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Reboleiras, plantas com pouco vigor e produtividade abaixo do esperado costumam acender um sinal de alerta no campo. As primeiras explicações geralmente passam pelo clima, pela nutrição ou pelas condições do solo. São fatores importantes, claro, mas nem sempre contam toda a história. Muitas vezes, a resposta pode estar onde pouco se olha: nas raízes.
No caso dos nematoides, essa pergunta pode mudar completamente o manejo. Estamos falando de organismos microscópicos que atuam justamente onde não conseguimos enxergar durante uma avaliação convencional da lavoura. Quando os primeiros sinais se tornam visíveis nas folhas e no desenvolvimento da planta, o sistema radicular pode já estar comprometido.
Reboleiras, plantas com pouco vigor e produtividade abaixo do esperado costumam acender um sinal de alerta no campo. As primeiras explicações geralmente passam pelo clima, pela nutrição ou pelas condições do solo
Esse caráter silencioso ajuda a explicar por que o diagnóstico é tão importante, uma vez que uma planta amarelada pode estar com deficiência nutricional, e o baixo desenvolvimento pode ter relação com compactação ou falta de água. Mas esses mesmos sintomas também podem ocorrer quando raízes atacadas por nematoides perdem capacidade de absorver água e nutrientes. Ou seja, tratar apenas aquilo que aparece na superfície é correr o risco de conviver com a causa por várias safras.
E isso foi algo que conseguimos observar de perto no decorrer das expedições dos Caçadores de Nematoides, projeto da Vitalforce que percorreu dezenas de propriedades do Centro-Oeste brasileiro, o principal polo de produção de grãos do Brasil. O Pratylenchus brachyurus apareceu em 87,5% das amostras coletadas e foi encontrado em todas as regiões visitadas.
Em algumas culturas, a presença foi ainda mais frequente. No milho, encontramos P. brachyurus em 34 das 36 amostras analisadas. No algodão, foram 17 resultados positivos em 18 amostras. Nos dois casos, uma frequência de 94,4%. Considerando as diferentes espécies de Pratylenchus, chegamos a 91,3%.
É importante dizer que esse levantamento retrata as propriedades avaliadas e não deve ser extrapolado para todo o Centro-Oeste. Ainda assim, o que encontramos em campo traz um alerta importante sobre o problema que há abaixo da superfície e que pode passar despercebido até que os reflexos apareçam na produtividade.
Logo, a observação da lavoura continua sendo indispensável, mas precisamos criar o hábito de arrancar plantas, observar raízes, coletar solo e investigar aquilo que não aparece na superfície. Quanto mais cedo fizermos isso, maior será a margem para tomar decisões antes que o problema comprometa o potencial produtivo.
Essa também é uma das propostas da iniciativa Caçadores de Nematoides. Ao levar microscopia para as regiões produtoras, conseguimos mostrar ao produtor aquilo que normalmente ele não vê. E há uma diferença grande entre dizer que uma área pode ter nematoides e colocar uma amostra no microscópio para que ele enxergue o microrganismo que está ali. A partir desse momento, a conversa deixa de ser sobre uma suspeita e passamos a discutir um problema concreto daquela propriedade.
Lucas Pereira da Silva é coordenador do projeto Caçadores de Nematoides e desenvolvedor de mercado MT/RO da Vitalforce.
Conteúdo editado por: Jocelaine Santos



