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Tragédias

Terremotos na Colômbia e na Venezuela, com poucos meses de diferença, têm relação?

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Colômbia foi atinginda nesta segunda por um terremoto de magnitude 7,4. (Foto: Ernesto Guzmán Jr/EFE)

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A Colômbia foi atinginda nesta segunda-feira (10) por um terremoto de magnitude 7,4 que provocou mortes, destruição e danos em diferentes regiões do país. O tremor teve epicentro no departamento de Chocó, no noroeste colombiano, e ocorreu a cerca de 100 quilômetros de profundidade. Segundo balanço mais recente divulgado pelo presidente colombiano, Abelardo de la Espriella, ao menos 111 pessoas morreram devido ao tremor até agora.

O desastre ocorreu menos de dois meses depois de a Venezuela também ser atingida por dois fortes terremotos, de magnitude superior a 7, que deixaram mais de 6 mil mortos. Especialistas ouvidos pela reportagem explicam que tanto a Venezuela quanto a Colômbia estão localizadas em regiões de intensa atividade geológica, próximas aos limites de grandes placas tectônicas. Essa característica torna os dois países mais sujeitos a terremotos, inclusive de grande magnitude, embora os tremores registrados na Venezuela e na Colômbia tenham ocorrido por mecanismos diferentes e não haja indícios de que um evento tenha provocado o outro.

Na Colômbia, os especialistas explicaram que o terremoto desta segunda está associado à interação entre as placas de Nazca e Sul-Americana, com a primeira tendo avançado sob a segunda em um processo descrito pelos especialistas como "subducção". Na Venezuela, os tremores de junho estão ligados principalmente ao movimento lateral entre as placas do Caribe e Sul-Americana.

José Alexandre Nogueira, sismólogo do Centro de Sismologia da Universidade de São Paulo (USP), explicou à Gazeta do Povo que essas diferentes interações entre placas ajudam a explicar a elevada atividade sísmica no norte e no oeste da América do Sul. Alessandro Bertolino, doutor em Gestão Urbana e professor da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR), acrescentou que os locais dos terremotos estão separados por cerca de mil quilômetros e não pertencem à mesma falha geológica, o que afasta uma relação direta entre os eventos.

Profundidade foi uma das principais diferenças

Uma das principais diferenças entre os terremotos da Colômbia e da Venezuela está na profundidade em que ocorreram.

O terremoto colombiano teve origem a aproximadamente 100 quilômetros abaixo da superfície. Na Venezuela, os abalos foram muito mais rasos, com profundidades entre aproximadamente 10 e 20 quilômetros, segundo Bertolino. As magnitudes foram semelhantes: acima de 7 nos dois países.

A profundidade é um dos fatores que influenciam o potencial de destruição de um terremoto. De maneira geral, quanto mais próximo da superfície ocorre um tremor, maior pode ser seu impacto nas áreas próximas ao epicentro.

“Terremotos superficiais, como o terremoto da Venezuela, são bem mais destrutivos que terremotos mais profundos”, explicou Nogueira.

Apesar de ter tido uma origem muito mais abaixo da superfície, o terremoto desta segunda-feira provocou destruição em diferentes partes da Colômbia devido à elevada magnitude e à proximidade de áreas povoadas.

Estão ocorrendo mais terremotos na América do Sul?

A sequência recente de terremotos de grande magnitude pode provocar a impressão de que a atividade sísmica está aumentando na América do Sul. Além dos fortes tremores registrados na Venezuela em junho e na Colômbia nesta segunda-feira, o Chile também foi atingido por um terremoto de magnitude 6,9 no norte do país, em maio. O abalo sísmico, neste caso, não deixou grande destruição, nem vítimas e feridos.

Bertolino ressalta que a ocorrência de vários terremotos de altas magnitudes em aproximadamente dois meses chama a atenção, mas não permite afirmar que o continente esteja vivendo uma onda anormal de atividade sísmica.

“Pode assustar, em questão de dois meses, mais ou menos, a gente ter vários eventos desses, uma concentração maior do que a gente está acostumado a observar numa região específica, mas isso não quer dizer que a gente está passando por um período anormal”, explicou.

Segundo ele, seria necessário analisar uma série histórica longa, comparando a quantidade, a magnitude e a distribuição dos terremotos ao longo do tempo, para determinar cientificamente se existe alguma mudança significativa no padrão sísmico da região.

Nogueira também afirma que não há indícios de que terremotos estejam acontecendo com maior frequência atualmente. Uma das razões para a percepção de aumento, segundo ele, é o avanço dos sistemas usados para detectar os tremores.

“Não tem nenhum indício que isso possa estar acontecendo. O que acontece hoje é que a gente tem instrumentação mais sensível. Nossas redes sismográficas são mais sensíveis e também a gente as possui em maior quantidade”, afirmou.

Com mais equipamentos espalhados pelo mundo e tecnologias capazes de identificar movimentações cada vez menores, terremotos que anteriormente poderiam passar despercebidos hoje são registrados com maior facilidade.

Há risco de novos grandes terremotos?

Os especialistas alertam que os terremotos da Venezuela e da Colômbia não permitem prever se novos tremores de grande magnitude atingirão outras partes da América do Sul nos próximos meses.

Segundo Bertolino, as placas tectônicas estão em movimento constante, mas a ciência ainda não consegue determinar com precisão quando, onde e com qual magnitude ocorrerá um terremoto. Atualmente, pesquisadores trabalham principalmente com cálculos de probabilidade e modelos de risco para identificar regiões mais sujeitas a esses fenômenos.

Nogueira também destaca a dificuldade de realizar previsões. Segundo ele, grandes terremotos podem ser seguidos por réplicas, geralmente de magnitude inferior à do evento principal, embora existam exceções.

“Basicamente é impossível prever terremotos”, afirmou o sismólogo.

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