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O presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou na madrugada deste sábado (03) que as forças norte-americanas realizaram um ataque em larga escala contra a Venezuela e que o ditador Nicolás Maduro, junto com sua esposa, foi capturado.
O anúncio foi feito após uma madrugada em que explosões foram registradas em Caracas e em estados como Miranda, Aragua e La Guaira. Infraestruturas estratégicas foram atingidas, incluindo o Forte Tiuna (complexo militar onde fica a sede do Ministério da Defesa) e a base aérea de La Carlota. Um vídeo divulgado pela Reuters mostrou fumaça próxima ao Aeroporto La Carlota, em Caracas, em meio a explosões.
A captura de Maduro ocorreu após um período de intensa pressão militar. O governo venezuelano confirmou a ação, mas não divulgou informações sobre possíveis mortos ou feridos.
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A vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, disse que é desconhecido o paradeiro do ditador e da primeira-dama Cilia Flores. Em entrevista por telefone à emissora estatal VTV, Rodríguez exigiu que os EUA apresentem uma prova de vida de Maduro e de sua mulher. A vice-presidente relatou ainda que morreram militares e civis atingidos “nos diferentes pontos dos ataques”, sem dar números.
Diante da escalada do conflito, a Venezuela solicitou uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU para discutir os que classificou como “atos de agressão” dos Estados Unidos. O pedido foi formalizado por meio de uma carta enviada ao presidente do Conselho de Segurança, o embaixador da Somália, Abukar Dahir Osman, com cópia encaminhada ao secretário-geral da ONU, António Guterres
Fontes da Casa Branca informaram que Trump deu sinal verde aos ataques há alguns dias, depois de vários meses de aumento da presença militar americana diante do litoral venezuelano e pedidos da Casa Branca para que Maduro deixasse o poder.
Em uma breve entrevista ao jornal The New York Times, direto de sua residência Mar-a-Lago, no estado da Flórida, onde passou Natal e Ano Novo, Trump afirmou que foi realizada "uma operação brilhante". "Houve muito planejamento e muita gente e militares muito bons", declarou.
Como foi a ação que capturou Maduro
O ataque à Venezuela, que ocorreu por volta das 2h no horário local (3h em Brasília), tem características de uma ação de forças especiais para capturar o ditador Maduro e não de uma invasão de larga escala com o objetivo de dominar o país militarmente, segundo analistas militares e informações já divulgadas pela Casa Branca. Possivelmente essa deve ser uma das maiores operações de forças especiais, comparável à ação que matou o terrorista Osama Bin Laden em 2011.
As ações foram uma combinação de bombardeios aéreos contra bases militares, aeroportos e portos na Venezuela e ações terrestres forças de commandos, unidades de infantaria leve altamente treinadas e equipadas. Semanas antes, entre a esquadra americana estacionada no Mar do Caribe foi identificado o chamado “Navio Fantasma”, o navio de containers Ocean Trader, o quartel-general flutuante das forças especiais americanas.
O transporte dessas tropas foi feito por helicópteros pesados Chinook, escoltados por caças e helicópteros de ataque, que já haviam sido vistos na região. As aeronaves possivelmente partiram de navios do porta-helicópteros Iwo Jima ou do grupo de combate do porta-aviões Gerald Ford.
Líderes se manifestam
O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), condenou em sua conta no X a ação. A posição do governo do Brasil está alinhada à de ditaduras como a da Rússia, de Cuba e da China. "Os bombardeios em território venezuelano e a captura do seu presidente ultrapassam uma linha inaceitável. Esses atos representam uma afronta gravíssima à soberania da Venezuela e mais um precedente extremamente perigoso para toda a comunidade internacional", escreveu.
A presidente da União Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou apoiar uma "transição pacífica" no país. "Acompanhamos de perto a situação na Venezuela. Manifestamos nossa solidariedade ao povo venezuelano e apoiamos uma transição pacífica e democrática. Qualquer solução deve respeitar o direito internacional e a Carta da ONU", disse.
O primeiro-ministro do Reino Unido Keir Starmer disse que seu país "não esteve envolvido de forma alguma nesta operação". Entrevistado pela emissora pública BBC, Starmer foi questionado se condenava a captura de Nicolás Maduro e de sua esposa, anunciada por Donald Trump. Mas Starmer manteve a cautela: "esclareçamos os fatos e continuemos depois".
Na Colômbia, o presidente Gustavo Petro anunciou um reforço na segurança da fronteira para lidar com uma eventual chegada em massa de refugiados devido aos ataques a Caracas e outras cidades. "Ativa-se a força pública na fronteira e toda a rede assistencial de que dispomos em caso de entrada massiva de refugiados", declarou Petro.
Já o presidente da Argentina, Javier Milei, comemorou a captura de Nicolás Maduro por meio de uma publicação no X. “A liberdade avança. Viva a liberdade, c...”, escreveu o governante argentino, mantendo seu estilo característico.
Ditaduras condenam ação dos EUA
Após a confirmação da ação de captura, países do chamado Eixo das Ditaduras condenou a operação militar dos Estados Unidos. A Rússia foi uma das primeiras a se manifestar. Por meio de nota do Ministério das Relações Exteriores, classificou a ação norte-americana como “um ato de agressão armada”. O país do ditador Vladimir Putin destacou a importância de evitar “uma nova escalada [do conflito] e se concentrar em encontrar uma saída para a situação por meio do diálogo”, afirmou o ministério em um comunicado.
A China fez um alerta seus cidadãos para que não viajem à Venezuela. “O Ministério das Relações Exteriores e a Embaixada da China na Venezuela lembram aos cidadãos chineses que não viajem para a Venezuela em um futuro próximo”, diz o comunicado.
Pela rede social X, o presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, afirmou que “Nossa Zona de Paz está sendo brutalmente assaltada”. Ele disse que a ação norte-americana foi “terrorismo de estado” contra o povo venezuelano e à América. O Irã condenou a captura e pediu ao Conselho de Segurança da ONU uma “ação imediata para cessar a agressão ilegal”. O irã também classificou a operação militar como uma violação da soberania e da integridade territorial.
Conteúdo editado por: Hermano Freitas





