
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, oficializou um acordo com o regime chavista da Venezuela para assumir o controle majoritário de 17 campos de petróleo. O pacto, anunciado no final de agosto de 2026, garante a exploração de reservas bilionárias por 25 anos, mas enfrenta forte resistência de grupos opositores venezuelanos que questionam a legitimidade e a transparência do negócio.
Quais são os principais detalhes financeiros e técnicos do contrato assinado?
O acordo estabelece uma parceria de 25 anos com investimentos que ultrapassam a marca de US$ 100 bilhões. O objetivo é explorar 17 campos petrolíferos que abrigam cerca de 65 bilhões de barris, o que representa mais de 20% de toda a reserva comprovada da Venezuela. A expectativa do regime chavista, representado pela líder interina Delcy Rodríguez, é que a produção atinja 1,5 milhão de barris por dia, gerando uma receita estimada em US$ 209 bilhões para os cofres públicos venezuelanos ao longo das próximas duas décadas, sob controle operacional majoritário dos Estados Unidos.
Por que a legitimidade política do regime chavista está sendo questionada?
A principal crítica da oposição, liderada por figuras como María Corina Machado, foca no fato de que um compromisso tão longo e estratégico não deveria ser firmado por um governo que não possui amplo reconhecimento democrático. Os críticos argumentam que decisões que empenham a maior riqueza do país por um quarto de século precisam do respaldo de instituições estáveis e de governantes eleitos legitimamente nas urnas. Para eles, a aproximação de Washington com o Palácio de Miraflores ignora a necessidade de uma base jurídica sólida e democrática para sustentar o pacto.
Como a divisão dos lucros do petróleo venezuelano se compara com outros países?
Especialistas apontam que as condições econômicas do contrato são desfavoráveis para a Venezuela. Pelos termos divulgados, a parcela das receitas que ficará com o Estado venezuelano deve ser inferior a 50%. Essa margem é considerada baixa quando comparada aos modelos adotados por vizinhos como Brasil, Colômbia e Guiana, onde a participação do governo em grandes projetos de exploração de petróleo costuma superar os 60%. A oposição exige a divulgação completa dos termos jurídicos e operacionais para entender se os benefícios chegarão de fato à população ou apenas ao regime.
Qual é a polêmica envolvendo as empresas escolhidas para operar as reservas?
Um dos pontos mais sensíveis é a participação da North American Blue Energy Partners (Nabep), ligada ao empresário Alejandro Betancourt López. A companhia terá um papel central na exploração de reservas gigantescas, superiores às de países inteiros. A controvérsia surge porque o empresário já foi alvo de investigações sobre corrupção e lavagem de dinheiro no exterior, embora sem condenações formais. Analistas questionam os critérios usados para escolher uma empresa de médio porte para gerir um patrimônio tão vasto e por que uma figura ligada ao chavismo ganhou tamanha relevância.
Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.





