Unidos para que países latino-americanos e caribenhos rompam essas parcerias.
“Este é um acordo bilateral muito útil para o México”, disse a mandatária esquerdista em entrevista coletiva na quarta-feira (25), segundo informações da agência Associated Press.
“Não podemos esquecer, antes de tudo, que foram os médicos cubanos que vieram nos ajudar durante a pandemia [de Covid-19] em condições muito difíceis”, acrescentou a presidente.
Sheinbaum alegou que, no México, os médicos cubanos recebem remuneração direta e que não há regime de trabalho forçado, argumento dos EUA para pressionar para que países da região cancelem esses convênios.
“Eles recebem o que lhes é devido; ou seja, recebem seus salários. Não é que eles venham para cá e o governo cubano lhes pague o que bem entender”, afirmou a presidente.
Nos últimos meses, os governos de Honduras, Guatemala, Jamaica, Guiana, Antígua e Barbuda, Bahamas, Granada e Trinidad e Tobago suspenderam acordos na área com Cuba ou revisaram seus termos, o que levou o ministro das Relações Exteriores cubano, Bruno Rodríguez, a criticar Washington nas redes sociais.
“Com forte pressão e chantagem, o governo dos EUA está agindo na América Latina e no Caribe para garantir que as brigadas médicas cubanas deixem todos os países da região onde estão atualmente alocadas”, afirmou nesta semana.
Desde 2018, tramita na Justiça federal dos Estados Unidos uma ação contra a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), apresentada por quatro médicos cubanos que trabalharam no Brasil no Mais Médicos.
Segundo a Fundação para os Direitos Humanos em Cuba, esses profissionais alegam que “não tiveram escolha a não ser ir ao Brasil; seus documentos foram confiscados e a sua circulação foi limitada no Brasil; eles foram obrigados a doutrinar a população local; seus familiares foram mantidos reféns em Cuba; eles foram vigiados 24 horas por dia, sete dias por semana, por agentes da inteligência cubana empregados pela Opas; e Cuba e a Opas confiscaram de 80% a 90% do valor pago pelo Brasil por seus serviços”.











