
Dom Paul Coakley, presidente da Conferência dos Bispos Católicos dos Estados Unidos, defendeu que o patriotismo autêntico é, essencialmente, uma virtude religiosa e não política. Durante a Convenção Suprema dos Cavaleiros de Colombo em Denver, ocorrida nesta semana, o arcebispo diferenciou o amor à pátria do nacionalismo, associando o dever cívico à gratidão divina e aos mandamentos cristãos.
Qual é a diferença fundamental entre patriotismo e nacionalismo?
O patriotismo é comparado ao amor de um filho por sua mãe: envolve gratidão, honra e o desejo de correção para que a nação melhore. É um sentimento que admite erros e pecados do país, buscando a justiça. Já o nacionalismo transforma a nação em um ídolo, exigindo lealdade absoluta que deveria pertencer apenas a Deus. O nacionalista rejeita críticas e acredita que seu país é superior aos outros, enquanto o patriota apenas reconhece o vínculo único que tem com sua terra natal.
Como a religião justifica o amor ao país?
Segundo a visão apresentada, o patriotismo flui diretamente do Quarto Mandamento, que ordena honrar pai e mãe. A lógica é que devemos gratidão a quem nos deu a vida e sustento, e isso se estende ao país que nos forneceu linguagem, liberdade e cultura. Santo Tomás de Aquino, um dos teólogos mais importantes da história, já explicava que o homem é devedor de seus pais e de sua nação, logo abaixo de sua dívida com Deus. Portanto, servir à pátria é um ato de caridade e piedade.
Um cristão pode criticar o seu próprio país?
Sim, e isso é visto como um sinal de amor real. Assim como um bom filho diz a verdade à mãe quando ela se desvia do caminho correto, o patriota deve apontar as injustiças da nação para ajudá-la a ser o que Deus planejou. O amor à pátria não exige lealdade cega; ele deve sempre estar submetido à verdade e à vontade de Deus. Lamentar os erros históricos ou sociais de uma nação faz parte do dever de consciência de quem deseja um país mais justo e perfeito.
O que significa praticar o patriotismo no dia a dia?
Na prática, essa virtude se manifesta através do engajamento civil e da amizade entre vizinhos. Isso inclui votar com uma consciência bem formada, participar da vida da comunidade e trabalhar pela paz e pela justiça para os mais pobres e vulneráveis. O objetivo é combater o partidarismo extremo e o tribalismo, que dividem a sociedade. Para muitos, esse compromisso chega ao ponto máximo de arriscar a própria vida no serviço militar, sempre colocando Deus acima de qualquer lealdade governamental.
Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.





